sexta-feira, 31 de maio de 2019

Uma oitava acima (*)

Leio na manchete do Uol postada nesta manhã seguinte às manifestações do 30M (já retirada do site por seus editores) que os protestos afastaram-se da pauta da Educação que mobilizou os estudantes nas concentrações de 15 de maio. Pode ser que sim, pode ser que não... Mas pode ser também que a Folha anuncia o reincidente movimento de toda a "grande" midia no sentido de arrefecer o impulso das ruas. Se isso for verdade - como eu acredito que é - o sentimento crescente de indignação e de aberta rejeição a esse monstrengo que é o governo Bolsonaro pode estar transpondo a fronteira de oposição a pautas específicas (Educação, Previdência, Desmatamento, Contingenciamento, Tarifas etc) na direção de um radicalismo muito lógico: a coisa só toma jeito se Bolsonaro cair e, com ele (como eu espero que aconteça) todo o arco de forças de extrema-direita que levou o Brasil à aventura eleitoral e ao desastre de 2018.

O teste em torno disso será a Greve Geral do próximo dia 14 de junho. Se as centrais sindicais não recuarem; se outra vez não colocarem a lógica da sua sobrevivência burocrática acima dos interesses da sociedade em geral e dos trabalhadores em particular, é possível que seja ela - a Greve - o ponto nevrálgico do colapso, possivelmente traduzido na formação de um núcleo de transição que leve da crise a um governo de salvação nacional civil e liberal, mas com iniciativas fortemente sociais que organize a cidadania para eleições gerais a curtíssimo prazo. Não sei como isso seria possível, mas a Greve pode sinalizar que estamos indo para uma outra etapa. É tudo o que a
Folha e seus irmãos siameses da velha mídia (sempre encostada nas suas conveniências de classe) temem: não querem Bolsonaro (pois que agora se deram conta do bagulho que ajudaram a eleger), mas não querem perder a condução neoliberal do projeto que têm para o país. 

A Greve Geral de 14 de junho é que vai dizer se isso é possível... ou se o momento é mesmo o de um arrastão contra os interesses privados que insistem em controlar a nação sob essa marca do atraso que sempre caracterizou essa turma em todos os setores.

Atualizações: * Mec diz que professores, alunos e pais não podem divulgar protestos (Folha) * MPF dá 10 dias para Mec cancela nota (Uol) * Partidos condenam Mec e vão à Justiça (Extra Classe) * Educação no Brasil vive clima de ditadura (El País) *  Sobre o 30 de maio (Carta Maior) * As melhores imagens do 30 de maio (The Guardian)

Leia ainda Um dia para ficar na História e * Apoio a Bolsonaro diminui e bolsonarismo dá sinais de esgotamento  e  (posts do blog sobre manifestações de 15 e 26 de maio).

(*) Dizer que uma nota está uma oitava acima significa dizer que a nota é a mesma, porém ela está em uma região mais aguda do instrumento (leia mais)
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