domingo, 26 de maio de 2019

O suicídio neoliberal

O longo amanhecer: Celso Furtado

Uma das matrizes fundamentais do pensamento desenvolvimentista brasileiro

Por que o capitalismo brasileiro não dá certo?

Celso Furtado passou certamente toda a sua maturidade intelectual debruçado sobre essa questão e em todas as oportunidades apontou a resposta contundente para o enigma histórico com que o país se defronta ainda hoje: o capitalismo brasileiro é um fracasso porque seus principais agentes - os empresários de todos os setores e a tecnocracia que representa seus interesses privados - contrariam os seus fundamentos; praticam um sistema concentrador da renda, gerador de bolsões gigantescos de pobreza, de baixo índice de inovação e de investimentos e produtividade acanhada. A rigor, um modelo voltado para 1% da população e especializado na subtração e redução de direitos sociais e na alienação da soberania nacional.

O resultado é o que se vê: as marcas do retrocesso presentes em todos os indicadores, agravadas pela disposição política irracional em anular o papel do Estado como regulador e indutor do desenvolvimento. Sem reformas estruturais que reduzam as disparidades sociais que inibem o mercado interno, sem uma política fiscal voltada para o fortalecimento dos programas sociais e sem políticas públicas destinadas à emancipação da cidadania, o Brasil continuará a figurar na vergonhosa condição de um país moderno que não consegue se ver livre da miséria e da dependência internacional.

Nas indicações de leituras abaixo, as evidências mais graves desse processo e a discussão em torno das alternativas para a sua superação. Entre elas, o desenvolvimentismo de Celso Furtado continua sendo a diretriz fundamental para a construção de uma sociedade justa e democrática

* A chance do Brasil entrar em recessão técnica beira os 70% (El País) * Brasil precisa de um plano nacional de desenvolvimento (Paulo Kliass, IHU) * Brasil oscila entre estagnação e depressão (Folha) * Cinco anos após o início da recessão, nenhum setor voltou ao nível pré-crise (Estadão) * "Se o Estado não interviesse nas relações de trabalho, estaríamos na barbárie" (Sul21) * OCDE reduz previsão de crescimento do Brasil (DW) * Desigualdade de renda no Brasil atinge seu maior patamar, diz FGV (G1) * Ernesto Laclau defende o populismo para assegurar a participação política (GaúchaZH) * Os desafios da economia brasileira (IHU) * Recessão e desigualdades (Carta Maior) * Indústria não investiu e também tem culpa na crise (Uol) * A loucura da austeridade e o grande salto para a recessão (Carta Capital) * FMI corta projeção para crescimento do Brasil em 2019 (Valor) * O conto de fadas de Paulo Guedes (Outras Palavras) * Como a mão invisível do "mercado" nos afunda (Outras Palavras) * A economia espera sentada (Folha) * Não existe empreendedorismo, mas gestão de sobrevivência (Bancários).

Atualizações1: * Hora de revogar a Emenda Constitucional 95 (Outras Palavras) * Austeridade, Paulo Guedes e o verdadeiro fundo do poço (Outras Palavras) * Prioridades de Bolsonaro não vão tirar o Brasil da crise econômica (The Intercept) * Os 3 momentos que esfriaram a euforia do mercado com Bolsonaro (BBC) * Brasil oscila entre a estagnação e a depressão (Folha) * Com Bolsonaro, Brasil perde mais ainda influência mundial (DW) * Brasil precisa deixar de ser refém do 1% mais rico (IHU) * A crise é gravíssima e tudo indica que vamos ficar patinando nela por muito tempo (IHU) * Com dados ruins do 1o. trimestre, analistas veem possível queda do PIB (G1) * Todos os serviços públicos deveriam ser privatizados (Amoêdo, BBC)

Atualizações2: * Incertezas e anos de PIB decepcionante deixam o Brasil menos atrativo para empresas estrangeiras (G1) * Existem alternativas ao totalitarismo do mercado (IHU) * Em 3 meses, 65 empresas não são mais brasileiras (Hora do Povo) * Está aberta a temporada de privatizações (Outras Palavras)

Clippings do Blog:

* Tudo para o Capital * Nova Previdência: genocídio * Para entender a crise econômica brasileira * O debate sobre o modelo econômico

Matrizes:

* O conceito de cultura em Celso Furtado (versão integral em pdf do livro de César Bolaño, UFBA) * O longo amanhecer. Reflexões sobre a formação do Brasil (Paz e Terra)

* Revistando os clássicos: o conceito de regulação (IHU) * Stiglitz e Rodrik denunciam os limites da economia dominante (Carta Capital) * Impasses da Previdência e a livre circulação do capital (José de Souza Martins, Valor) * O juízo de Vargas (Ruy Braga, Boitempo) * Liberalismo e dogmatismo (André Lara Resende, Valor) * Intérpretes do Brasil * Recado do Nassif: Mônica de Bolle e a revisão dos tabus econômicos (GGN) * Xadrez da crise do pensamento econômico brasileiro (GGN)

Maria da Conceição Tavares: * Trajetória (dissertação, Unicamp) * Filme documentário (release) * A contemporaneidade das obras (IE Unicamp)
______________________________ 

Nenhum comentário: