domingo, 14 de abril de 2019

Miopia e atraso: o pequeno capitalismo brasileiro

Burguesia brasileira abriu mão do país pela defesa
de seus interesses privados: está sentada em cima
de uma bomba-relógio
Nem desenvolvimento nem modernização, nem mercado interno nem externo, apenas muita concentração da renda e a maior miséria social que o planeta já conheceu; uma massa de trabalhadores desprovidos de direitos ao redor de ilhas de exuberância antidemocrática e de segregação. Eis aí, na melhor das hipóteses, as marcas impressionantes que a burguesia brasileira imprime ao país que está construindo.

Esses indicadores, sistematicamente espalhados pelo noticiário de todos os veículos de informação, ganham agora, com Bolsonaro, um descaramento mais nítido porque emergem num cenário de rejeição radical, ideológica e política, a quaisquer vestígios do projeto de bem-estar social que se articulou no Estado brasileiro desde a Era Vargas. O impulso predador que os vários segmentos do empresariado vêm dando ao bloco de forças políticas que saiu vitorioso nas eleições de 2018 parece não deixar dúvidas sobre a natureza do projeto: o país ou será uma pastagem de interesses privados nacionais ou internacionais ou não será coisa alguma. Estamos diante de uma ruptura profunda que mal esconde o abandono do país...

Talvez o fato que melhor permita a visualização disso seja o projeto de reforma da Previdência Social cuja implementação tem dois vetores que o definem: a liquidação de qualquer perspectiva de sobrevivência digna dos trabalhadores e a transferência para o capital da massa de recursos com que, mentirosamente, o projeto acena para a possibilidade de algum pecúlio dos trabalhadores em fundos privados de previdência (acompanhe aqui o clipping do blog com o noticiário a reforma).

Se colocarmos ao lado desse projeto outras iniciativas que aprofundam a perda de direitos trabalhistas iniciada com a aprovação da nova CLT em novembro de 2017 e o desmantelamento das redes institucionalizadas de proteção social através da supressão de recursos destinados a serviços essenciais de assistência pública, o quadro é o da desmontagem da própria sociedade como um organismos cujas demandas encontram algum tipo de eco nas leis e no governo. 

Matérias que testemunham essa descrição: * Classes dominantes renunciaram à ideia de nação e entregaram direção política do país (Sul21) * Angela Alonso: Horizonte da elite não é a sociedsde mas a economia pujante (Folha via Agência Bicudo) * Decreto 9759/19 - Bolsonaro desativa conselhos e comissões de participação da sociedade civil em órgãos do governo (Carta Capital) * Agricultores ganham corte de R$ 40 bilhões em impostos (Uol) * Terceirizados fazem 7 em cada 10 greves no setor privado (Valor)  * A impotência dos economistas liberais (José Luis Fiori, Brasil de Fato) * O maior crime contra o Brasil - o projeto que desvincula do Orçamento da União recursos destinados à Saúde e à Educação (Estadão, via Terra) Brasil refém daquilo que o capitalismo criou de pior (clipping)
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