sexta-feira, 4 de junho de 2021

Entre o fascismo bolsonarista e a República

Exército vira braço do bolsonarismo e volta as costas para o que restava da sua história republicana

Decisão de não punir o pequeno Pazuello revela promiscuidade ideológica (G1) e acaba com a ilusão de que militares podem conter Bolsonaro (Luis F. Miguel)
O Exército brasileiro já viveu dias de glória republicana. Lembro aqui, de passagem, dois momentos em que sua determinação democrática se fez valer: a Força Expedicionária Brasileira (decisiva no envolvimento do Brasil na luta contra o nazismo durante a II Guerra) e a participação da oficialidade nacionalista na campanha O Petróleo é nosso, que culminou com a criação do maior símbolo da soberania nacional - a Petrobras. Nos dois momentos, o que estava em jogo era uma cisão ideológica que punha em debate a percepção da vocação pública dos militares... e em torno dessa vocação a largueza das ideias.

Essa tradição - a julgar pelo comportamento dos militares como gendarmeria que atua na proteção dos interesses privados das elites brasileiras - se perdeu. O que se viu na humilhação a que Bolsonaro submeteu o Exército no episódio Pazuello não é apenas o retrato de uma prostração cívica, da perda da energia democrática em favor do fascismo; é também o abraço dos militares à causa da mediocridade institucional. Quem são Pazuello e Bolsonaro senão dois agentes e protagonistas do estado de decomposição moral e política em que o Brasil vive? Algum deles paga o custo histórico da decisão de inocentar o primeiro e legitimar o segundo? Pois foi a serviço dessa lógica que o Exército se colocou. 

A resposta a isso talvez venha dos próprios militares, possibilidade na qual eu não acredito. Mas pode ser que venha das massas da sociedade civil, esfera onde se encontram os estamentos de resgate do país.  São elas que podem salvar o próprio Exército...

Leituras sugeridas
Matérias selecionadas do Uol e da Folha: * Temor de nova crise provocou decisão * Bolsonaro leva para 2022 a anarquia militar (Josias de Souza) * Ato de Bolsonaro com Pazuello passa de 'melhor pesquisa eleitoral' a evento 'sem nenhum viés político'Matérias selecionadas do Estadão: * Editorial * É hora de reagir, antes que seja tarde, diz Jungmann * Santos Cruz: Bolsonaro avança na corrosão das instituições * Bolsonaro impõe sua vontade ao comando do Exército e crise se agravaMatérias selecionadas do G1: * Camarotti: Generais da reserva temem insubordinação (Camarotti) * Valdo Cruz: Comandante do Exército errou e terá problemas com a tropa. Matérias do Valor: * Militares dos EUA e da França mostram por que o Brasil é a vanguarda do atraso (Maria Cristina Fernandes) * Desfecho do processo contra Pazuello mostra que Exército agoniza como instituição do Estado. Matéria em Outras Palavras: * Por que o Exército se acovardou * Exército impõe 100 anos de sigilo para o processo administrativo de Pazuello (Globo)

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