domingo, 5 de dezembro de 2021

Brasil vive nova ameaça de retrocesso social

Governo quer extinguir mais direitos trabalhistas 

No carnaval de 1989, a escola de samba Beija-Flor resumiu e denunciou, com rara felicidade poético-musical, a marginalidade que havia sido construída durante a modernização prussiana da ditadura (Ratos e urubus, larguem minha fantasia). Feita a transição democrática com base na conciliação de classes, o resultado é o que se vê: o Brasil é um imenso bolsão de pobreza, estagnado e desgovernado, nas mãos de uma elite empresarial predatória cujo objetivo é reduzir o trabalho a um instrumento de servidão, pobreza e sofrimento.  
Tudo indica que esse ciclo ainda não se esgotou,  a julgar pela iniciativa do governo Bolsonaro em reduzir ainda mais os direitos trabalhistas através de um projeto de nova reforma que será enviada ao Congresso. As mudanças aprofundam as que entraram em vigor em 2017, na prioridade legislativa que receberam logo após o golpe que destituiu a presidenta Dilma Rousseff. 

O que se vê agora, no entanto, é um processo de liquidação de direitos cuja lógica é maximizar para além do limite da desumanidade quaisquer resquícios que possam organizar a subjetividade do trabalhador como cidadão possuidor de garantias que assegurem seu bem-estar mínimo. Sem eufemismos: a nova reforma institui a escravidão aberta já que nega qualquer tipo de reconhecimento eficaz, jurídico e contratual, a uma das partes das relações de trabalho - aquela que é representada pelas trabalhadoras e pelos trabalhadores (continue a leitura)

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