quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Um golpe em marcha

Há um golpe em marcha. Ele pode fracassar, pode não passar
de um blefe ou pode ser uma vitória de Pirro, na qual o
golpista não consegue montar no tigre que pretendia cavalgar

O desafio de Pirro

Mauro Iasi
Boitempo

Bolsonaro não se preparou para governar, sua intenção desde o início foi produzir as condições para uma ruptura institucional, numa espécie de saudosismo de 1964. Tais condições pareciam ser uma radicalização nas pautas morais e reacionárias e a construção de uma narrativa, na qual o miliciano que ocupa a presidência, estaria sendo impedido de governar pela interferência de outros poderes.


As coisas não aconteceram como imaginava o presidente de extrema direita por alguns motivos. Em primeiro lugar, a ruptura institucional que levaria a um governo de força necessitaria de dois apoios essenciais: o grande capital e as Forças Armadas. Temos afirmado que em nenhum desses polos o presidente teria um respaldo homogêneo. A grande burguesia monopolista se divide entre a manutenção do presidente, que opera sua pauta, e a necessidade de afastá-lo porque o mandatário e suas intenções rupturistas criam uma grande instabilidade, que prejudica o bom andamento da mesma pauta. As Forças Armadas transformaram-se em avalista do presidente, uma espécie de garantia ao grande capital e aos outros poderes de que o presidente se manteria no cercadinho da institucionalidade apesar de suas bravatas. Os militares são mais que avalistas, participam diretamente do governo e tem demonstrado que seus interesses extrapolam o corporativismo e se aproximam de interesses econômicos e políticos que compartilham com o bolsonarismo (continue a leitura).


Outras notícias e análises sobre a crise: * Ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardoso fala sobre a crise (Youtube, Uol)* Nem golpe nem impeachment (Julian Rodrigues,  A Terra é redonda) * Delírio de Bolsonaro e seus militares deixam Brasil real à deriva (Chico Alves, Uol) * Bolsonaro estica a corda para fazer do 7 de setembro o ponto de não retorno (Carta Capital) * Apoio a impeachment de Bolsonaro vai a 58% e bate recorde (Poder 360) * Augusto Heleno veste toga e cria jurisprudência do golpe (Chico Alves, Uol)

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