quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

A liturgia fascista

Capitólio, EUA, 6 de janeiro de 2021: o desespero das hordas de Trump
A tentativa derradeira de implodir os resultados das eleições presidenciais nos EUA pode significar o estreitamento fatal das bases sociais de apoio de Trump. A constatação me parece evidente pois é justamente a obediência à regularidade do regramento institucional que assegura o controle do sistema político e econômico pelas forças do capital. A desordem fascista é a ruptura da doxa do poder e, frente a isso, o apelo a um golpe de estado, ainda que acompanhado pela exitação de segmentos populares, tende a se esvaziar. No final das contas, penso que é a regularidade e o controle das regras do jogo constitucional que devem prevalecer já que é delas que o 'sistema' tira a base de sua hegemonia.

Em razão dessa lógica é que me parecem incompletas as análises que apontam a permanência do trumpismo como programa político de longa duração nos EUA. O crescimento da pobreza, a persistência da recessão econômica, o isolamento internacional e a inabilidade autoritária em lidar com fatores conjunturais como a pandemia podem evidenciar o oposto, Se isso se confirmar, como eu imagino que se confirme no médio prazo, os espasmos fascistas representados por Trump e Bolsonaro terão vida curta, ainda que para isso exijam da sociedade resistência e alternativas orgânicas e programáticas.
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