domingo, 24 de novembro de 2013

A hora da verdade para os bancos, para o governo e para o STF

Um sistema parasitário de apropriação da riqueza social...

O governo brasileiro está prestes a dar talvez a demonstração definitiva de sua subserviência aos interesses privados com essa história de pressionar o STF a julgar favoravelmente aos bancos nas ações que cobram deles as diferenças da correção monetária da poupança nas décadas de 80 e 90. O caso é de uma clareza exemplar: em decorrência dos planos econômicos aplicados à época em nome do combate à inflação, os poupadores deixaram de receber os percentuais de ajuste de suas economias - valores que foram apropriados ilegalmente pelos bancos.

Agora, na reta final do julgamento das ações que cobram a aplicação dos índices corretos da atualização monetária que deveria ter ocorrido, esses mesmos bancos pressionam o governo para que evite uma decisão desfavorável no Supremo Tribunal Federal e assim fiquem livres de pagar aos cidadãos prejudicados alguma coisa em torno de 150 bilhões de reais...

O governo, como sempre tem acontecido em situações de confronto entre os interesses sociais e os interesses privados, fica com estes últimos sob a alegação de que uma condenação dessa ordem de valores não apenas colocaria em risco algumas instituições; ameaçaria também todo o funcionamento do sistema financeiro nacional. Para evitar isso, sem qualquer prurido, os funcionários da área econômica (com o ministro Mantega à frente) acabaram se tornando verdadeiros lobistas e buscam reverter uma condenação dos bancos no STF que já é dada como certa. De peito cheio pela repercussão conservadora que as sentenças sobre o mensalão tiveram, os ministros parecem dispostos a radicalizar. É uma hora da verdade que chega pra todo mundo, mas em especial para o parasitário capital financeiro que faz o que bem entende para aumentar seus lucros.

É ver para crer. O STF é que precisa colocar em prática a máxima segundo a qual não julga sob pressão. Aparentemente agiu assim no caso do mensalão e eventualmente jogou para a plateia com o rigor com que puniu algumas personalidades da política brasileira que entraram na mira da grande mídia conservadora. No caso dos bancos é o oposto, embora o escândalo tenha dimensões materiais muito maiores. A subtração deliberada da correção das cadernetas de poupança e a apropriação indevida dos valores devidos aos poupadores faz lembrar a ironia com Bertold Brecht se referia aos bancos: pior que assaltar um, só mesmo fundando um deles.
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