quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Governar para os banqueiros: a alma de Paulo Guedes

A política monetária do 1%

Os homens que determinam quanto a sociedade pagará aos bancos estão reunidos neste momento. São todos banqueiros, ou seus funcionários. Decidirão transferir bilhões a si próprios - sempre em nome da "responsabilidade fiscal"

Paulo Kliass
Outras Palavras

Durante todos os períodos matutinos e vespertinos, entre a quarta e a quinta-feira, haverá tempo mais do que suficiente para que os onze membros do comitê troquem opiniões e análises a respeito do propósito do encontro. No entanto, a decisão mais aguardada refere-se à definição do patamar da SELIC para a vigência ao longo dos próximos 45 dias. Afinal, essa é uma das atribuições primordiais do COPOM: estabelecer os parâmetros para a política monetária. Dentre os vários instrumentos possíveis para dar cabo dessa tarefa, historicamente sempre se utilizou por aqui o estabelecimento da referência para a taxa oficial de juros.

As sondagens informais realizadas pelos principais órgãos de comunicação junto ao meio financeiro já buscam antecipar o resultado de tal segredo de Polichinelo. E, ao que tudo indica, por mais uma vez o nível da SELIC não será alterado. Ele deverá permanecer nos mesmos 6,5% anuais, tal como foi estabelecido na reunião de março de 2018 e que foi repetido ao longo dos seis encontros subsequentes. Interessante é observar que qualquer manual básico de macroeconomia recomenda que a política monetária seja relaxada em momentos de recessão ou de reduzido crescimento da economia. Na tradução do economês, isso significa que a autoridade monetária deveria reduzir a taxa oficial de juros com o intuito de estimular a atividade econômica de uma forma geral. Em tese, custos financeiros mais baixos induzem a maior investimento e maior consumo (continue a leitura).

Atualizações: * Paulo Guedes e a receita para o atraso (Outras Palavras) * País perde R$ 4,6 bi ao não tributar acionistas do Itaú, do Bradesco e do Santander (GGN) * Plano B de Guedes pode virar Plano A: desindexar o orçamento da União (Cláudia Saffatle, Valor Econômico).

Para entender a dinâmica da concentração bancária - um verdadeiro Estado paralelo ou "um Estado dentro do Estado" - sugiro estas matérias da Folha: * Sem concorrência, de cada R$ 10 depositados, R$ 8,5 ficam só em 5 bancos * Entenda o que é verticalização e como ela afeta juros e preços * A desverticalização está vindo aí Concentração bancária fica fora das prioridades do governo.

Leia também: * FMI manda o recado: "o debate de políticas públicas na América Latina continua girando em torno de temas dos anos 80" (El País) * Dimensão da reforma da Previdência está correta, afirma presidente do Itaú (Folha) * Ninguém quer a reforma da Previdência de Guedes, só as empresa e os bancos (do blog).
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