sexta-feira, 27 de setembro de 2019

A revolução da sucata

A desindustrialização brasileira e a desigualdade social. Os 5% mais ricos detêm a mesma fatia de renda que 95% da população

Capitalismo brasileiro transformou-se num sistema parasitário e sucateado. Liderada por uma burguesia atrasada que vive às custas da exorbitante concentração da renda, a economia ncacional virou um apêndice dos interesses internacionais e uma bomba-relógio de tensões sociais pronta a explodir

Entrevista com Marcio Pochmann
Por Patrícia Facchin, do IHU
A lenta recuperação da economia brasileira indica que o país “passa pela mais grave crise desde a década de 1880” e a renda per capita do ano de 2019 é “quase 9% menor ao do mesmo ano de 2014”, quando iniciou a recessão econômica, diz o economista Márcio Pochmann à IHU On-Line. Apesar de a renda nacional não ter aumentado nos últimos anos, “a riqueza dos já muito ricos segue aumentando, uma vez que o ônus de toda a crise tem sido repassado para a classe trabalhadora. Em 2018, por exemplo, enquanto o PIB teria variado 1,1%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, os ganhos financeiros foram multiplicados por mais de sete vezes”, menciona. E acrescenta: “Neste primeiro ano do governo Bolsonaro, o Brasil fecha a primeira década perdida em termos econômicos do século XXI. Nos últimos 40 anos, o país acumula duas décadas perdidas”.
Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, o economista reflete sobre o processo de desindustrialização da economia brasileira e sobre a inserção do país na revolução tecnológica. “A industrialização é a coluna vertebral de um país desenvolvido. Com a precoce desindustrialização brasileira, o Brasil regride à condição da procissão dos milagres descritos por Sergio Buarque de Holanda no seu livro a “Visão do Paraíso”, que predominou entre o início da colonização lusitana (1500) e o final da República Velha (1889-1930). Ou seja, a dependência do exterior determina o tipo de produção interna que deve ser fomentada para a exportação, conforme demonstraram os anteriores ciclos econômicos do açúcar, ouro, borracha, café e agora dos bens do agronegócio assentados na exploração dos recursos naturais e mão de obra barata”, avalia (continue a leitura)
Leia também
* Nogueira Batista expõe os vira-latas brasileiros (Outras Palavras)Economista explica como autoridades norte-americanas encontram na elite brasileira um aliado para desestabilizar autonomia do país. Como a nação regrediu: de protagonista dos “emergentes” à submissão – e quais os riscos à nossa soberania
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terça-feira, 24 de setembro de 2019

O Brasil na ONU... com Bolsonaro


A íntegra do discurso de Bolsonaro na ONU (via Opera Mundi)

Naquele que pode ter sido um dos maiores reveses da diplomacia brasileira no cenário internacional, Bolsonaro abriu a reunião anual das Nações Unidas abraçando temas rejeitados no mundo todo, exceto por Trump. Inábil como é, cercado de ministros e assessores tão grosseiros e despreparados como ele, o presidente brasileiro, pode ter posto a perder toda a estratégia de uma política externa tradicionalmente voltada à defesa dos interesses nacionais e da soberania dos povos, substituindo-a pela agressão ao meio ambiente, ao multiculturalismo, à paz e à democracia. Bolsonaro transmitiu para o mundo a ofensa que tem cometido contra os brasileiros. 


* O discurso afinado de Bolsonaro e Trump (DW* O mundo cada vez menor de Bolsonaro (PiauíLula fará queixa na ONU e dirá que Bolsonaro violou seus direitos (Uol* Na fala de Bolsonaro, um Mussolini de arrabalde (Outras Palavras* Como o mundo viu o discurso de Bolsonaro (Uol* Arrogante, cheio de bile, desastroso: me dá pena do Brasil, diz repórter (The Guardian* Como o meio político reagiu? (G1* Vergonha, má fé, agressividade: entidades protestam contra discurso de Bolsonaro (G1* Para setores do agro-negócio, discurso esclareceu equívocos e não deve pejudicar exportações (G1

Quem é Ysani Kalapalo?



16 caciques repudiam Ysani (G1* Você envenena o planeta e semeia a morte (Leonardo Boff, JB) * ONGs criticam Bolsonaro e chamam seu discurso de 'farsa(Jornal do Brasil) O que pensa Raoni (G1) * Indígenas reagem ao discurso de Bolsonaro (G1)

* Discurso na ONU oficializa insignificância de Bolsonaro para o resto do mundo (Tiago Barbosa, GGN* Na ONU, Bolsonaro ressuscita Guerra Fria, queima pontos e isola o Brasil (Sakamoto, Uol* Bolsonaro joga para a plateia (Folha* Bolsonaro perdeu uma das últimas oportunidades de ser respeitado (Jamil Chade, Uol* Bolsonaro fala para a extrema direita global (Gilberto Maringoni, GGN) * Falsa e desastrosa, fala de Bolsonaro na ONU só piora imagem do Brasil (Kennedy Alencar) * Um presidente preso em seu labirinto (César Felício, Valor, em cópia pdf* Bolsonaro na ONU, mentiras e exageros do presidente (Agência Lupa, Piauí) * Bolsonaro na ONU: radicalização à direita, ataques a países e presidentes e anúncio de ações anti-indígenas (RBA* Jair Bolsonaro foi Jair Bolsonaro na ONU (Diogo Schelp, Uol)
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As expectativas antes do discurso

* Bolsonaro é aconselhado a "vender" agenda de reformas ambiciosas (Folha
* Bolsonaro abre assembleia agitada por novo escândalo de Trump (El País* O discurso que não será lido por Bolsonaro (InterceptBolsonaro chega à ONU na defensiva e usa colar indígena na visita a NY (UolProtestos marcam chegada do presidente Brasileiro (Uol* Caciques de 14 povos do Xingu protestam contra indígena convidada por Bolsonaro para ir à ONU (Globo) * Sem votos suficientes, Brasil cede na ONU em resolução sobre Venezuela (Jamil Chade, UolGreta Thunberg denuncia Brasil e mais quatro países na ONU (Uol* Ágatha, Raoni e Marielle: a realidade que ameaça abafar a voz de Bolsonaro na ONU 
 (El País* Bolsonaro na ONU: grande fiasco anunciado (Tereza Cruvinel, 247) * A garota, o fascista e o futuro (Outras Palavras)
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O tempo da dignidade na política externa brasileira

O que está em jogo no retrocesso da política externa brasileira

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domingo, 15 de setembro de 2019

Afronta à Constituição

"A LIBERDADE DE EXPRESSÃO NÃO CABE NA ATIVIDADE DO MAGISTÉRIO"

Benedito: mãos melífluas e impropérios
a serviço do obscurantismo
A possível indicação do chefe do MPF de Goiás, procurador Ailton Benedito, para integrar a equipe de Augusto Aras na PGR, talvez deva ser festejada como o resultado do tortuoso caminho que a mais sórdida corrente de opinião que circula entre os brasileiros percorreu até chegar onde chegou. 

Comprova isso a coleção das abjetas afirmações que fez na entrevista publicada na Folha de S.Paulo deste domingo (leia aqui), na verdade um amontado de infâmias de inspiração totalitária e desprovidas do descortino que deve orientar a ação de alguém que vai exercer o cargo voltado para os interesses públicos e não para uma disputa ideológica para a qual ele próprio mostra-se mais raivoso que preparado.

Além disso, Benedito comete um crime que o impede de exercer o cargo: prega abertamente a desobediência à Constituição, justamente quem, pelas funções que talvez ocupe, deveria se preocupar em defendê-la.

Leitura indispensável: * Ideologia de gênero (Drauzio Varella, Folha - link alternativo) * A arte de mobilizar pelo pânico moral (Outras Palavras)
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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Destinos

A virtude da tolerância e os riscos da omissão

Pedro Cafardo
Valor Econômico (11/09/19)

Quem já conseguiu atravessar as 1.200 páginas da edição condensada da monumental obra de Winston Churchill denominada "Memórias da Segunda Guerra Mundial" pôde notar a decepção do autor com o fracasso das democracias europeias por ter permitido aquela absurda matança do século XX. Cerca de 60 milhões de pessoas morreram durante a guerra, sendo 8% da população da Alemanha e 14% dos habitantes da então União Soviética.

Churchill, que foi primeiro-ministro do Reino Unido durante a guerra, confessa que teria sido extremamente fácil evitar aquela tragédia. Observa que a maldade dos perversos foi reforçada pela fraqueza dos virtuosos; que as recomendações de prudência e continência se transformaram nos principais agentes de um perigo mortal; que o meio-termo adotado em função de desejos de segurança e de uma vida tranquila conduziu ao desastre. Quando Churchill expõe essas ideias, está falando claramente de omissão. Está dizendo que se pode pagar muito caro por omissões e que elas muitas vezes são mortais (continue a leitura)

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quinta-feira, 5 de setembro de 2019

#Dia7EuVouDePreto

Bolsonaro é a pior coisa que aconteceu na nossa história: um produto fabricado pela elite brasileira com o apoio do imperialismo que chegou ao governo com o claro objetivo de destruir direitos e restringir todas as liberdades democráticas na continuidade do golpe que destituiu Dilma Rousseff

Quem é que apoia a calamidade brasileira e tira proveito dela?

Uma galeria bastante incompleta dos anônimos e silenciosos braços de sustentação de Bolsonaro: os refinados representantes do capital, dispostos a ver o país afundar na irracionalidade fascista e em deserto de direitos sociais e trabalhistas desde que reforcem seus privilégios de renda e poder. É deles que vem o suporte e o apoio para essa cloaca em que Brasil se transformou

Abaixo, dois artigos que dão conta dessa conspiração permanente que Brasil vive desde 2013:

* Em meio à crise nasce um novo regime. Brasílio Sallum Jr (Estadão, 22 de agosto de 2019) 

* O bebê de Rosemary: sobre um artigo de Brasílio Sallum Jr. Sebastião Velasco e Cruz e Andrei Kroener (Carta Maior, 2 de setembro de 2019).


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sexta-feira, 16 de agosto de 2019

A liberdade dos empresários e a exuberância do capitalismo brasileiro

Medida Provisória da Liberdade Econômica consagra um Brasil socialmente miserável e profundamente desigual: obra prima de um empresariado parasita e atrasado e de um governo que sacramenta a condição que nos amarra ao subdesenvolvimento da modernidade periférica

Não deixe de ler: * Medida Provisória do Estado anarcocapitalista (Maria Cristina Fernandes, Valor em cópia pdf) * Como sair da perplexia e da perplexia em tempos de fascismo neoliberal (Francisco Fonseca, Carta Maior) * Assim arma-se a próxima crise financeira (Outras Palavras).

Assista aos vídeos da Associação Juízes para a Democracia sobre o impacto que a MP 881 terá sobre a vida dos trabalhadores: 
Episódio 1/Episódio 2/Episódio 3
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segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Bolsonarismo avança sobre o Estado Democrático de Direito

A imagem clássica da submissão do Poder Judiciário alemão ao nazismo: o gesto da saudação a Hitler representava a destruição das garantias individuais e o primado do poder absoluto do Estado sobre a sociedade: sempre foi essa a racionalidade das ditaduras. No Brasil não está sendo diferente

Em meio às revelações que vem fazendo sobre a manipulação feita por procuradores e juízes da Lava Jato em torno dos seus desafetos políticos, uma me pareceu a mais representativa da violência que Bolsonaro e seus seguidores praticam contra a ordem jurídica do país: a desconstitucionalização sorrateira do cotidiano dos brasileiros. uma espécie de nuvem difusa e desestruturadora das garantias consagradas no Estado Democrático de Direito.

Na Alemanha nazista - tal como aqui - esse processo começou com a idealização de uma nova ordem já em 1934 com a investida feita pelo Partido Nacional Socialista contra os juízes, submetendo-os à orientação do Hitler ou segregando-os. A favor da intenção totalitária operava a formação conservadora da maioria do corpo de magistrados do país que, em nome da segurança do Estado, dobrava-se à obsessão totalitária.

No Brasil, naturalmente guardadas as proporções, o que está ocorrendo é semelhante: Bolsonaro alardeia a necessidade de destravar a constitucionalidade de sua contaminação ideológica de esquerda, mas em nome disso contrai o poder disciplinador da Lei em relação à arbitrariedade do Estado e à relativização dos direitos sociais e individuais. Posso estar enganado, mas é sobre essa base que a Constituição de 1988 foi construída e é por isso que nossa Carta Magna é considerada a mais avançada das constituições do mundo contemporâneo.

O resultado dessa subversão - que flexibiliza o estatuto da cidadania em todas as suas dimensões - já se vê por toda a parte e, quase sempre, sob o olhar complacente de um Poder Judiciário que abdicou do sua função normativa e garantidora do Estado de Direito. Penso que reside nessa configuração - contra a qual a resistência é cada vez mais acanhada e temerária - a construção fundamental de um novo tipo de ditadura - aquela que se faz pelo desuso dos princípios fundamentais da Constituição e pela observância da lei menor, insidiosa e sutil na demarcação de uma ordem voltada para a preservação dos interesses das elites que nos trouxeram a esta conjuntura.

Sugiro as leituras lincadas abaixo:

* 1934: regime nazista começou a intervir na Justiça (DW) * A indecente perseguição a Lula (Carta Maior) * A nova comissão sobre mortos e desaparecidos (Folha de S. Paulo) * Sob Bolsonaro, comissão de anistia muda critérios e vítima vira terrorista (Uol) * Lava Lato: Dallagnol se articulava com movimentos de extrema direita (Carta Capital) * Bolsonaro e a proposta radical de criar uma sociedade compatível com o capitalismo neoliberal (IHU) * Se não houver reação forte da sociedade, cenário tende a se agravar (Sul21) * Lava Jato investigou ilegalmente ministros do STF (Carta Capital) * Carta de Paris: apologia do terrorismo de Estado (Carta Maior) * Favorito para PGR elogia Bolsonaro e anuncia equipe com conservadores (Folha) * Em uma sociedade totalitária, tudo fica sem rosto (Roger Scruton, Fronteiras do Pensamento) * O mito ideológico já briga a socos, até em sala de aula (IHU) * Família Bolsonaro quer um engavetador-geral de estimação para comandar o ministério público (Intercept).

Dossiês do blog: * Bolsonarianas * Lava Jato: conspiração contra o Brasil.
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sábado, 3 de agosto de 2019

Contra Bolsonaro e seus simpatizantes, em defesa do Brasil

Manifesto do DIAP em defesa dos interesses da sociedade brasileira
É hora de pacificar o País e construir soluções de interesse da maioria e não estimular esse comportamento insano de desconstrução/destruição das conquistas econômicas, sociais e culturais do Brasil.
Antônio Augusto de Queiroz
As forças políticas que defendem o interesse coletivo, a solidariedade, os direitos humanos e o meio ambiente, as relações de trabalho civilizadas e o respeito às liberdades, precisam urgentemente ampliar suas relações para os setores moderados, rompendo o isolamento em que se encontram na atual conjuntura brasileira.
O processo de discussão e votação da reforma da Previdência deixou evidente que sem o concurso das forças de centro, que se apropriaram de algumas das bandeiras dos partidos de oposição no âmbito do Parlamento, teria sido praticamente impossível retirar aspectos perversos da reforma, como o caso da capitalização, do BPC, dos trabalhadores rurais, do aumento automático da idade mínima, entre outros.

Nesse contexto, os partidos políticos, os movimentos sociais e culturais, que se articulam no campo da esquerda e centro-esquerda, precisam urgentemente romper a bolha, abrir mão da obsessão de hegemonismo e ampliar relações com os setores de centro, formando frentes amplas em defesa dos interesses do País e do povo, sob pena de enorme retrocesso civilizatório (continue a leitura).

Outras leituras: Não houve eleição e não há presidente (Vladimir Safatle, El País)
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terça-feira, 30 de julho de 2019

Bolsonaro: um psicopata ad hoc na Presidência da República

Laerte, na Folha de S. Paulo
Não chegou a 1'30'' a cena que exibiu para o Brasil e para o mundo o caráter criminoso do então deputado federal Jair Bolsonaro: o exato momento em que, ao justificar seu voto favorável ao afastamento da presidente da República na sessão da Câmara que consagrou o golpe do impeachment, o ex-capitão faz a apologia da morte na figura de Brilhante Ustra, o homem que comandava as sessões diabólicas de tortura no DOI-CODI de São Paulo (assista aqui).

Depois disso, foi o que se viu: um aprofundamento sinuoso e traiçoeiro da ruptura institucional patrocinada pela mais sórdida campanha ideológica de que se tem notícia na história brasileira: um complexo de poderes - no campo da "grande" mídia, no Judiciário, do Congresso, entre os empresários e banqueiros e do próprio imperialismo, empenhados todos em transformar as eleições de 2018 na fraude que levou o próprio Bolsonaro à presidência, certamente o mais desqualificado dos brasileiros para ocupar o cargo - moral e intelectualmente -, mas disponível para o serviço sujo que trouxe o Brasil à miserável condição em que se encontra hoje: um país sem rumo, privado de direitos sociais, de soberania externa e de dignidade constitucional. Nenhum de seus eleitores e apoiadores pode, por isso, dizer-se surpreendido.

O desprezo de Bolsonaro pelos direitos humanos, pedra de toque do processo de redemocratização do período 1985-1989, não é, portanto, a consequência de uma falha de caráter individual do ex-capitão; alguma coisa passageira que vai terminar junto com seu mandato. O desprezo dele pelos direitos humanos, pela democracia, pelas liberdades fundamentais de uma sociedade complexa como a nossa, a erradicação dos direitos sociais, tudo isso é um projeto dos grupos que o levaram ao cargo que comprou nas eleições do ano passado. 

Bolsonaro é a síntese desse projeto: na sua rusticidade ele o verbaliza, mas torce por ele todo o espectro neoconservador que se formou no Brasil ao seu redor. São hipócritas aqueles que dizem que Bolsonaro é um mal-necessário para que se façam as "reformas", para que se extirpe a "corrupção", para que se inaugure uma "nova política" interna e externa. Bolsonaro não é nada disso, senão a consagração de uma hegemonia burguesa que nunca foi muito menos que a promotora do país que ostenta os maiores índices de pobreza do mundo, o menor nível de crescimento do mundo, um projeto de Educação falido e uma soberania internacional que beira a nulidade. Um país onde as classes dominantes deixam atrás de si uma fieira de ossos, aida que se utilizem do estúpido Bolsonaro para isso... como insinua a magistral - e emotiva - charge de Laerte.

Sugiro a leitura destas matérias: * Quem são esses caras? Tortura nunca mais (André Singer, via jsfaro.net) * Se o presidente da OAB quisar saber como o pai dele desapareceu, eu conto pra ele (O Globo) * Bolsonaro diz que militantes de esquerda e não militares mataram o pai do presidente da OAB (O Globo) * Nota de repúdio às declarações do Presidente da República (OAB)* Bolsonaro se apequena ao dizer que sabe como se matava e torturava na ditadura (El País) * Jair Bolsonaro, o psicopata (Lucia Helena Issa, GGN) * Um caso de saúde mental ou cumplicidade (IHU) * Janaína Paschoal questiona sanidade mental de Bolsonaro (Congresso em Foco) * Não é mais caso de impeachment, mas de interdição (Miguel Reale Jr, 247) * Doria chama de "inaceitável" declaração de Bolsonaro (Folha) * Absurdo inaceitável, diz Covas (Folha) * Com aval da elite, Bolsonaro transforma mentira em tática (Carta Capital) * Jair Bolsonaro perpetua opressões com sua tática destrutiva (CC) * Falas de Bolsonaro podem indicar crimes de responsabilidade (Uol) * Família vai à PGR cobrar explicações (Folha) * Comissão de mortos e desaparecidos vai pedir explicações (Folha) * Nem na ditadura presidentes elogiavam tortura (Rede Brasil Atual).
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terça-feira, 23 de julho de 2019

O preço da conciliação (via Intercept)

DA ESPERANÇA AO ÓDIO: COMO A INCLUSÃO PELO CONSUMO DA ERA LULA ATIÇOU O RECALQUE NAS ELITES

Tuca Vieira/Folhapress
Vista do bairro Morumbi, em São Paulo (SP), mostra apartamentos de luxo que fazem divisa com a favela de Paraisópolis. Foto de 2004 faz parte da Coleção Pirelli/Masp

Convivência promíscua esteve muito longe de ser um problema arquitetônico ou de urbanismo; refletiiu antes um projeto político de convivência conciliadora, atenuante de contradições radicais, metodologia assumida pela governabilidade petista. A matéria de Rosana Pinheiro Machado para o Intercept revela a contradição política que isso representou: uma democracia que em sua promessa gera o seu contrário
Morador de um beco na periferia de Porto Alegre, Zeca, 52 anos, vivia pedindo dinheiro para comprar leite Ninho para sua filha com necessidades especiais. Em 2015, quando ele ganhou uma boa grana de um processo na justiça, a questão do leite parecia finalmente estar resolvida. Mas não. Ele foi direto a um shopping e gastou todo valor em um tênis marca, deixando muita gente perplexa. Assim ele explicou: 
Todo mundo se comove com minha filha, e leite não vai faltar. Mas ninguém se importou comigo quando quase morri de frio na fila do posto tentando interná-la, quando sou perseguido pelos guardas de shopping como se fosse ladrão só porque sou pobre. Eu tenho direito a ter coisa boa também. Agora que eu comprei as roupas à vista, me respeitam. Volto no shopping sempre que posso só para passar na frente da loja e ver os vendedores dizer: “OI, SENHOR ZECA!”. Eles dizem meu nome.
A história de Zeca é comum a grande parte da população brasileira que teve o sentido de suas vidas alterado com a inclusão pelo consumo da era Lula. Esta coluna traz alguns resultados e histórias de uma pesquisa de campo sobre consumo popular e política feita durante uma década (2009-2019), em parceria com a antropóloga Lucia Scalco. Nosso interlocutor de pesquisa queria sentir o efêmero prazer e poder proporcionado pela compra de um objeto de status. Mais do que isso, ao dizer que era chamado pelo nome pelo vendedor da loja, ele estava reivindicando sua própria existência numa sociedade capitalista, marcada pela exclusão (continue a leitura)

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Para Castells, Brasil vive a ditadura orwelliana: ocupar as mentes

Manuel Castells
O Brasil vive, desde a eleição de Jair Bolsonaro, um novo tipo de ditadura. Nela, “as instituições estão preservadas, mas se manipulam tanto por poderes econômicos, quanto por poderes ideológicos.” Como os regimes autoritários já não ocorrem mais com golpes e tanques nas ruas, o que temos é uma “ditadura Orwelliana, de ocupar as mentes.” É o que afirma o pensador Manuel Castells em entrevista divulgada pelo jornal O Globo nesta terça (17).
“O Brasil, nesse momento, perdeu a influência da Igreja Católica que foi muito tradicional durante muito tempo na História, mas ganhou algo muito pior que são as igrejas evangélicas, para quem claramente não importa a ciência e a educação, porque quanto mais educadas e informadas estejam as pessoas, mais capacidade terão de resistir à doutrinação. O mesmo acontece com o presidente (Bolsonaro) e com o regime que está instalando. Não se pode fazer uma ditadura antiga, que se imponha com o exército, mas uma ditadura Orwelliana, de ocupar as mentes”, disse (leia aqui a matéria de O Globo, via GGN)
Leia também: * Inebriados pelo poder, militares avalizam liquidação do Brasil (Carta CapitalSociedade está sob anestesia (Alessandro Molon, Folha) * A necropolítica como regime de governo (Débora Diniz, IHU) * A fraqueza da ilusão democrática (Jones Manuel, Boitempo) * Divino Amor: a hipocrisia do Brasil evangélico de Bolsonaro (Intercept).
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quarta-feira, 17 de julho de 2019

Future-se: sentença de morte para a Universidade

Um programa destinado a acabar com a Universidade
Para Daniel Cara, insistência do tolo Weintraub em afirmar que o programa não vai aumentar a desigualdade esconde a certeza de que é isso mesmo o que vai acontecer. Da mesma forma como atua em outros setores, governo Bolsonaro é predatório e anti-social também com a proposta de privatizar a Universidade Pública

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quinta-feira, 11 de julho de 2019

Aprovada a reforma da Previdência, Brasil se prepara para selvageria social inédita na sua história

 A quem interessa aumentar a desigualdade?

Thomas Pikkety, Valor Econômico

Se o objetivo for mesmo combater privilégios e reduzir desigualdades, a proposta deveria, explicar em detalhe as projeções que justificam atrasar e até inviabilizar a aposentadoria de milhões de brasileiros pobres (continue a leitura)
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quarta-feira, 10 de julho de 2019

Luiz Gonzaga Belluzzo: as 7 vidas do capitalismo

O 'velho capitalismo' e seu fôlego para a dominação do tempo e do espaço(João Vitor Santos. do IHU, entrevista Luiz Gonzaga Belluzzo)

plasticidade do capitalismo permite que ele assuma o espírito do tempo e, com isso, vá se transmutando e se tornando senhor do tempo e do espaço. “O velho capitalismo reconciliou-se com sua natureza inquieta e criativa. Tão inquieta e criativa que rapidamente transmutou a concorrência perfeita em concorrência monopolista”, observa o economista Luiz Gonzaga Belluzzo. Se antes o capitalismo era ruim, ao menos gerava recursos para o Estado, podendo se pensar um Estado de bem-estar a partir de suas bases. No entanto, agora se faz ainda mais perverso pela perspectiva individualista que assume. “Livre, leve e solto em seu peculiar dinamismo, amparado em suas engrenagens tecnológicas e financeiras, o ‘Velho Cap’ promoveu e promove a aceleração do tempo e o encolhimento do espaço. Esses fenômenos gêmeos podem ser observados na globalização, na financeirização e nos processos de produção da indústria 4.0”, acrescenta.
Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-LineBelluzzo analisa essa “nova fase da digitalização da manufatura”, que, na visão dele, “é conduzida pelo aumento do volume de dados, ampliação do poder computacional e conectividade, a emergência de capacidades analíticas aplicadas aos negócios, novas formas de interação entre homem e máquina, e melhorias na transferência de instruções digitais para o mundo físico, como a robótica avançada e impressoras 3D”.

Na sua perspectiva, ter consciência dessa potência do capital pode ser um primeiro passo para a tomada de consciência da necessidade de transformação, de concepção de outros paradigmas. “É preciso intensificar o esforço no trabalho na busca do improvável equilíbrio entre a incessante multiplicação das necessidades e os meios necessários para satisfazê-las, buscar novas emoções, cultivar a angústia porque é impossível ganhar a paz”, sugere. E por isso passa, até mesmo, a concepção de outras matrizes de pensamento econômico, pois, como observa, “os fâmulos da ciência econômica se entregam à farsa pseudocientífica dos modelos engalanados por matemática de segunda classe”, resignando a ciência econômica a uma racionalidade que a engessa e concebe um único caminho (leia a íntegra da entrevista de Belluzzo no Caderno Ideias do IHU).
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Ecos do confinamento

A entrevista feita com Lula pelo Sul 21 
(acesse aqui)
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quarta-feira, 3 de julho de 2019

sexta-feira, 28 de junho de 2019

O papel ridículo do Brasil na reunião do G-20 no Japão

O rato que ruge, a paródia anglo-estadunidense dirigida por Jack Arnold em 1959: um país falido que tenta invadir os Estados Unidos 

Sob o "comando" de Bolsonaro, o Brasil dá vexame na reunião do G-20 e amplia seu isolamento internacional: ostentamos o pior desempenho econômico, temos a mais grave concentração a renda, o governo patrocina políticas ambientais predatórias, pregamos o armamento da população e o presidente é defensor da tortura. Merecemos o desprezo do mundo todo.

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