quinta-feira, 3 de setembro de 2020

O país nas mãos de bandidos

De onde saiu essa gente?

A era Flordelis-Witzel

Tarso Genro (A Terra é redonda)


O inferno que nos espreita

O “Inferno tão temido” é um conto de Onetti que me estimulou, para este texto, embora ele verse sobre sofrimento nas relações amorosas de um casal infeliz. As camadas, grupos e classes sociais, na formação do Estado democrático na era industrial moderna, vão educando as suas elites intelectuais, os seus dirigentes de referência, os seus “funcionários” da hegemonia e do sofrimento alheio – os seus técnicos do controle social e da produção – segundo as lutas travadas por interesses em choque. As balizas culturais e morais destas lutas são mais nítidas quando seus interesses de classe são mais transparentes e vinculados à ideia de progresso.


Quando o modo de vida, o sistema produtivo e as formas de dominação tornam-se envelhecidas – para dar amparo ao sentido capitalista do progresso – a esfera da política estável e serena da democracia burguesa clássica treme. Os seus alicerces fragilizam-se e a sociedade fica aberta aos aventureiros, aos criminosos e à bandidagem estruturada como organização política. Flordelis e Witzel certamente não são a mesma coisa mas são duas moedas de uma mesma face (continue a leitura).


Leia também no Estadão: * Flordelis: ascensão política e planos para matar o marido  * As polêmicas por trás da história da famílida modelo * Os bastidores de um crime

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