sexta-feira, 7 de maio de 2021

O Brasil ocupado - parte II

O cheiro da morte

Um país de covardes (Lygia Jobim, Carta Maior)
A tragédia do Jacarezinho (Jorge Luiz Souto Maior, A Terra é redonda)
400 mil mortos: Maria, preciso te contar sobre Bolsonaro, o fazedor de órfãos (Eliane Brum, El País)

O Brasil é hoje um país fétido. Não é apenas o pária rejeitado no cenário internacional pelas políticas sanitárias criminosas que já provocaram a morte de mais de 400 mil pessoas; é também o reduto de um bando que está pondo em prática um processo meticuloso de extermínio, uma espécie de limpeza étnico-social que dá acabamento ao serviço que o covid-19 não consegue concluir. O cheiro disso é o cheiro fétido e insuportável da morte.

Os relatos do que aconteceu em Jacarezinho exibem a ação de verdadeiros esquadrões cuja existência vem sendo alimentada na mesma medida e em perfeita sincronia com a construção de uma sociedade onde a pobreza vive associada a um segregacionismo agora revelado abertamente e aos tiros. Tudo isso como consequência de um projeto de dominação das mesmas elites que usurparam o Estado em golpes sucessivos, de Temer a Bolsonaro. Só não vê isso quem, por covardia ou má fé, acredita que os mortos estão mortos porque são bandidos, numa argumentação incivilizada que pauta o discurso dos aparelhos da dominação fascista.

Não há síntese capaz de dar conta dos desdobramentos desse processo. Reúno nesta postagem alguns textos que sinalizam para as possibilidades de uma revolta civil e para a resistência dos mecanismos normativos que se localizam na esfera jurídica e legislativa, mas será preciso a mobilização popular para resgatar o país.

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