sábado, 10 de abril de 2021

Alfredo Bosi (1936-2021)

O puro orvalho da alma

Como professor, Bosi exalava uma aura de paciência e capacidade de observação crítica ao mesmo tempo aguda e abrangente. A argúcia fazia parte de seu estilo, mas também a generosidade humanista

Flávio Aguiar
Carta Maior

O título deste artigo rememora palavras de Alfredo Bosi, dirigidas à sua esposa Ecléa, nos agradecimentos a ela pela ajuda que prestou durante a elaboração de um dos livros mais impactantes – dentre muitos – do professor: “Dialética da Colonização“, publicado em 1992. Como ele as colocou entre aspas, imagino que seja alguma citação, que pode ter tanto um significado litúrgico de menção ao refrigério trazido pelo Espírito Santo a quem ele abençoe, quanto ao de um amálgama de referências a diferentes poetas brasileiros, de Gonçalves Dias a Vinícius de Moraes. Elas poderiam também se aplicar a ele mesmo.
É impossível condensar referências ao vasto espírito de Alfredo Bosi em algumas poucas linhas. Estudioso denso da literatura e da cultura italianas, de Dante e Leonardo da Vinci a Antonio Gramsci e outros, Bosi o foi também em relação à nossa literatura brasileira e nossa cultura. Além disto, foi militante incansável das causas democráticas e de princípios identificados com um socialismo cristão, ou de um cristianismo socialista, como se queira (continue a leitura).

Leia também: * Alfredo Bosi (Marilene Felinto, Ilustríssima)

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