domingo, 25 de abril de 2021

De onde vem o perigo? (atualização)

Fenômeno dos anos Lula, classe c afunda aos milhões e cai na miséria

Matéria publicada no G1 (leia aqui) dá conta do processo de definhamento dos padrões de vida de vários segmentos da sociedade brasileira, em especial dos estratos comumente chamados de 'médios'. Na verdade, trata-se do resultado da crise econômica global de 2008, agravado agora com o colapso geral provocado pela pandemia. Os efeitos mais visíveis dessa deterioração da renda -  e das expectativas simbólicas que o sistema capitalista alimenta por todo o tecido social - são sentidos mais fortemente nos setores médios - o locus do arrivismo conservador e autoritário - que reage de forma antidemocrática ao menor sinal de risco que possam sofrer seus paradigmas ideológicos.

É claro que as consequências materiais da crise são mais sentidas na classe que a reportagem chama de "baixa", mas é na "classe média tradicional", pelo peso que ela tem na formatação da esfera pública midiatizada, que esses efeitos são mais perceptíveis e mais proclamados, em especial pela forma espetacularizada com que a crise afeta suas perspectivas. Os segmentos "inferiores" da pirâmide social brasileira, de qualquer forma, tiveram mitigados - ainda que de forma efêmera -  os resultados da crise também como consequência das políticas de ajuda emergencial implementadas durante a pandemia.

Com a classe média isso não ocorre. Espremida entre os extremos da pirâmide e ameaçada pelo rebaixamento de sua proletarização, esse estrato atribui invariavelmente à "desordem da democracia", à "corrupção", ao "estado" e à "proliferação dos direitos sociais" as causas do seu estrangulamento. E reage à altura dessa simplificação: o melhor remédio que possa salvá-la disso tudo é a ditadura. Não será a primeira vez que isso ocorre no Brasil (no mundo também) e certamente não será a última. Os exemplos de 1964, 1968, 1989, 2015-2016 e 2018 são suficientes para que se perceba o quanto a fragilidade da democracia fica exposta à adesão à ruptura institucional como o caminho para escapar da crise... 

A repercussão das últimas decisões do STF - relativas a Lula e à formação da CPI da pandemia - já mostram os primeiros sinais dessa reação, especialmente nos espaços ultraconservadores que repercutem a 'indignação' de que o bolsonarismo (o programa do fascismo brasileiro) lança mão para mobilizar os segmentos que estão dipostos ao golpe para inviabilizar a retomada da democracia no Brasil. Nesse sentido, vale a pena observar a conversão à direita que alguns jornais comprometidos com o golpe contra Dilma Rousseff já manifestam em matérias e editoriais, a exemplo do Estadão de hoje (17 de abril).

Penso que contra essa construção totalitária só há um caminho: a radicalização da luta pelo afastamento imediato da dupla Bolsonaro-Mourão do governo, a formação de um governo de salvação nacional e a convocação de eleições gerais.

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