quarta-feira, 28 de julho de 2021

A sobrevida de Bolsonaro

Composição com o Centrão revela fraqueza e pode
selar queda de Bolsonaro

Abraço de afogados

"Preciso salvar este governo", teria dito Bolsonaro para justificar a indicação do camaleão político e inoperante Ciro Nogueira para a Casa Civil - peça chave nas articulações com o que há de mais retrógrado e venal no Congresso.

Nogueira - que integrava até ontem a tropa de choque bolsonarista na CPI da Pandemia - é um serviçal do poder e está sempre disponível: passa do vermelho ao branco, da moderação ao radicalismo fascista com uma naturalidade que envergonha quem lhe dá atenção e até mesmo seus beneficiários. Por isso, Bolsonaro viu nele - nessa inexpressividade perigosa - o recurso de que precisa para o canto da derrota que se aproxima: tudo para evitar que o impeachment conquiste as ruas e leve consigo até mesmo a covardia do presidente da Camara, Artur Lira, que continua sentado sobre as centenas de pedidos de afastamento do presidente. 

É o resumo da ópera. Ao pedir socorro para a turma da 'velha política' - um dos temas que o legitimou junto aos fascistas que seduziu com a promessa de renovação das práticas políticas - Bolsonaro não dá uma demonstração de força, mas de fraqueza. Se não cair agora com o retorno das denúncias sobre os crimes que comete em favor da crise sanitária, não demora muito mais. Vai levar junto o novo e envergonhado arranjo.

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