quinta-feira, 3 de junho de 2021

Fora Bolsonaro!

Ao som do maior panelaço contra si, Bolsonaro mente e tenta encobrir colapso sanitário e econômico vivido pelo Brasil


No pronunciamento de ontem (2 de junho) Bolsonaro repetiu as distorções de sempre e disse mentiras novas, entre elas a promessa de vacinas para todo mundo e a da recuperação da economia representada pelos efeitos do ataque especulativo que a BOVESPA sofreu em maio (leia no Uol e no Valor Econômico).

Bolsonaro vai se consolidando como o case político da nova era: um especialista no encobrimento do fracasso em que seu governo se transformou através da insistência com que debocha da realidade. Isolado na CPI, pressionado pelo descontentamento militar que o estímulo à indisciplina provoca nos quarteis, acossado por crescentes manifestações de rua e virtualmente derrotado em 2022 caso as tendências das pesquisas de consolidem, o que resta ao pior presidente da República da nossa história é o sentido do apelo cínico e ilusionista de seu discurso.

É em torno desse artifício - a mentira consagrada como verdade oficial - que os segmentos civis (em especial o do empresariado) e a ala fascista do Exército, mobilizam-se em torno daquilo que Luiz Eduardo Soares identifica como um novo tipo de queremismo (leia aqui), isto é, uma mudança que seja feita com a manutenção de Bolsonaro no governo, a exemplo do que queriam os queremistas que queriam a continuidade de Vargas em 1945, depois de encerrado o ciclo do Estado Novo. 

A tese (penso que fortemente amparada nos movimentos dos grupos que lideraram o golpe de 2016 e que elegeram Bolsonaro) desenrola-se num apelo sedutor: disciplinar o criminoso porque é ele que promove e pode implementar a selvageria do programa de reformas reivindicado pelo grande capital. 

Mais 15 dias, no máximo, e o Brasil vai atingir a escandalosa cifra de meio milhão de mortos pela pandemia. Com o desemprego e a pobreza extrema em franca expansão, com as denúncias dos crimes de responsabilidade que a CPI vai acumulando nos depoimentos que se seguem em Brasília e com o isolamento diplomático vivido pelo país, a conta pode fechar com o povo nas ruas. Não há mentiras nem meias-verdades que resistam a isso...

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