segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Inferno social no paraíso da concentração da renda

Explosão da pobreza: o legado das elites empresariais brasileiras

Uma cena nunca imaginada nem mesmo pela pior ficção do terror: brasileiras e brasileiros esmiuçam o lixo em busca de restos de carne que os livre da fome absoluta. Não deixe de ler a matéria da Folha aqui.
Fiquei surpreso com a entrevista com o dono do Banco Itaú que o Estadão publicou no domingo. O que me chamou a atenção não foi a lenga-lenga desfiada em louvor do capital financeiro, mas a conviccão com que Roberto Setúbal advoga a necessidade de uma 'terceira via' para o desfecho das eleições de 2022, naturalmente explicando o desvario bolsonarista e estigmatizando o reformismo de Lula. Esse discurso vai se tornando recorrente na mídia conservadora e certamente quer servir como bússola para os eleitores ao longo dos próximos meses, mas é muito difícil que o consiga em razão do conjunto de pressupostos abertamente mentirosos com que é construído. 

O principal artifício dos seus enunciados é o da aura de inocência com que a imagem de uma 'terceira via' quer se apresentar à opinião pública. Procurando ocultar seu comprometimento com o o caos econômico e social que se instalou no país desde o golpe do impeachment, o que o conservadorismo de extrema direita quer é vender a ideia de uma 'moderação' que ele próprio não pratica e nunca praticou. A desmontagem dos direitos sociais e trabalhistas, a explosão da pobreza e do desemprego, a redução violenta de investimentos públicos em todas as áreas, a desindustrialização, a crise energética, a alienação do patrimônio nacional, os crimes ambientais, a tragédia da pandemia, o isolamento diplomático, a instalação de um regime de corrupção nunca visto na nossa história, tudo isso são marcas de um regime pensado e implementado por essa mesma turma que agora fala em evitar a 'polarização' política como saída para a crise. Roberto Setubal, que preside o banco de maior lucratividade mundial, é representante dessa facção e o eufemismo que ele cola na sua fala 'moderada' e 'pacificadora' mal oculta a intenção de manter inalterada a polarização da riqueza sobre o inferno social da pobreza, o fato determinante do poder político das elites brasileiras. Contra isso, o que o Brasil precisa é de mais radicalismo, não menos.

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