terça-feira, 19 de setembro de 2017

Temer não perde por esperar

Faltava este registro na imensa galeria de gestos indignos do golpista Temer para que se completasse todo o significado de sua presença espúria na presidência da República. Exultante ao lado do bandido Trump, é visível sua sensação de conforto, o meio sorriso repleto do cinismo do que há de pior na vida política, uma espécie de compatibilidade com o seu elemento, espaço de velhacarias que o deixam respirar sem o sobressalto dos esconderijos em que vive.  Como eu já disse em outro lugar, a História é quem fala por último. Nenhum deles perde por esperar o dia em que serão varridos da vida pública.
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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

PUC-SP, 40 anos esta noite...

Erasmo Dias berrava feito um alucinado, multiplicando ameaças e bravatas do tipo: “Todos serão presos e enquadrados na Lei de Segurança Nacional”
PUC-SP vai diplomar cinco alunos mortos pela ditadura. O ato é parte da comemoração dos 40 anos da invasão da Universidade por militares em 1977 durante realização do 3o. Encontro Nacional de Estudantes, evento proibido pelo regime.
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Crise política se agrava e país caminha para colapso institucional

"Ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós teremos que impor isso"

A fala do General Antonio Hamilton Martins Mourão ontem, em Brasília, só é novidade para quem não acompanha o clima de decomposição do poder político e o vazio de representação que se instalou no país desde o golpe que afastou Dilma Rousseff da Presidência da República em abril/agosto de 2016. No período de um ano, nossa burguesia, apoiada pela grande mídia e pelo estamento jurídico do STF, transformou o Brasil numa verdadeira pastagem de interesses privados. O resultado é o que está aí: a desmontagem dos direitos sociais e da soberania nacional, a desmoralização quase que absoluta das instituições de representação política e a leniência com que os escândalos têm sido tratados - o principal deles, esse que envolve diretamente Michel Temer.

Pessoalmente, entendo que a manifestação de Mourão traduz um sentimento de indignação e de esgotamento que se espalha pelo descrédito que esse processo transferiu à normalidade democrática. Duvido muito que a sociedade possa demonstrar hoje qualquer vitalidade de resistência a uma intervenção militar tal é a desmoralização que todas as instituições do regime representativo entre nós acabou sofrendo. A figura do condottiere regenerador dos costumes políticos, tão comum no  nosso passado republicano, volta a assombrar - e empolgar - a esfera da deliberação conservadora: um messias fardado será bem-vindo para botar as coisas no devido lugar. Que o diga a simpatia que Bolsonaro, por exemplo, desfruta entre o eleitorado.

Isso tudo, no entanto, é um simulacro. Desde o impeachment de Dilma, o país tem sido levado de forma sistemática e organizada à percepção de que a democracia tem que ser interditada para que os plenos interesses do capital se consagrem e é fácil encontrar os núcleos que trabalham nesse sentido - no âmbito dos partidos, da mídia, de algumas igrejas evangélicas, no território dos tribunais, das representações patronais. O objetivo dessa ampla conspiração é impedir que as eleições de 2018 se realizem pois que nossas elites empresariais não conseguem encontrar um príncipe em torno do qual possam compor o poder civil. A perspectiva bastante concreta de que uma candidatura de centro-esquerda vença as eleições deixa essa turma apavorada. Se os militares se derem conta de que podem ser instrumentalizados por isso e se perguntarem a si mesmos a serviço de quem estariam, a intervenção fica mais difícil; se acreditarem que podem salvar o Brasil (seja lá do que for), temo até pelos próximos dias.

Leia ainda: * Governo, Exército e Ministério Público não atuam contra general que defende a intervenção militar (El País) * Carta aberta ao general Antonio Hamilton Mourão (Paulo Fonteles Filho, GGN).
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domingo, 17 de setembro de 2017

Esses caras destruíram o Brasil...

Uma distopia que vai ganhando o perfil da
r
ealidade: a obra prima da elite brasileira
Postei no Facebook a lúcida entrevista que Luis Fernando Veríssimo deu ao jornal Extra Classe do SINPRO-RS. Dono de uma inteligência que se revela a cada enunciado com que faz referência ao cotidiano, Veríssimo aparentemente não alimenta mágoa alguma pelo dissabor de ter sido demitido da RBS muito menos por estar assistindo ao vexame do encolhimento do nosso pais. Para o criador do Analista de Bagé, o brasileiro está mudando de caráter, constatação que me permitiu acrescentar na chamada que fiz no Face: "vamos nos transformando num país triste, provinciano, amedrontado pelo moderno; uma nação atrofiada". O resultado acabado do golpe de 2016, por isso, não me parece ser a desmontagem sutil da democracia e dos direitos sociais ou o pífio êxito econômico registrado nos 0,2% de crescimento do PIB, mas o invólucro ideológico obscurantista a que estamos sendo submetidos pelo MBL, por Bolsonaro, por Doria e pelo complexo midiático que acompanha e enaltece de forma sistemática essa nova construção do imaginário nacional.

O raio de abrangência desse processo está longe de se circunscrever ao episódio da mostra do banco Santander em Porto Alegre ou ao rastro de medo que a intimidação da arte livre, que o conceito especulativo e que a desobediência ao cânone, qualquer que seja ele, sofreram nos últimos dias. Penso que há uma consequência pior: a naturalização dessas variáveis no espaço do cotidiano de forma a que sejam aceitas como vicissitudes normais e inapeláveis. Em outras palavras: a fascistização da vida em todas as suas dimensões - como ocorreu na Itália, na Alemanha e no Japão nos anos 30 do século passado. Inútil ficar imaginando que isso é passageiro ou que há, em alguma instituição governamental, alguém zeloso da cultura humanista que imaginávamos consolidada no país. O que há é um grupo de bandoleiros e fascínoras que acabaram por se especializar em reforçar o avesso desse horizonte. 

Levando em conta o quadro de dissolução do movimento sindical (leia o post No Brasil, luta de classe é ficção) e a perda de qualquer referência da representação partidária (leia em O Brasil patrimonialista, o esgotamento e a desorientação das forças políticas, IHU), penso que está na cultura e na ação militante dos professores a possibilidade de resgate de um curso histórico progressista e emancipador, de claro perfil socialista). Uma resistência civil dessa ordem deve instituir o simbólico contra-hegemônico como forma de luta que interdite a legitimação da ditadura que está instalada no país.

Leia ainda: * Varoufakis: "austeridade", o ovo da serpente (Outras Palavras) * Mesmo com imagens eróticas mais cruas na internet, Facebook veta seios (Ilustríssima) * Na Web, 12 milhões difundem fake news políticas (Estadão) * Por que um periódico científico aceita um artigo moralmente impalatável (Folha).
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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Todo apoio às denúncias de Janot. Temer na Papuda, já!

Essa arrogância tem prazo de validade: Temer e todos os que traíram a democracia e os direitos sociais no Brasil vão pagar caro por isso... 
Não sei direito quem é Rodrigo Janot. A julgar por uma crônica muito bem escrita por Luis Nassif (leia aqui), o Procurador Geral da República não é lá flor que se cheire e o movimento que ele faz em cena cria  mesmo o estado de suspensão das dúvidas. Mas eu sei bastante a respeito de Michel Temer e do grupo que o acompanhou no golpe do impeachment: são pessoas do mal, gente que tem usado o poder em proveito próprio e da pior forma possível pois subvertem os interesses republicanos em benefício da enorme mancha de corrupção que espalham ao seu redor. São canalhas.

A 2a denúncia que Janot faz a Temer é de estarrecer e só poderia ter sido posta em dúvida se o STF  tivesse afastado o procurador das investigações que vem fazendo por algum tipo de suspeição. Não acredito que qualquer acobertamento pudesse contar com tamanha amplitude de conivências... Ao contrário: penso que as dúvidas que têm sido levantadas sobre ele (inclusive as de Nassif) podem acabar provocando um relaxamento em torno daquele que eu penso ser hoje o maior desafio da sociedade brasileira: destituir o núcleo do poder instituído em torno de Temer, inclusive na área econômica. Então, por conta disso, aqui no meu canto, eu manifesto todo o apoio às denúncias de Rodrigo Janot. Temer na Papuda já,  antes que ele fuja...

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No Brasil, luta de classes é ficção. Que o digam as Centrais Sindicais...

Conciliação não é apenas um desvio ideológico; é burrice e crime
contra os trabalhadores
A montagem que o freqüentador deste blog está vendo ao lado não é uma armação de publicitários que querem enganar o público. É mesmo um fato real: um anúncio que informa sobre a constituição de uma frente disposta a "envidar todos os esforços" para fazer o Brasil crescer e permitir que o desemprego de 13 milhões de brasileiros diminua.

Tudo muito louvável, não fosse o fato de que os signatários da campanha são pelegos sindicais que se unem ao que de pior o empresariado brasileiro tem reunido na FIESP. Uma farsa de conciliação que vem assinada até mesmo pela CTB, a central sindical ligada ao PCdoB. Inimigos de fígado, especialmente depois do golpe do impeachment - responsável pela pior e mais dramática desmontagem dos direitos sociais e trabalhistas arquitetada e implementada por Temer e seus comparsas - agora aparecem suspeitamente abraçados. No lugar da disposição de luta que os trabalhadores esperam de seus representantes, a histórica conciliação de classes que, mais uma vez, beneficia o capital - já suficientemente beneficiado pelas reformas. O anúncio dessa campanha espúria é a prova de um crime.

Leia aqui o contorcionismo discursivo que as centrais sindicais - em especial a CTB - fazem para encontrar alguma justificativa para a sua adesão à política econômica neoliberal de Temer e Meirelles: Centrais entregam proposta para retomar desenvolvimento com geração de emprego (Blog do Renato).
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quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Desde já, Fora Meirelles!

Meirelles, um nome que o Brasil carrega nas
costas desde que Lula teve a infeliz ideia
 de levá-lo para o Banco Centra
l

'Contrato foi tratado com Meirelles', diz advogado acusado por Joesley


O nome do "mercado" para substituir Temer é o do atual ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Até mesmo a tradicional "cantada" de partidos interessados em bancar seu nome já aconteceu, como noticiou a Folha (leia aqui). Esse apoio meio apressado e prematuro tem lógica: Meirelles é um serviçal dos grandes grupos financeiros e uma das maiores incompetências na área econômica, um sujeito fissurado nas políticas recessivas e no duro combate a todas as políticas sociais que possam aliviar a estrutura da concentração da renda no país. Basta observar a situação a que ele tem levado o Brasil desde que assumiu a pasta logo depois da conspiração que derrubou Dilma.

Tomara a sociedade brasileira consiga saber que Meirelles é um nome do esquema JBS, empresa da qual foi assessor  e suspeito de ter participado de todas as falcatruas de Joesley e seu irmão. Digo "tomara" porque Meirelles é também o nome da "grande" mídia e minha impressão é a de que a aposta da nossa corrupção empresarial - hegemônica no governo desde o golpe de 2016 - é a de continuidade dos desmandos que têm sido praticados contra o país. Já antecipo minha posição: Fora Meirelles....
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