domingo, 20 de fevereiro de 2022

Os melhores alunos do nazismo

"Quando ouço alguém falar em cultura, puxo logo meu revólver"

Mário Frias, à direita na foto, o fantoche que ocupa o cargo de secretário da cultura do governo federal, posa entusiasmado ao lado do deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente. As armas que empunham fazem tanto mal ao país quanto a ideologia obscurantista que professam e praticam.
A frase que encima a postagem é de autoria controversa. Teria sido dita ou por Hermann Göring, alto dirigente do partido nazista alemão, ou por Joseph Goebells, ministro da propaganda do governo de Hitler. Uma outra versão dá conta de que esse aforismo da violência contra a cultura aparece numa peça de teatro antinazista, de Hanns Jost, encenada em 1933, mesmo ano em que Hitler chegou ao poder na Alemanha. A polêmica não anula o fato de que seu conteúdo é, como apologia ou como crítica ao obscurantismo, uma síntese em torno da estratégia do medo que o totalitarismo põe em prática contra a liberdade de expressão de artistas e intelectuais ao longo da história.

A artigo A destruição da cultura como agenda eleitoral, publicado na Folha de S. Paulo neste domingo, mostra que o bolsonarismo tem nessa estratégia uma das bases de sua ação pois é na desarticulação da produção cultural como instrumento de energia democrática que o fascismo aposta, ao lado de diversas práticas da violência: a consolidação, pelo medo, de sua presença no imaginário do conservadorismo, processo que se espalha por toda a sociedade. A conquista das mentes passa antes pela rejeição ao  pensamento crítico, pela naturalização da violência, pela apologia disfarçada do conformismo como virtude. Penso que são essas as bases do totalitarismo enunciadas por Hannah Arendt.

As eleições de outubro deste ano aqui no Brasil também giram em torno dessas variáveis, ao lado de questões sociais, econômicas e políticas de amplitude diversas. Na Cultura, no entanto, revelam-se pressupostos de natureza filosófica que emolduram e estruturam um determinado projeto para o país. A foto que ilustra esta postagem é uma síntese simbólica, eventualmente uma construção semiótica, da ameaça que estamos vivendo.

* A frase (Luiz Fernando Veríssimo, Estadão) * Quando ouço a palavra cultura... (Paulo Kliass, num artigo sobre o incêndio no Museu Nacional em 2018, Outras Palavras) * Cultura de massas e conformismo (OneDrive PUC) * Do culto do eu à passividade social (Outras PalavrasO fascismo como desejo (Frederico Feitoza).

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