domingo, 10 de março de 2019

Ford: ataque à soberania nacional

Um século de espoliação do
Brasil 
O Brasil deve ser hoje o país mais vilipendiado no cenário internacional. Nem mesmo aquelas nações que foram palco de guerras que quase aniquilaram sua soberania e identidade em razão de conflitos que as dilaceraram tornaram-se objeto de tamanha depreciação da sua dignidade, como é o nosso caso. O povo brasileiro nem tem culpa nem tem nada a ver com isso. A responsabilidade por nosso desprestígio é das elites empresariais e tecno-burocráticas que perderam o senso de sua responsabilidade nacional e optaram por vender-se a si próprias e ao país como uma forma de assegurar seus interesses privados e sua segurança em aliança com o que há de pior no capitalismo global.

Digo tudo isso a propósito do vergonhoso episódio protagonizado pela 
Ford ao anunciar o fechamento de sua unidade em São Bernardo do Campo. Como montadora, a Ford atua no Brasil desde 1921, quase 100 anos de uma atividade altamente vantajosa em razão dos privilégios econômicos e fiscais de que gozou, tal como outras empresas do setor. Não deve ter sido pequeno o fluxo de lucros sistematicamente enviados à matriz graças à exploração da mão-de-obra barata dos operários brasileiros, à proximidade com a fonte de matérias primas e do mercado consumidor. Depois de 98 anos de rapina ininterrupta da poupança dos brasileiros a empresa anuncia que vai interromper suas atividades no Brasil.


Folha: o programa IncentivAuto de Doria
Marcha a ré 
Não sei o que o pessoal que me lê pensa, mas estou plenamente de acordo com a manifestação contrariada do governo federal (num momento de espasmo de dignidade que pode ter restado em Brasília) que viu na decisão da Ford uma afronta. Segundo a Folha, que cita fontes do próprio governo, só nos últimos 5 anos, a empresa recebeu R$ 7,5 bilhões de subsídios e deve se responsabilizar pelo impacto socioeconômico pela demissão de quase 25 mil funcionários caso o fechamento da unidade de SBC se concretize (leia aqui a matéria integral).

General MotorsBoeingShellVale, todas elas, de uma ou de outra forma, agem com o mesmo estilo predador sobre a soberania e a riqueza nacionais. Formam um cartel de puro banditismo de empresarial contra o qual o Estado nacional e a sociedade devem agir com rigor: no mínimo com a expropriação de seu patrimônio e a prisão de seus dirigentes e representantes diretos ou difarçados de seus interesses.

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