quarta-feira, 29 de maio de 2019

Bolsonaro, o bolsonarismo e a farsa religiosa

Bolsonaro na cerimônia de consagração
do Brasil ao Imaculado Coração de Maria 

A extrema direita resgata a experiência maquiavélica de usar a religião em favor de quem governa

Entrevista com Roberto Romano
Patrícia Facchin
IHU

consagração do Brasil ao Imaculado Coração de Maria foi “uma reedição caricata da anedota sobre Henrique IV da França. Protestante, ele teria se convertido ao catolicismo para chegar ao trono”, diz Roberto Romano à IHU On-Line, ao comentar o ato realizado no Palácio do Planalto na semana passada. No caso de Bolsonaro, ironiza, “um presidente que se proclama ‘evangélico’ para ganhar votos se apresenta compungido e exalta a Virgem Mãe, como se ele mesmo fosse o fruto de um milagre mariano”.
Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, o professor explica que as consagrações ao Coração de Jesus e ao Coração de Maria têm origem junto à Igreja nascente, mas ganharam uma dimensão política ao longo dos séculos. “Notemos, pois, que na vida moderna, ou desde o final da Idade Média quando se forma o Estado nos delineamentos ainda hoje reconhecíveis, o culto ao Coração de Jesus e de Maria adquire uma dimensão política a cada momento mais evidente. Não será por acaso que o anseio do mundo católico, em luta contra o Estado laico que é diretamente oposto à religião, foi o de formar exércitos (a Ação Católica era um deles) de fiéis para proteger a Igreja e atacar o modernismo, cujos signos mais evidentes eram a cisão protestante, o socialismo, o anarquismo, o comunismo. Sem esquecer, muito pelo contrário, o liberalismo”, pontua (continue a leitura)
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