terça-feira, 17 de agosto de 2021

Afeganistão

 Nas mãos do imperialismo e do fundamentalismo, 

a morte de um país

Tragédia afegã revela regramento criminoso imposto pelo ocidente a um país destroçado pela perda de sua soberania. Em dois textos publicados pela Boitempo, as razões históricas da crise
Tariq Ali: Debacle no Afeganistão

A queda de Cabul para o Talibã em 15 de agosto de 2021 é uma grande derrota política e ideológica para o Império Estadunidense. Os helicópteros lotados que transportavam funcionários da Embaixada dos Estados Unidos para o aeroporto de Cabul lembravam surpreendentemente as cenas em Saigon – agora Ho Chi Minh City – em abril de 1975. A velocidade com que as forças do Talibã invadiram o país foi impressionante; sua perspicácia estratégica notável. Uma ofensiva de uma semana terminou triunfantemente em Cabul. O exército afegão de 300.000 homens desmoronou. Muitos se recusaram a lutar. Na verdade, milhares deles foram para o Talibã, que imediatamente exigiu a rendição incondicional do governo fantoche. 

O presidente Ashraf Ghani, um dos favoritos da mídia estadunidense, fugiu do país e buscou refúgio em Omã. A bandeira do emirado revivido está agora tremulando sobre seu palácio presidencial. Em alguns aspectos, a analogia mais próxima não é Saigon, mas o Sudão do século XIX, quando as forças do Mahdi invadiram Cartum e martirizaram o general Gordon. William Morris comemorou a vitória do Mahdi como um revés para o Império Britânico. Ainda assim, enquanto os insurgentes sudaneses mataram uma guarnição inteira, Cabul mudou de mãos com pouco derramamento de sangue. O Talibã nem mesmo tentou tomar a embaixada dos EUA, muito menos mirar no pessoal estadunidense (continue a leitura)

Zizek: Nossa resposta ao Talibã

O Talibã está facilmente tomando conta do Afeganistão. Cidades estão caindo como dominós, mesmo as forças do governo estando não só muito mais bem equipadas e treinadas como em maior número (300 mil contra 80 mil combatentes talibãs). Quando o Talibã se aproxima, as forças do governo simplesmente derretem: se rendem ou fogem, sem apresentar qualquer disposição para lutar. Por que?


A mídia nos bombardeia com algumas explicações. Uma delas é diretamente racista: as pessoas simplesmente não seriam maduras o suficiente para a democracia, teriam um desejo pelo fundamentalismo religioso. Trata-se de uma afirmação completamente ridícula, desnecessário dizer. Meio século atrás, o Afeganistão era um país (moderadamente) esclarecido com um Partido Comunista muito forte, que inclusive esteve no poder por alguns anos. O país só tornou-se religiosamente fundamentalista mais tarde, como reação à ocupação soviética que tentou evitar o colapso do poder comunista (continue a leitura)


Outras leituras: * O ocidente fechou os olhos para o Afeganistão (DW)

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