segunda-feira, 25 de novembro de 2019

A disputa pela infâmia (Le Monde)

Repressão contra os protestos no Chile mostra
vocação fascista dos exércitos da América Latina 

Bolsonaro é um de seus representantes

A moral e o passado: o 'rótulo' Bolsonaro cresce na América Latina

Vinicius Mendes
Le Monde Diplomatique
Brasil

Quando o empresário coreano-boliviano Chi Hyun Chung irrompeu por uma das ruas que dão acesso à Praça Kantuta, na região do Pari, zona central de São Paulo, no final de setembro, ninguém o notou de imediato. A chuva fina que caía sobre a cidade naquele domingo havia afugentado a maioria dos frequentadores que, normalmente, lotam o local – principal reduto de lazer dos bolivianos que vivem na capital paulista – neste dia da semana. 

À boca pequena, se dizia que a visita num dia daquele era benéfica porque não permitiria que ele aglomerasse muita gente ao seu redor. Quando, enfim, foi percebido, a praça se dividiu: uma parte das pessoas correu para pedir autógrafos, fazer vídeos ou tirar selfies com ele, enquanto outra passou a gritar o nome do então presidente da Bolívia, Evo Morales. De longe, enquanto eu via a aglomeração, uma conhecida surgiu correndo em minha direção gritando com um sorriso irônico: “Você viu o ‘Bolsonaro boliviano?’”. 

Naquela mesma semana, os jornais bolivianos Pagina Siete e Los Tiempospublicaram uma pesquisa de intenção de voto para as eleições do final de outubro com uma surpresa: o empresário asiático, candidato havia um mês, aparecia na quarta posição, com 3% das escolhas (continue a leitura)
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