quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

André Mendonça no STF

O novo ministro do Supremo Tribunal Federal:
um pequeno homem a serviço do obscurantismo

Um salto para os evangélicos, um abismo para o Brasil

As peculiaridades desse sujeito que acaba de "conquistar" uma vaga no STF (sabe-se lá ao custo de quantas falcatruas) são muitas, mas uma delas me chama a atenção: a transparência de sua mediocridade. Eis aí um traço que ele não consegue driblar e que o tem ajudado a percorrer os gabinetes do bolsonarismo como um quadro eficiente e fiel, evasivo e hipócrita. A chegada ao STF é o ponto culminante desse processo, e é também uma recompensa pelos serviços prestados ao fascismo. Como diz a música, "vence na vida quem diz sim".

Mas não é só isso. A subserviência de Mendonça ao projeto totalitário de Bolsonaro e de seus apoiadores civis e militares exige ativismo, isto é, não basta a passividade da obediência cega na qual o novo ministro se especializou. Ele próprio tem que ter a iniciativa de instalar os gestos de sua concordância na zona de sombras dessa nova/velha ordem: o apoio à tortura e às mortes da ditadura, a discriminação de gênero, a vista grossa para as milícias e para os desmandos policiais.  Tudo somado, o leitor bíblico é uma espécie de intérprete disfarçado e falso de uma era de escuridão para a qual sua passagem pelo STF vai contribuir, como se já não bastasse a presença de Kássio Nunes Marques na corte.

Entendo que o episódio da aprovação de sua indicação ao Supremo pelo Senado está, justamente pelas razões apontadas acima, entre os mais graves erros da nossa história. Com ele, foi sepultada a principal instituição republicana que possuímos: um corte que zela pela estrita aplicação dos preceitos da Constituição à nossa sociabilidade moderna. Mendonça derruba a qualificação jurídica do intérprete da lei e entra em cena a mistificação evangélica. Pobre Brasil...  

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