sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

O covil ideológico do bolsonarismo

Devo ter visto esse vídeo umas duas ou três vezes. Quis me certificar do arsenal de canalhice de que Bolsonaro lança mão para consolidar esse recorrente gesto de desprezo que ele e seu grupo manifestam em relação ao mundo em que vivem, uma espécie de casamata onde só conseguem respirar se mantiverem o tiroteio contra o Brasil de forma ininterrupta, sem descanso. É por isso que, no final das contas, o fascismo é um regime de ideias que alimenta uma infelicidade imensa entre seus militantes e ao redor dos espaços em que vivem.

O vídeo, no entanto, me chama a atenção por um detalhe que considero mais relevante que o próprio Bolsonaro vociferando. Refiro-me ao contentamento quase infantil manifestado pelo "chanceler" Ernesto Araújo a cada rompante do ex-capitão. Araújo aplaude, sorri, inquieta-se na cadeira e, certamente visto de perto, seus olhos devem ter ficado marejados de emoção ainda mais com essa trilha sonora que entoa "mito", "mito", "mito" ao fundo. Um regozijo de doentes que encontra ressonância no colapso civilizatório que representam e do qual se sentem porta-vozes.
__________

Nenhum comentário: