domingo, 26 de novembro de 2017

A encenação de uma farsa: a candidatura Huck

Luciano Huck pode representar uma última
tentativa de despolitizar
a presidência da República
* Para quem não tem paciência de ler o post inteiro, sugiro apenas o sacrifício de acompanhar a verdadeira xaropada retórico-literária que Huck construiu para explicar sua renúncia à candidatura. Um texto pretensioso, intelectualmente medíocre e inexpressivo que mostra do que o Brasil escapou: No rumo (Folha, 27/11/17) 

* Por qual turbação do espirito grupos politicamente irresponsáveis podem sequer sugerir que um medíocre animador de auditório possa alçar ao nível da realidade a pretensão de ser Presidente de um grande País? Que tipo de cérebro têm pessoas que cogitam de tal disparate? 
Diogo Mainardi acha que Huck é o único candidato que serve para o Brasil, parece que a turma de economistas ultra neoliberais do Partido Novo-Casa das Garças, também têm a mesma opinião, é o candidato natural dos restaurantes da Rua Dias Ferreira e Jardim Botânico. 
Em que mundo real vivem? Em que tipo de cultura politica recolhem ideias? Quais as credenciais para alguém ter a pretensão à Presidência de um grande País? (continue a leitura do texto  de Andre Araújo  publicado no GGN).

O risco que o conservadorismo de bom gosto corre
é o de levar ao Planalto um outro boçal, mas 
se isso
 servir para impedir a eleição de Lula, ora... por que não?

O Brasil está diante de uma das maiores encenações políticas de sua história: a
candidatura do pequeno Luciano Huck à presidência da República nas eleições de 2018. O jogo de cena montado em torno do assunto chega a ser infantil e só permanece na ordem do dia porque a mídia tradicional, envolvida como está desde o golpe com os interesses privados que controlam o governo, transformou Huck em sua criatura, imaginada como a única capaz de diminuir o favoritismo de Lula depois do fracasso em que se transformou o balão de ensaio Doria Jr. 

A análise é delicada e precisa ser feita com cuidado. Em primeiro lugar, o elemento de destaque é a suposta pesquisa feita por um um tal Barômetro Político Estadão-Ipsos, do qual nunca se ouviu falar e cujos resultados foram transformados em título principal do jornal na edição de 23 de novembro: segundo a matéria, entre inúmeras personalidades avaliadas por seu desempenho público - e não político - o animador de auditório atingiu a marca dos 60% de aprovação dos entrevistados, entre elas figuras de absoluta inexpressão ou alguns que foram atingidos pela midiatização dos escândalos recentes da vida brasileira. Na enquete não há uma única pergunta que gire em torno da associação entre a imagem pública do personagem e a eventual predileção de seu nome para a eleição de 2018. O registro da popularidade de Huck, nesse cenário, não se traduz em preferência eleitoral... Tivesse o nome do Papa Francisco sido incluído entre as personalidades da pesquisa e o resultado seria outro... como seria outro o resultado se a pergunta direcionasse a resposta para a opção política do entrevistado.

O que o Estadão fez foi criar uma não-notícia a partir da construção de um significado sobre um fato (uma pesquisa eleitoral) que não ocorreu - um supremo desprezo pela ética jornalística. Na crítica da mídia a criação de uma não-notícia tem tudo a ver com a pós-verdade e com o conceito de fake news, isto é, notícia falsa, uma coisa que não existe transformada em coisa que existe. Na verdade, estamos diante de um evento costurado de forma organizada que envolve artigos em colunas sociais, pequenas notas, dúvidas sobre as intenções efetivas de Huck em se candidatar e, sobre todo esse contexto, a permanência dele em plena campanha eleitoral ilegal no seu programa semanal da Globo). Até mesmo uma primeira pesquisa que aterroriza o leitor sobre os efeitos econômicos de uma possível vitória de Lula compõe a farsa de uma urdidura de gabinete (O lulômetro está de volta, de Bernardo de Mello Franco na Folha). 
Apostas do jornalismo de aluguel
colocam Huck ao lado do que
 há de pior na política brasileira

Penso que é esse o contexto que explica a aventura da ISTOÉ com o número deste fim de semana. A revista opera a síntese de um semanário, mas permite que o analista perceba como esses vários eventos de mídia se associam na capa da publicação (costumeiro espaço dos piores escroques da política brasileira) ao mesmo tempo em que reforça para o leitor uma expectativa em torno da disposição do próprio animador de auditório em se lançar candidato.

Luciano Huck não é um enigma em nenhum sentido: trata-se de uma opção das elites empresariais e do conservadorismo político para evitar a polarização eleitoral representada por Lula, indiscutivelmente o franco favorito para 2018. No bojo dessa articulação, no entanto, há um apelo que seduz segmentos da classe média "de bom gosto", o mesmo segmento que agora não quer Doria  nem pelas costas, mas com pruridos liberais e modernos que o afastam de um apoio à extrema direita (Bolsonaro), da direita evangélica (o Escola sem Partido), da direita corrupta (Aécio) e da direita inquisitorial (MBL), ou seja da direita bagulho (leia em Quem é o grupo que pode lançar Huck à presidência em 2018). O importante é impedir que Lula chegue lá, mas se for possível fazer isso com estilo... melhor.

Difícil mesmo é aguentar o próprio Huck, um garotinho cujas referências políticas e intelectuais não estão muito longe do penúltimo sucesso das séries de Tv. Do ponto de vista da sensibilidade que um candidato a presidente da República num país no fundo do poço para onde foi levado por Temer, o animador das tardes de sábado é um boçal, como asseguram todas as matérias que falam sobre ele ou onde quer que ele próprio tenha deixado algum vestígio verbal. Mas perto das alternativas que se tem, com esse ar apalermado de bom-moço angelical, incompetente para qualquer reflexão que ultrapasse a mera superfície dos fatos, um campeão dos lugares comuns, pensando bem... Huck está ótimo. Se não der certo, pensam os integrantes do grupo Agora, até o Temer serve...

Não deixe de ler outros textos sobre a aventura eleitoral do garotinho da Globo: * No rumo (Luciano Huck, na Folha) * Huck não passa de 11% de intenções de voto: leia em Luciano Huck recebe pesquisas mensais sobre 2018 (Estadão) * Estadão expõe Hulk ao ridículo com fake news sobre pesquisa (blog do Esmael) * Pós-verdade e ignorância histórica (Lira Neto, Folha) * Dossiê Huck: não se deixe enganar nenhuma vez (do blog).
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