terça-feira, 30 de julho de 2019

Bolsonaro: um psicopata ad hoc na Presidência da República

Laerte, na Folha de S. Paulo
Não chegou a 1'30'' a cena que exibiu para o Brasil e para o mundo o caráter criminoso do então deputado federal Jair Bolsonaro: o exato momento em que, ao justificar seu voto favorável ao afastamento da presidente da República na sessão da Câmara que consagrou o golpe do impeachment, o ex-capitão faz a apologia da morte na figura de Brilhante Ustra, o homem que comandava as sessões diabólicas de tortura no DOI-CODI de São Paulo (assista aqui).

Depois disso, foi o que se viu: um aprofundamento sinuoso e traiçoeiro da ruptura institucional patrocinada pela mais sórdida campanha ideológica de que se tem notícia na história brasileira: um complexo de poderes - no campo da "grande" mídia, no Judiciário, do Congresso, entre os empresários e banqueiros e do próprio imperialismo, empenhados todos em transformar as eleições de 2018 na fraude que levou o próprio Bolsonaro à presidência, certamente o mais desqualificado dos brasileiros para ocupar o cargo - moral e intelectualmente -, mas disponível para o serviço sujo que trouxe o Brasil à miserável condição em que se encontra hoje: um país sem rumo, privado de direitos sociais, de soberania externa e de dignidade constitucional. Nenhum de seus eleitores e apoiadores pode, por isso, dizer-se surpreendido.

O desprezo de Bolsonaro pelos direitos humanos, pedra de toque do processo de redemocratização do período 1985-1989, não é, portanto, a consequência de uma falha de caráter individual do ex-capitão; alguma coisa passageira que vai terminar junto com seu mandato. O desprezo dele pelos direitos humanos, pela democracia, pelas liberdades fundamentais de uma sociedade complexa como a nossa, a erradicação dos direitos sociais, tudo isso é um projeto dos grupos que o levaram ao cargo que comprou nas eleições do ano passado. 

Bolsonaro é a síntese desse projeto: na sua rusticidade ele o verbaliza, mas torce por ele todo o espectro neoconservador que se formou no Brasil ao seu redor. São hipócritas aqueles que dizem que Bolsonaro é um mal-necessário para que se façam as "reformas", para que se extirpe a "corrupção", para que se inaugure uma "nova política" interna e externa. Bolsonaro não é nada disso, senão a consagração de uma hegemonia burguesa que nunca foi muito menos que a promotora do país que ostenta os maiores índices de pobreza do mundo, o menor nível de crescimento do mundo, um projeto de Educação falido e uma soberania internacional que beira a nulidade. Um país onde as classes dominantes deixam atrás de si uma fieira de ossos, aida que se utilizem do estúpido Bolsonaro para isso... como insinua a magistral - e emotiva - charge de Laerte.

Sugiro a leitura destas matérias: * Quem são esses caras? Tortura nunca mais (André Singer, via jsfaro.net) * Se o presidente da OAB quisar saber como o pai dele desapareceu, eu conto pra ele (O Globo) * Bolsonaro diz que militantes de esquerda e não militares mataram o pai do presidente da OAB (O Globo) * Nota de repúdio às declarações do Presidente da República (OAB)* Bolsonaro se apequena ao dizer que sabe como se matava e torturava na ditadura (El País) * Jair Bolsonaro, o psicopata (Lucia Helena Issa, GGN) * Um caso de saúde mental ou cumplicidade (IHU) * Janaína Paschoal questiona sanidade mental de Bolsonaro (Congresso em Foco) * Não é mais caso de impeachment, mas de interdição (Miguel Reale Jr, 247) * Doria chama de "inaceitável" declaração de Bolsonaro (Folha) * Absurdo inaceitável, diz Covas (Folha) * Com aval da elite, Bolsonaro transforma mentira em tática (Carta Capital) * Jair Bolsonaro perpetua opressões com sua tática destrutiva (CC) * Falas de Bolsonaro podem indicar crimes de responsabilidade (Uol) * Família vai à PGR cobrar explicações (Folha) * Comissão de mortos e desaparecidos vai pedir explicações (Folha) * Nem na ditadura presidentes elogiavam tortura (Rede Brasil Atual).
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