sábado, 18 de setembro de 2021

Paulo Freire, 100 anos

A homenagem a Paulo Freire na produção do SinproSP

De tudo quanto procurei aprender lendo e ouvindo sobre Paulo Freire, penso que o essencial foi compreender que a herança de seu pensamento não se traduz num método, mas se constitui num anátema contra a sociedade de classes. A pedagogia freireana é, por isso, um ensaio e um manifesto que se desdobra nas camadas do aprendizado daquele que ensina e daquele que aprende na luta pela justiça social. É mesmo, como se pode deduzir dos grandes marcos da história do pensamento, um projeto que fica próximo da inteireza do Humanismo. 

Não tenho certeza de que tenha conseguido exercer minha atividade de professor em sintonia total com esse enunciado generoso, mas ter percebido isso nos fragmentos das minhas aulas e na busca pela eficácia da reflexão de alunas e alunos, construiu na minha prática docente a percepção de que o objeto da Educação deve dirigir-se à plenitude da existência Política do indivíduo. Se a Educação não perseguir isso, ela não será mais do que um adorno que apenas lustra e disfarça a opressão...

Não é por outro motivo que essa corja fascista que usurpou o governo brasileiro, e que ainda é chefiada por uma excrescência como Bolsonaro, escolhe Paulo Freire como o sistemático alvo de seus ataques: percebem nele, na sua conduta e nos sinais de revolução que suas ideias emitem, a verdadeira ameaça para sua existência corrupta. E é também por isso que o centenário desse professor absoluto tem que ser festejado como liturgia da luta democrática. Não conheço senão rudimentos do legado que ele deixou à categoria à qual pertenço, mas passar pelo ofício de ensinar perto dessa compreensão foi um privilégio.


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