segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

A desigualdade estrutural fala mais alto

Fim do auxílio emergencial devolve 3,4 milhões para a extrema pobreza

Estudo mostra que, com pandemia em pleno andamento e fim da ajuda financeira dada pelo governo, país deve ter este ano mais de 17 milhões de pessoas vivendo com menos de US$ 1,9 por dia (leia no Estadão)

A catástrofe humana provocada pelo covid-19 não para de revelar as profundas fragilidades brasileiras. São evidências de problemas estruturais que as classes dominantes procuram contornar e esconder há décadas, mas que - no final as contas - falam mais alto e se impõem em toda a sua dramaticidade. A principal delas é o abismo social que se agravou no país nos últimos 3 ou 4 anos em decorrência da selvageria com que os direitos sociais e as garantias do trabalho foram atacadas na esteira da conspiração que levou ao golpe de 2016 e que agora mostra os efeitos nocivos que se espalham em todos os setores da sociedade. 

O Brasil é hoje o segundo país mais desigual do mundo e a crise humanitária decorrente disso tem pouco a ver com a pandemia e muito a ver com esse modelo esdrúxulo de capitalismo que só beneficia 1% da população. Essa desigualdade estrutural nem se resolve com remendos esporádicos de ajuda do Estado nem com o aprofundamento do modelo econômico imaginado pelos rentistas e por Bolsonaro e sua turma. O caminho é outro, e não há um único dia sem que essa evidência fique mais clara no elenco de mudanças que corrijam as deformações que se acumulam nas práticas neoliberais, do fim do teto dos gastos públicos, às reformas agrária e fiscal, o controle da remessa dos lucros para matrizes de empresas estrangeiras instaladas no Brasil, a revogação da reforma trabalhista, a estatização integral do sistema de saúde, dos sistemas de transporte e dos sistemas de ensino e pesquisa. 
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Leituras recomendadas: * Os 5 fatores de nossa miséria (Dowbor, Outras Palavras) * O desmonte da rede de proteção social (Souto Maior, A Terra é redonda) * Por outra democracia: esta nào protege a maioria da população brasileira (Fabiana Moraes, Intercept) * Uma gramática de privilégios (IHU) * O aumento das desigualdades (IHU* O colapso do capitalismo no Brasil (clipping do blog).

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