terça-feira, 2 de outubro de 2018

Doria nunca mais

EDITORIAL: POR QUE NÃO VOTAR EM DORIA?

Notícias, artigos, textos diversos recolhidos durante seis meses nos veículos de comunicação traçam um perfil desabonador de João Doria Júnior, um personagem disposto a tudo para satisfazer seu sede de poder (confira aqui)








Durante seis meses, um grupo de professores, estudantes e sindicalistas publicou o DOSSIÊ DORIA, um site colaborativo dedicado exclusivamente a reunir o material disponível nas redes sociais e nos meios tradicionais de comunicação sobre o ex-prefeito de São Paulo, João Doria Júnior. O objetivo do dossiê foi o de oferecer à opinião pública um inventário das práticas políticas do atual candidato ao governo do Estado de tal forma que o sistemático disfarce da natureza de seus projetos ficasse evidenciado como instrumento para a deliberação do eleitor. Na opinião dos editores do site, foi esse disfarce, ao lado de uma maré anti-petista construída pela mídia, que tornou possível sua eleição para prefeito em 2016. O resultado foi o que se viu, com efeitos nocivos até hoje na vida da cidade.

Qual é a natureza dos projetos de Doria que precisa ser denunciada? Doria se apresenta à opinião pública como um administrador racional - um "gestor" - do Estado, não um político. Em torno desse paradigma, o ex-prefeito mobiliza o senso comum através de categorias semânticas conservadoras insistentemente presentes em seu discurso: a criminalização das disparidades sociais, a eficácia do privado sobre o público, a necessidade de enxugamento do Estado, a transferência da riqueza do trabalho para o capital, o desprezo pelo indivíduo e por sua humanidade.

Essa pseudo-racionalidade da administração, oculta, na verdade, a despolitização do Estado no pior sentido do termo, isto é, um reducionismo das práticas negociadoras das demandas sociais que constituem a vida na polis, o espaço onde vivemosO resultado, como se pode comprovar pelas desastradas intervenções que Doria promoveu em sua passagem pela prefeitura: cracolândia, atendimento médico, ciclovias, velocidade nas marginais. Em todos esses setores, sob a alegação de que imprimiria a eles a marca da sua promessa, a despolitização "gestora" gerou o caos, o sofrimento, a desumanização.

Há, no entanto, outras questões decorrentes dessas. A primeira delas é a marca personalista, abertamente fascista, de João Doria Jr. Não se trata de um viés patológico circunstancial apenas, mas de um conceito autoritário do governo que se vê como iluminado, nas mãos de um condottiere avesso a qualquer questionamento, como o ex-prefeito deixou claro nos sucessivos enfrentamentos que teve com cidadãos, imprensa etc. Nesse sentido, Doria é uma ameaça à democracia, talvez a pior que já surgiu no país, pior que Jânio Quadros, bem pior que Jair Bolsonaro.

Por último, há uma questão de fundo que esbarra na ética. Doria tem se mostrado um mau caráter de dimensões extraordinárias, um aproveitador de circunstâncias. Aliás, não tem amigos; tem parceiros dos quais quer tirar vantagens sempre que pode. Deixou isso claro nas relações que manteve com seus auxiliares, com seus aliados, com seus próprios eleitores - as maiores vítimas de sua vaidade e ambição. Esse comportamento - que inspira desconfiança dos governados - Doria exibe com toda a plenitude agora nesta campanha de 2018. A quem Doria se manteve fiel? A resposta que puder ser dada a essa pergunta fecha, em nossa opinião, os argumentos que não recomendam o voto em João Doria Jr. 

Abaixo, a íntegra do texto com o qual o DOSSIÊ DORIA foi apresentado ao público e às redes sociais em 5 de abril de 2018. 

Doria? Nunca mais

É difícil acreditar que João Doria Jr. tenha credenciais para ocupar funções públicas. Por seu temperamento e por sua manifesta obsessão pelo poder, ele não nos parece a pessoa certa para lidar com a complexidade da administração do governo em qualquer nível. Como vivemos numa democracia, só só há uma maneira de evitar que ele ocupe uma posição para a qual não se encontra capacitado: avaliar com rigor sua gestão à frente da Prefeitura. Nosso blog colaborativo quer prestar este serviço a São Paulo e ao país: reunir informações já publicadas pela imprensa, organizá-las e divulgá-as amplamente de forma a permitir que os eleitores não errem na hora do voto, como parece ter acontecido  quando escolheram Doria para prefeito de São Paulo em 2016.

______________________________

Nenhum comentário: