domingo, 20 de março de 2022

A caminho do golpe?

Bolsonaro rosna e late, mas também pode morder

Escândalo do Telegram deixa esquema eleitoral fascista exposto

Bolsonaristas já dão como certa e irreversível a derrota nas urnas, mas estão longe de admitir que essa previsão signifique aceitar o pacto eleitoral; ao contrário: os sinais são os de uma crescente conspiração que, a pretexto de preservar a Constituição, com o apoio militar, de parte do congresso, com o apelo ao empresariado e à mídia conservadora e com a exaltação evangélica nas ruas, faltem condições para que o pleito de outubro se realize... 

É possível que essa conjunção de variáveis conspiratórias esteja mesmo acontecendo? A resposta é muito complicada e talvez seja mesmo especulativa, mas alguns fatos precisam ser referidos na análise da conjuntura que estamos vivendo. O primeiro deles me parece ser a constatação de que nem Bolsonaro nem as facções que o apoiam têm qualquer respeito pela democracia, fato que já ficou demonstrado tanto em 2018 quanto ao longo de todo o governo. Aqui, estamos diante de uma convicção doutrinária do fascismo: as eleições não conferem legitimidade ao eleito, de tal forma que nem mesmo a 'vitória' de Bolsonaro no pleito de 18 é vista como sinônimo definitivo da legalidade de seu governo.

O segundo indício é o do estreitamento das bases sociais de apoio ao bolsonarismo, fato que se traduz nessa liquidação geral de recursos públicos em busca de uma reversão das pesquisas. A essa altura, o descontrole da economia, o crescimento dos níveis de pobreza e de marginalidade social, a ausência de projetos mínimos para sair da crise em que o próprio projeto Guedes nos meteu, esses fatos são de tal forma desastrosos que não há qualquer sinal de que auxílios emergenciais, antecipação de 13o ou saques do FGTS sejam eficientes na mudança de humor do eleitorado, esse mesmo eleitorado que vai confrontar o ex-capitão com o carisma e o histórico de Lula.

Por último, o confronto com o STF. A decisão do ministro Alexandre de Moraes contra o Telegram e a reação desesperada de Bolsonaro, indica que o esquema das fake news assumiu importância vital na propaganda e na mobilização fascista, fato que foi visto por Moraes como uma violação da legislação brasileira; mais que isso: como uma violação da soberania nacional. O ex-capitão não perdeu tempo e vaticinou: a decisão confronta a Constituição e pode provocar mortes. Mortes? O que é que Bolsonaro sabe a respeito disso?

A legislação atual retarda o início dos comícios, mas talvez sejam eles - a partir de maio - que possam por contra a parede a aventura golpista de Bolsonaro... 

Leituras sugeridas: * Bolsonaro classifica bloqueio do Telegram como inadmissível (Uol) * General, ex-porta voz de Bolsonaro diz que não vota mais nele (Uol) * O risco de Bolsonaro melar a eleição é real, diz Flávio Dino (Tab). 

Nenhum comentário: