quinta-feira, 4 de abril de 2019

Mais que reescrever a História, torná-la irreconhecível

Hitler e Goebbels, senhores das impurezas da verdade,
mas não do tempo de suas mentiras
A notícia saiu em vários jornais brasileiros neste 4 de abril: o ministro da Educação, Ricardo Vélez, um verme de extração fascista disposto a fazer o que for preciso para servir aos seus chefes, entre eles o capitão Bolsonaro, prometeu aquela que pode ser a providência mais radical já tomada por um governo ultraconservador da atualidade: a reescrita da história do Brasil com o objetivo de fazer nela uma correção: a derrubada do presidente João Goulart em 31 de março de 1964 não foi um golpe; "foi uma decisão soberana da sociedade brasileira", e a prova disso é o fato de que Castelo Branco, o primeiro militar a substituir Jango, foi eleito pelo Congresso, como se o simulacro de uma eleição indireta realizada sob a vigilância armada dos golpistas, prisões, mortes pudessem ser traduzidas em soberania do direito de escolha dos brasileiros. 

Vélez é provavelmente o representante mais ortodoxo e estúpido da ala ideológica do governo Bolsonaro, uma facção que reúne fundamentalistas de todo o tipo agregados pelo princípio da negação da razão histórica como instrumento de entendimento do mundo seja no campo da própria História, seja no terreno da Biologia, da Política, da Física, da Arte, da Cultura. A inspiração teórica desse grupo - que nos leva todos os dias um pouco mais para trás em termos de sociabilidade moderna - é transparente: a verdade é fruto do poder e não dos fatos, motivo pelo qual pode ser reescrita ou violentada indefinidamente. O relativismo da verdade, portanto, está na natureza das variações de olhares que ela permite, como será agora o caso da reescrita da história do Brasil com o objetivo de contar o caso como ele não foi.

Eis aí o motivo que cobra dos professores que exerçam o papel fundamental que sua atividade - e só a sua atividade - representa como resistência ao crime anunciado por Vélez: denunciar a reescrita da Ciência (em qualquer de seus campos) como um instrumento de controle social e, por esse caminho, prolongar indefinidamente a exploração do Homem. 

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