segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Os ventos que sopram da Grécia

O grego Alexis Tsipras, do Syriza (à esquerda), e Pablo Iglesias, do movimento espanhol Podemos, líderes do sentimento de rejeição às políticas de austeridade postas em prática na Europa
Bela resposta receberam os banqueiros e empresários reunidos em Davos: na contramão da euforia monetarista que marcou o encontro, os gregos elegeram a coalizão de esquerda Syriza para governar o país. O líder do grupo, Alexis Tsipras, ao lado de Pablo Iglesias, do movimento espanhol Podemos, representa o amplo sentimento de rejeição às políticas de austeridade econômica que a Europa sofre há mais de 5 anos - sem que o crescimento do desemprego e a recessão tenham sido revertidos. Com exceção dos bancos e das grandes empresas, nenhum outro segmento das sociedades europeias tirou qualquer proveito das práticas neoliberais festejadas na Suiça na semana passada.

Uma resenha de boas notícias sobre as eleições gregas pode ser encontrada nas indicações abaixo, mas é curioso que a vitória da esquerda na Grécia tenha ocorrido em seguida aos dias de glória vividos pelo titular da pasta da Fazenda no Brasil, Joaquim Levy. Depois de ser louvado na deselegante e pretensiosa entrevista que Armínio Fraga deu a seu respeito no Estadão (leia aqui), o ministro foi humilhado no tratamento que recebeu dos banqueiros em Davos que o consideraram o "queridinho" (matéria de Clóvis Rossi, na Folha) das práticas ortodoxas que fartam de lucros o grande capital.

É bom que a presidente Dilma respire fundo quando sentir no rosto esses ventos que sopram da Grécia. Eles podem ser uma sinalização para que, ainda em tempo de evitar uma catástrofe social, o Brasil mude o rumo de sua política econômica.

______________________________
O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,esquerda-radical-chega-ao-poder-na-grecia,1624649

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Parece mentira...

Intimidade e prazer: no encontro frustrado com o ministro Levy, Antonio Palocci, um dos ideólogos das práticas neoliberais do governo, é afagado pelo empresário José Antonio Martins, da Marco Polo, na foto de Mastrangelo Reino (Folhapress) 
Estou assustado com a simplicidade com que a presidente Dilma põe em prática a sua "nova política econômica", uma espécie de salvo conduto para o capital financeiro, para a concentração da renda, para o desemprego e para o agravamento dos desequilíbrios estruturais da economia brasileira. Quando surgiram as primeiras notícias de que o governo federal adotaria o "rigor fiscal" para equilibrar as contas públicas - segundo seus defensores, razão fundamental para a recuperação dos investimentos - todo mundo que defende projetos sociais emancipadores ficou com o pé atrás. Afinal, diríamos, é um pequeno ajuste que visa isolar a oposição e recolocar o país na rota do crescimento econômico.

Essa esperança era pura ilusão - como geralmente acontece com as esperanças. Olhando de perto para o que está sendo posto em prática, não se trata de ajuste coisa nenhuma. O que está sendo posto em prática de forma deliberada é um modelo que resgata o que há de pior na história da economia brasileira: uma obsessão pela manutenção das disparidades sociais e uma defesa quase que intransigente do parasitismo do empresariado (ainda que não declarada). No final das contas, o equilíbrio das contas públicas e as consequências monetárias disso só irão beneficiar os lucros dos bancos, os exportadores, os latifundiários e a burguesia rentista que nem precisou votar no Aécio...

É fácil entender: o aumento da arrecadação previsto com a elevação de impostos desta semana, somado ao veto da correção da tabela do imposto de renda, são medidas de natureza recessiva cuja consequência mais importante é a retração do mercado consumidor. Com isso, é o desemprego que cresce, como já antecipou a OIT em relação aos próximos 3 anos, enquanto se mantém inalterada a orgia das desonerações (R$ 100 bilhões em 2014), os subsídios dos empresários com recursos públicos e os cortes nos projetos sociais... Parece mentira...

Leia ainda: Baque no emprego e renda em 2015 * O reajuste do ajuste brasileiro * Seguro desemprego é benefício ultrapassado, diz Joaquim Levy * Em entrevista ao Financial Times, Levy reforça compromisso com reformas
______________________________

sábado, 17 de janeiro de 2015

E agora, com a poeira mais baixa...

Essa onda de justos lamentos que varreu praticamente o mundo todo depois do atentado ao jornal Charlie Hebdo vai dando lugar a um outro igualmente justo sentimento de indignação com a farsa que as principais lideranças mundiais montaram em torno do espisódio. A mídia alternativa levanta questões que engasgam. Abaixo, algumas dessas matérias:

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Crise

E se a água realmente acabar em São Paulo?
Água deve acabar e colapso acarretará em êxodo urbano em São Paulo, garantem especialistas. Problema ainda não foi tratado com realismo por parte da mídia e das autoridades (leia a íntegra da matéria postada no site Pragmatismo Político)




sábado, 10 de janeiro de 2015

A tagarelice do ministro

Cid Gomes parece que gosta desse cenário midiático, mas até agora mostrou apenas uma formidável disposição para falar obviedades, lugares comuns que mais escondem do que mostram seu parco conhecimento sobre as demandas estratégicas da Educação brasileira.
Até agora o ministro da Educação vai despontando como o mais disponível e falante de toda a equipe do novo governo Dilma. Mesmo antes da posse, o ex-governador Cid Gomes já posava de "estrategista" da pasta ao reavivar o desrespeito aos professores do seu estado que, em greve, pedem melhores salários: o então futuro ministro não teve dúvidas em sair-se com a célebre recomendação de que os mestres que não se dispõem ao "sacerdócio" devem procurar outra profissão. Num governo de ministros de respeito, Cid Gomes teria sido preventivamente demitido... por justa causa.

O novo ministro, na verdade, esconde sua falta de projeto e de entendimento do que acontece na Educação brasileira com um rosário de afirmações óbvias, puros truísmos. Já empossado, pinçou de um mau momento da presidente na época da campanha eleitoral e prometeu a reforma do ensino médio em 2 anos. Logo em seguida, ainda ontem, disse ser a favor do Enem eletrônico; e na mesma falação acrescentou que é necessário economizar recursos da sua pasta, justificando o tremendo corte no orçamento que uma das áreas mais importantes do governo sofreu. Alguém discorda do ministro? 

Eu gostaria muito de saber por que Cid Gomes acha que a reforma do ensino médio é prioridade, por que o simulacro de avaliação do Enem precisa ser mantido, por que o país deve reduzir a expansão da rede pública de ensino e privilegiar o custeio de interesses privados com recusos subtraídos do orçamento da União. Se não fosse muito, também gostaria de saber o que o ministro pensa da crise profunda pela qual passa a nossa Universidade; quais os mecanismos que pretende utilizar para disciplinar as instituições particulares; qual a diretriz que pretende oferecer ao MEC para o Sistema Nacional de Pós-Graduação. Esses sim, são temas sobre os quais o ex-governador do Ceará deveria se manifestar mais consequentemente e menos espetacularmente. Ou será esse o perfil do moço? Estamos bem arranjados...
______________________________