sexta-feira, 11 de junho de 2021

Há um golpe de Estado sendo planejado no Brasil?

Projeto político das forças conservadoras que chegaram ao poder no embalo do afastamento ilegal de Dilma Rousseff caminha rapidamente para o esgotamento de perspectivas. Acuado pelo colapso sanitário e econômico, pela deterioração de suas bases de apoio, pelas revelações de seus  crimes que vem sendo feitas na CPI da covid, Bolsonaro aposta no caos e no caminho que ele próprio representa: a ruptura institucional.  
As duas estratégias de Bolsonaro para continuar no poder
Fernando Abrucio (Valor)

Bolsonaro traçou dois planos para seu futuro político, ambos vinculados à permanência no poder. O primeiro é a aposta na reeleição, com toda uma estratégia para manter sua base mais fiel - próxima de 15% do eleitorado - e ampliar no mínimo mais dez pontos percentuais para garantir uma vaga no segundo turno. Mas o medo em relação à eleição - sobretudo depois da anulação do julgamento do ex-presidente Lula - e a visão autoritária que tem da política levaram o presidente a construir um plano B: é preciso criar um clima populista-golpista no país, seja para mobilizar permanentemente o bolsonarismo-raiz, seja para acuar os adversários, ou então, ainda, como última saída, para inviabilizar a vitória de outro candidato, mantendo-se no Palácio do Planalto a qualquer custo. Pode parecer uma contradição apostar numa via democrática e, ao mesmo tempo, deixar a porta aberta para um possível golpe. Na verdade, o bolsonarismo se sustenta nesta ambiguidade, porque a pressão constante contra o sistema político tem permitido reduzir paulatinamente vários dos controles sobre o presidente e garantido, ademais, uma base fiel capaz de tudo em nome da liderança máxima, chamada de “mito” (continue a leitura).


O golpe além da Bolha

Maria Cristina Fernandes (Valor)


“Não sendo milícia, as Forças Armadas não são arma para empreendimentos anti-democráticos. Destinam-se a garantir os poderes constitucionais e a sua coexistência”. Este é um trecho de carta do general Humberto Castello Branco, então chefe do Estado-Maior do Exército, para generais e “organizações subordinadas” (leia aqui na íntegra). A carta é datada de 20 de março de 1964, uma semana depois do comício da Central do Brasil, no Rio, em que o então presidente João Goulart anunciara sua disposição de levar à frente as reformas de base. Dez dias depois, os generais viram no discurso de Jango para suboficiais e sargentos, na Cinelândia, a semente da milícia de que falava Castello. No dia seguinte, o derrubaram (continue a leitura).


Outras leituras: * Bolsonaro tem comportamento de ditador e ameaça rebelião miliciana (Uol) * Acuado, Bolsonaro inaugura nova fase de conspiração golpista (Folha) * A escalada da retórica militar bolsonarista (Maria Cristina Fernandes, Valor)* As Forças Armadas e a democracia (José Genoíno, Carta Maior) * Militares planejam se manter no poder com ou sem Bolsonaro (Terra) * Bolsonaro: "Tenho as Forças Armadas ao meu lado e elas poderão ir às ruas" (Carta Capital) * Para Chico Buarque, o golpe se aproxima: "Algum pretexto vai ser usado para fecharem outra vez" (Rede Brasil Atual) * Face, Google, Twitter estão colaborando para um golpe no Brasil (Link, Estadão) * Bolsonaro em campanha (clipping Google) * Além da imaginação: a sistematização da mentira na CPI (Outras Palavras) * Vladimir Safatle: "Não houve eleição em 2018" (Carta Maior) * Os golpistas têm uma dúvida (Janio de Freitas, Folha) * Bia Kicis e a Aeronáutica (Estadão) * Bolsonaro diz que não entregará a faixa presidencial no caso de fraude nas eleições (Uol)

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