Brasil vive nova ameaça de retrocesso social

Governo quer extinguir mais direitos trabalhistas 

Para empresários, população brasileira merece a pobreza
Há duas formas de racionalidade que nos ajudam a entender essa violência. A primeira é de natureza moral e ideológica e é representada pelo conceito de sociedade que as elites brasileiras construíram ao longo da história: nossas distinções, diferenças, abismos etc  reproduzem uma desigualdade estrutural que as legitimam e explicam, de onde decorre um 'direito natural': o trabalho é apropriado não naquilo que o traduz em produto, mas naquilo que o representa como expressão do produtor. É a essência moral da escravidão, retomada pela burguesia brasileira agora mesmo no século XXI, tão logo se tornaram viáveis as chances de erradicar do aparato governamental as forças que emergiram com a eleição de Lula em 2002. É quase uma vingança.

A segunda forma tem base econômica e evidencia um acanhado entendimento do que representa o processo de acumulação de capital. No Brasil, a visão sobre isso é de um radicalismo imediatista de dar dó pois que nada se estrutura, nada se consolida, nada é permanente, mas apenas uma forma conspícua de construção da riqueza que nos amarra quase que definitivamente à pobreza. O processo é truncado pela ideia obsessiva de que é preciso construir a riqueza o mais rápido possível. O nome disso é maximização absoluta do lucro, se for preciso às custas de qualquer resquício de humanidade: sono, cansaço, lazer, alimentação, saúde, higiene tudo deve ser derrogado para que o capital obtenha de sua vítima o maior ganho possível.

Não é preciso muito para entender aonde isso nos leva. Há uma sociedade do trabalho em funcionamento no Brasil representada pelos milhões de brasileiros que diariamente geram riqueza, mas essas duas formas de racionalidade descritas acima se traduzem na geração de pobreza, fato que não só explica o fosso da desigualdade social que transformou nosso país num pária internacional, mas também joga luz sobre o fracasso do capitalismo como sistema. Sob a ótica moral e sob a ótica das práticas econômicas, aqui o capitalismo não dá certo... pois é um capitalismo parasitário e desprovido da energia que Marx (Manifesto) e Weber (Ética protestante) apontaram no estudo de sua constituição. 

Já que Marx foi citado...  vale a pena relembrar a acuidade de suas leis da dialética materialista, em especial aquela que diz respeito às relações complementares e contraditórias entre os processos quantitativos e qualitativos dos fenômenos físicos e sociais, pois que é possível especular sobre os limites das tensões que esse sistema brasileiro tem. Revoluções como 'parteiras' da história foram vistas sucessivamente como desaguadouro dessas contradições. Sonho que isso aconteça por aqui...

Nenhum comentário: