Temer mente e mídia golpista constrói personalidade que não existe

Caso assuma governo, Michel Temer terá que desarmar armadilha fiscal


Esse ar enrijecido de Temer é o quê?
Dor as costas, medo de desmanchar o cabelo,
e tropeçar em alguma coisa ou é
insegurança mesmo?
Essa é a manchete principal do portal do Estadão à 9h30 de hoje, sábado, 23 de abril (leia a matéria aqui). É uma teia discursiva complicada porque traduz um sentimento que vai tomando conta de um número cada vez maior de golpistas: e se Temer não assumir? A julgar pelo crescente sentimento de indignação que se espalha pelo Brasil e pelo mundo, a chance de que o articulador do golpe fique a ver navios é bem grande. Portanto, o condicional posto no texto parecer ser o único vínculo da matéria com a realidade. O resto, não. O resto ou é invenção do jornal (que tem se desdobrado até perder o fôlego na tentativa de legitimar como aspirante ao cargo de Presidente um dos piores caracteres da República) ou é mentira do próprio Temer. Por que mentira?

Bem, em primeiro lugar porque Temer não entende nada de política fiscal e quando menciona o assunto joga para a parcela da opinião pública nacional que vê nos impostos a razão de suas dificuldades financeiras. Na verdade, se há uma armadilha fiscal - e é possível que ela exista - a responsabilidade por ela é dos empresários que acabaram esvaziando o sistema de arrecadação do Estado em benefício dos privilégios da desoneração que foi posta em prática, equivocamente, tanto na gestão Lula quanto na gestão Dilma. Se pretender desarmar essa armadilha, Temer terá que se entender com o facínora Paulo Skaf cujo mote conspirador vem justamente da redução de impostos.

Mas é possível também que Temer pense em desarmar a "armadilha fiscal" com a extinção dos programas sociais. Se pretende fazer isso - ou se apenas pensa em fazer isso - o conspirador esconde da população, em especial a população de baixa renda, o principal crime que o setor empresarial do golpismo reivindica. De uma ou de outra forma, não sabendo exatamente o que vai fazer, as mensagens de Temer para o seu reduzido grupo de apoio têm que ser ressignificadas o tempo todo antes que comece a surgir a pergunta que não quer calar: quem é esse cara que vamos colocar na Presidência, de onde ele saiu, quando é que ele vai cobrar para ficar lá sentado?

A pergunta procede: uma rede de televisão pensou em lançar um programa dominical para concorrer com o Faustão, uma espécie de gincana tipo quiz, no qual os participantes teriam que responder à seguinte pergunta, com a devida comprovação da resposta: você sabe de alguma coisa que o Michel Temer tenha feito de útil durante toda a sua vida pública? Os organizadores do concurso, contudo, já adiantaram que não valem os anos em que Michel Temer viveu à sombra do poder, rastejando pelas migalhas das mordomias e pela pompa dos cargos meramente ornamentais que ocupou. O programa só não vingou porque os que o propuseram chegaram a conclusão de que não haveria vencedores.

Seja como for, o pior dos cenários começa a se desenhar: os indícios de que Temer deve muitas explicações à operação Lava Jato: * Do TSE à Lava Jato, o que há contra Temer (Nexo) * Temer é citado em proposta de delação (Época).

Leia mais: * Turma do Direito vai ao poder com Temer (Estadão).
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