terça-feira, 19 de março de 2019

O dia em que Bolsonaro vendeu o Brasil

No Washington Post, o retrato do que foi a visita de Bolsonaro aos EUA:
'Vergonha': visita de Bolsonaro a Trump deixa brasileiros embaraçados
nos seus tweets" (numa tradução livre da manchete do jornal)

Leia a matéria na Fórum
(Antonio Martins, Outras Palavras)

Bolsonaro deu conta, em tempo recorde, da façanha que sorrateiramente prometeu ao capitalismo internacional durante sua campanha: foram exatos 78 dias de governo que culminaram nessa desonrosa visita aos EUA durante a qual a soberania nacional, construída duramente nas condições mais adversas do colonialismo, foi destruída. O presidente brasileiro e sua equipe desonraram o Brasil e seu povo sob qualquer ângulo que se analise: travestiram-se de caixeiros viajantes despudorados e liquidaram, a preço de banana, o patrimônio do Estado.  Não tenho dúvidas de que, submetidos a um tribunal que os julgasse por crime de lesa-patria, seriam todos condenados.

A explicação para que isso tenha ocorrido é simples: a sujeição ao imperialismo decorre de um déficit de compreensão de seus advogados. Imaginam eles que o esforço global do capital é capaz de potencializar o desenvolvimento econômico desde que as restrições nacionalistas deixem de existir. É possível associar a isso a venalidade dos promotores dessa política, mas é a fundamentação ideológica o que a inspira, associada naturalmente ao descaso para seus efeitos sociais.

A liquidação do patrimônio do Estado - que o ministro Guedes proclamou como a ocupação de uma cidadela inimiga - é o ponto culminante dessa filosofia. "Comprem o Brasil", disse ele desavergonhadamente. O resultado é o que se vê em todos os países que caíram nessa armadilha: na América Latina, na África, na Ásia, até mesmo na Europa não há um único exemplo de adoção de uma política dessa natureza que tenha resultado em desenvolvimento econômico e em melhoria dos padrões de vida de seus habitantes. Foi o oposto o que ocorreu.

O Brasil vai pagar caro e a longo prazo a aventura de Bolsonaro.

Leituras sugeridas: * Daqui 4 meses, vamos vender o pré-sal, diz Guedes (Opera Mundi) * Bolsonaro defende muro de Trump e critica imigrantes (DW) * Trump afirma que defenderá entrada do  Brasil na OCDE (DW) * Alinhamento de Bolsonaro e Trump preocupa europeus (Piauí) * Guedes pede para investidores dos EUA comprarem a infraestrutura do Brasil (GGN) * Quando  Bolsonaro encontrar Trump, não esqueça de sua ligação com o que há de pior no crime organizado no Brasil (The Intercept).

Atualizações1: * Bolsonaro quer explorar a Amazônia com os EUA (DW* Oferta de Trump a Bolsonaro irrita aliados na OTAN (DW) * O Brasil subalterno de Bolsonaro visita os EUA (Extra Classe) * No salão oval, Brasil abandonou reivindicações históricas (Chade, Folha) * Ao lado de Trump, Bolsonaro elege fantasmas como inimigos do país (Sakamoto, Uol) * Nós temos é que desconstruir muita coisa (Valor) * Brasil agora tem um chanceler de 4o. escalão (Josias de Souza, Uol) * O giro ideológico internacional de Bolsonaro (DW) * Em universidades dos EUA, Bolsonaro é definido como fascista (The Intercept) * Bolsonaro não descarta possível intervenção militar dos EUA na Venezuela (Uol) * Forças Armadas entram em alerta pelo tom belicista de Bolsonaro (Folha) * Líderes do congresso chileno rejeitam almoço com Bolsonaro (DW).
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