quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Capitalismo brasileiro: atraso e pobreza como destino

O verdadeiro Custo Brasil

Percentuais formidáveis de brasileiras e brasileiros na linha da miséria absoluta são a razão da estagnação do país. Para isso, os empresários têm uma resposta na ponta da língua: diminuir o "custo Brasil", isto é, radicalizar a concentração da renda pelo caminho das 'reformas estruturais', uma receita que nos condena ao atraso.

Numa de suas mais absurdas iniciativas, Bolsonaro vetou a liberação total de recursos para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). A decisão, que ainda pode ser derrubada no Legislativo, significa a subtração de R$ 4 bilhões de verbas destinadas a projetos de desenvolvimento em inovação mantidos por instituições públicas e foi classificada pelo deputado do Partido Socialista Brasileiro (RJ), Alessandro Molon, como "um ataque frontal à Ciência e à Tecnologia, justamente num momento em que o país precisa investir mais para se desenvolver" (leia aqui a notícia do Correio Braziliense).

O fato compõe o cenário de indigência em que vivem as políticas públicas e sociais do Brasil desde o golpe que destituiu Dilma Rousseff da presidência da República, em 2016. Da emenda constitucional que fixou a rigidez do teto orçamentário, a reforma da Previdência, a nova CLT, as práticas irracionais e desequilibradas de austeridade fiscal, consolidaram a própria inviabilidade do capitalismo brasileiro. O resultado é o que se vê: com um mercado interno asfixiado pela pobreza, sem investimentos nem nacionais nem estrangeiros, sem poder de concorrência no exterior, o Brasil é hoje um reduto do atraso e das maquinações de uma burguesia neoliberal que se farta com a acumulação conspícua, sem qualquer projeto para o futuro.

Essas breves reflexões - postadas aqui ainda sob o impacto da decisão da Ford em encerrar suas atividades no Brasil, fato que exigiria uma mudança estratégica na política econômica - talvez expliquem a rapidez com que, tão logo a informação dada pela empresa estadunidense foi dada, vieram a público os empresários e suas entidades de classe clamar pela "redução do custo Brasil", como se já não fosse essa própria redução a causa do colapso da economia nacional e de sua grave e inédita crise social. Trocando em miúdos, o verdadeiro "custo Brasil" é o peso que as classes dominantes brasileiras têm sobre as costas da sociedade.
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