terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Bolsonaro reproduz o Brasil que criticou e dá calote nos eleitores

Pantomima dos chinelos pode revelar talento para
a representação, mas o espetáculo tem hora para acabar
Esse jeito aparentemente descolado de Jair Bolsonaro oculta mais despreparo do que descontração, talvez uma dificuldade de ir além da mera percepção linear do que ocorre à sua volta; uma propensão a reduzir tudo ao senso comum das impressões imediatas. Será mesmo assim? 

Penso que não. Acho que estamos diante de uma pantomima pensada como tal, ou seja, ensaiada para aparentar o que de fato não é, dificultando a compreensão da essência do fenômeno que arrebatou os eleitores. Repete-se aqui no Brasil o simulacro de outros ensaios totalitários, felizmente em algum momento descobertos pela opinião pública, causa da ira que se voltou contra eles: Mussolini, Hitler, Franco, Salazar, Stalin e outros.

Até que isso aconteça, a História vai se fazendo à revelia de quem pensa dominá-la, pois que a vida é mais rica e diversa do que os projetos. O escândalo que envolveu o ministro de coisa alguma Bebianno é bem uma demonstração de que o ensaio se baseou num roteiro incompleto: a aberta apropriação do aparato eleitoral e, depois, governamental, em proveito privado, seja pela facção dos filhos ou pelas facções dos empresários, dos integrantes do Judiciário ou do Congresso. No final, em termos alegóricos, aquela massa de lama que escorreu do depósito da Vale em Brumadinho e que avançou sobre casas, pessoas, animais, matas e o diabo, se parece muito com o cerco que os dejetos vão formando ao pé das maiorias que saíram do golpe do impeachment e que até agora não interromperam sua trajetória. 

______________________________

Nenhum comentário: