sexta-feira, 10 de setembro de 2021

O féretro

 Covardia de Bolsonaro deixa órfãos os idiotas que apoiam o delírio fascista

A cena que registra o entusiasmo imbecil com o qual o genocida foi aplaudido no dia 7 de setembro, em menos de 48 horas virou quase memória esfumaçada. Ainda é cedo para previsões, mas arrisco: um empurrão e esse vigarista cai.
Informado de que poderia ser preso em razão dos sucessivos crimes de responsabilidade que cometeu nos palanques que montou para salvar-se do isolamento, Bolsonaro mostrou que é um soldado meia-boca: acovardou-se e deu o dito pelo não dito. O gesto tomou a forma de uma mensagem falsamente apaziguadora dirigida aos apoiadores mas, principalmente, aos setores que passaram a ver nele um transtorno radical que afeta toda a sociedade. Depois do 7 de abril, o impeachment passou a ser quase um projeto nacional cuja urgência está sendo abraçada, com maior ou menor sinceridade, por amplos setores do espectro político. A "recuo" de Bolsonaro é uma clara tentativa de conter essa onda.

O gesto, no entanto, já nasceu podre, a começar pelo papel que teve nele o vigarista Michel Temer. Alguém imagina que o ex-presidente tem alguma grandeza de caráter que o possa colocar na linha de frente da crise? Pois foi nessa figura transida que Bolsonaro foi buscar a ajuda para a construção da narrativa moderada e, ao que parece, dissimulada: ajoelhado diante do ministro Moraes, implorando pela volta ao trabalho dos caminhoneiros, atribuindo seus arroubos ao "calor" do momento e certamente advertido pelos militares que ainda conservam algum tipo de dignidade institucional, o capitão derreteu. As manifestações do dia 12, ainda que contaminadas pelo oportunismo da extrema direita parlamentar (por exemplo, o MBL), podem ser o empurrão que a Câmara dos Deputados precisa para abrir o processo de impeachment. Se isso acontecer, vai faltar gente nas ruas para defender esse bandido

O que espera Bolsonaro é um féretro silencioso, agora mesmo ou daqui a algum tempo. Sobreviver à mobilização criada pelas tensões fascistas que produziu ficou mais difícil... Quem viver verá. 

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