domingo, 11 de setembro de 2016

Substantivos, adjetivos...

Se alguém tem dificuldade em entender como é que se processa a produção de sentidos com a incorporação de atributos a algum termo da língua, é só prestar a atenção na maneira como a mera pronúncia de nomes próprios designa uma qualidade. Há algum tipo de ambiguidade na conotação de nomes como o de Nelson Mandela, de Gandhi, de Luther King? Essa é uma dimensão da linguagem que anda lado a lado com o seu caráter denotativo. 

O comentário vem a propósito da triste recordação do 11 de setembro chileno, data em que a irracionalidade fascista rompeu a democracia naquele país e inaugurou um dos períodos mais sangrentos da América Latina. O fato vem carrega consigo ao longo da História dois nomes próprios: Allende e Pinochet. Alguma dúvida sobre a representação cultural de cada um deles para além de seu sentido estrito? Acontece o mesmo com Hitler, Stálin, de um lado; Guevara, Ho Chi Minh, de outro.

No Brasil temos uma galeria de nomes próprios adjetivados, a maioria deles de forte carga negativa:  Eliseu Padilha, Michel Temer, Collor etc. É uma vingança da História... Eduardo Cunha, por exemplo, ainda que consiga evitar sua cassação, está condenado a ser até o fim dos tempos a adjetivação daquilo que de pior a política brasileira produziu. Os golpistas todos que se cuidem...
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