terça-feira, 1 de setembro de 2020

Farsantes

Bolsonaro e Guedes: os advogados de um Brasil mais pobre e menos democrático

A discussão que toma conta do noticiário econômico em destaque nos 'grandes' veículos esconde o impasse a que chegou o modelo neoliberal cuja aplicação foi radicalizada no Brasil em 2016. Com o golpe, o Brasil ficou nas mãos de uma elite tecnocrática disposta ao que fosse preciso para executar a tarefa de que foi incumbida pela burguesia brasileira: desconstruir o arcabouço dos direitos sociais e trabalhistas e adotar uma política de austeridade fiscal implementada às custas do nível de vida (já precário) da população brasileira,

O resultado é o que estamos vendo: o país mergulhado numa recessão profunda, com níveis inéditos de declínio da atividade produtiva, índices negativos de investimentos nacionais e estrangeiros, desemprego, subemprego, informalidade e um contingente nunca imaginado de pessoas mergulhadas nas condições da miséria absoluta. Foi o melhor que nossa estúpida elite empresarial soube construir: antes e durante a pandemia, o Brasil é um 'case' de marginalidade fascista que sobrevive ao redor do poder de compra de 5% de sua população.

Tudo isso vem à tona agora com a discussão do orçamento de 2021, momento que evidencia duas correntes de opinião que apenas divergem no grau de maldade social com que sugerem as receitas pensadas para tirar a economia do buraco. De um lado, a percepção do bolsonarismo de que estamos sentados sobre uma panela de pressão: mantida a depreciação do mercado interno através da redução do poder de compra da massa salarial, e com remendos nos programas sociais que sobreviveram da era petista, o que pode ocorrer é a revolta social. Já não é mais imagem da ficção distópica um cenário de saques e depredações provocadas pela escassez de meios de sobrevivência. 

De outro lado, a percepção do ultraliberalismo de Paulo Guedes, um agente do capital, corrupto e mentiroso, disposto ao que for preciso para manter o teto dos gastos (como se a sociedade carente de investimentos públicos não existisse) para proteger o capital especulativo e os lucros do capital. É ele que os empresários apoiam; Bolsonaro é 'suportado'.

Penso que nos limites desse impasse, o Brasil não tem saída, de onde emerge a possibilidade de que os mecanismos de controle político, no nível midiático, parlamentar e jurídico, tendem a recrudescer, isto é, tendem a se tornar mais reguladores e fascitizantes, com a contrapartida de uma menor intervenção democrática da sociedade civil. 

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