sábado, 28 de fevereiro de 2015

Leite derramado...

... e tempo difícil na rota do ministro Levy: a fação do empresariado pensou que a austeridade não era com ela e que a farra do boi com a apropriação dos recursos públicos iria continuar pra sempre. Parece que se enganou...

O título da postagem não tem nada a ver com o livro do Chico Buarque. Tem a ver com essa cara de pau com que a chamada "área econômica do governo" assume agora o tremendo erro que tem sido a política de desoneração das empresas - na folha de pagamentos ou em qualquer outro segmento contábil onde o privilégio foi implementado na ilusão de que, com menos impostos, os empresários não só manteriam a oferta de empregos como também ampliariam seus investimentos.

A coisa veio abertamente à tona ontem com a declaração constrangida do ministro Levy - Corte de imposto custa R$ 25 bi por ano e não protege emprego - em mais uma entrevista coletiva e representa o reconhecimento do caráter criminoso da prática da renúncia fiscal numa economia como a brasileira.

Não dá para levar a sério a ingenuidade com que isso foi feito na gestão Mantega - já que é preciso imaginar um outro empresariado que não o brasileiro para supor que a desoneração tivesse algum efeito positivo na economia. No entanto, supor que o caráter seletivo com que Dilma pretende tratar o assunto - alguns setores com menor ou com nenhuma desoneração e a manutenção do procedimento de forma integral para outros - possa restaurar a integridade da ação fiscal do Estado em benefício da sociedade, continua sendo um equívoco. Aliás, essa a primeira divergência de orientação entre a presidente e seu ministro da Fazenda.

Basta observar a grita geral dos empresários contra a austeridade fiscal para se descobrir quem são os verdadeiros inimigos da recuperação econômica. Na minha opinião, a desoneração tem que ser integralmente revogada - inclusive em setores privilegiados pela renúncia fiscal sob quaisquer outros pretextos (por exemplo, as universidades privadas, as igrejas, os clubes...).

Vale a pena ler as matérias abaixo para ver a contradição vivida pelo governo Dilma mais uma vez: entre o compromisso com a estabilidade fiscal (para a qual Levy foi convocado) e a adulação que a própria presidente promove na direção da facção dos empresários:

 Levy promove desmonte das políticas de Dilma  Dilma diz que fala de Levy sobre desoneração da folha foi "infeliz"  Indústria critica mudança no sistema de desoneração da folha de pagamentos

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