sexta-feira, 29 de abril de 2016

A identidade de um possível governo Temer é de chorar...

A pior história não é Eduardo Cunha virar presidente
no caso de um afastamento de Temer (uma viagem, por exemplo);
a pior história é Cunha ser convidado para chefiar a Casa Civil.
É colocar o ladrão dentro do cofre.
As notícias sobre os arranjos que Michel Temer tem feito para conseguir levar à frente o golpe e se instalar - à revelia da Constituição - na Presidência da República são todas elas motivo de medo, tal é a profusão de compromissos de todo o tipo, invariavelmente reacionários, que sinalizam dias muito ruins para a sociedade brasileira.

O primeiro bloco dessas informações diz respeito ao ordenamento econômico e fiscal: na linha do equilíbrio orçamentário, Temer avisou que vai rever programas sociais, já que esse é um dos grandes motivos da conspiração que procura afastar Dilma do governo (leia aqui a matéria do Valor Econômico). Segundo Ricardo Paes de Barros, mentirosamente apontado por Temer como um dos criadores dos projetos do PT (leia aqui), o corte será linear em vários setores: da alimentação à educação. O desenho da sustentação de um eventual governo golpista parece confirmar, portanto, que seu fundamento econômico será o de interromper e desfazer a transferência de renda que ocorreu desde 2003 na direção dos setores de baixo poder de compra. Sem tocar no sistema de parasitismo fiscal dos empresários, alocando mais recursos públicos para o setor através das PPPs, a conspiração parece encontrar aí a sublimação que lhe deu origem.

O segundo bloco é o da colcha de retalhos em que vai se transformando o apoio político-partidário que Temer está desesperadamente procurando, além dos grupos que descaradamente o procuram (o caso do PSDB chega a ser humilhante). Não há ninguém que possa ser levado a sério entre os "convidados" para integrar um eventual ministério golpista, ou pelo menos ninguém que possa ser levado a sério na pasta que ocuparia. Afinal, o que é exatamente que Serra faria no Itamaraty? E Moreira Franco no "núcleo duro do poder"? Moreira Franco? Mas há exceções: ninguém tem dúvida sobre o que faria no Ministério da Agricultura um picareta como Ronaldo Caiado, nem sobre quais os prejuízos que os trabalhadores teriam com o Paulinho da Força no Ministério do Trabalho. A articulação golpista pode ter imaginado, em algum momento de euforia com a queda de popularidade de Dilma, que a desmoralização dos espaços de representação política não a atingisse... Na verdade, é oposto o que ocorreu: Temer desfruta dos piores índices de aceitação popular, fato que o coloca na linha de tiro de uma crise de proporções extraordinárias.

E é bom lembrar: mesmo afastada, Dilma continua tendo nas mãos diversas prerrogativas da Presidência da República, cargo que continuará ocupando até o julgamento final do impeachment. Nem ministros o golpista Temer poderá nomear (leia aqui). Portanto, essa valsa que um suposto governo provisório ensaia é mesmo encenação que visa construir em torno do golpe um arremate de legitimação que não está previsto na Lei.

Temer joga dados e transforma as expectativas em torno de um eventual
governo seu em roleta de apostas, mas quem ganha com
isso é o empresariado. Dane-se a sociedade brasileira...
(ilustração de GGN)
Leia mais: * Temer planeja criar conselho para acelerar privatizações (Estadão) * O pau vai comer (vídeo com Paulo Henrique Amorim) * Crise sem vencedores: PT, Temer e oposição em baixa nas pesquisas (El País) * Dilma pode ter governo paralelo contra Temer (Brasil 24/7) * Sindicalistas vão tentar impedir mudança de direitos (Estadão) * O xadrez do nó econômico com Michel Temer (Luis Nassif, GGN) * MST faz marchas e invade terras contra o impeachment (Estadão) * Governo que venha a surgir do golpe vai enfrentar classes populares (Paulo Sérgio Pinheiro, Ópera Mundi) * As instituições de 88 e o governo dos demônios (João Feres Jr, via GGN) * Resenha: os idos de março e os vindos de abril (do blog).

Em tempo: nem bem compartilhei este post no twitter e recebi a sutil e inteligente observação de @ale_benevides: "o erro está na essência. Nem que fosse um governo de notáveis se justificaria". Ótimo, Alê: "nem que fosse". Qualquer governo de Temer é - e será - ilegítimo e desqualificado...
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quarta-feira, 27 de abril de 2016

Tempos difíceis

Personagens que não frequentavam as colunas  políticas desde o tempo dos militares começam  a se aproximar sorrateiramente dos golpistas.  Observem bem a mansidão com que eles caminham e se possível espantem a praga.

Leio no noticiário que Temer - uma das figuras mais iníquas e medíocres da história política brasileira e que agora abre as asas sobre a presidência da república - encontrou tempo para receber a "benção" do Malafaia - que todo mundo sabe quem é. Uma imagem apropriada para estes tempos: compungido e cabisbaixo, tenso e o tempo todo amedrontado com as promissórias que assina todos os dias em busca de respaldo para o golpe que está liderando, o vice-presidente deve ter ouvido algumas recomendações bíblicas do "pastor", como se o próprio "bispo" fosse capaz de entender os trechos que pinça do Livro Sagrado.

No conjunto, é uma farsa. Ambos sabem muito bem como chegaram até ali: são testas de ferro menores da liquidação que empresários e outros representantes da elite brasileira estão promovendo com a nação. Fernando Henrique, Serra, Anastasia, Aécio, Cunha, Skaf, uma verdadeira quadrilha de maus elementos, derrotados em sucessivas eleições,  arredios e avessos às profundas questões sociais que o país vive, fizeram a escolha da ilegitimidade para compensar o que são. Se é verdadeiro o balcão de negócios que montaram com o Temer para viabilizar sua eventual posse na presidência (e tudo indica que é), o Brasil está diante de seu pior momento. É uma pena que tenhamos chegado a esse ponto.

Mas a História, é claro, não termina. Em primeiro lugar, porque nada ainda está decidido. Como disse alguém, política é como nuvem: você olha, e está de um jeito; olha de novo e o jeito é outro. A dinâmica dos movimentos sociais, a indignação geral que ainda não cessou de crescer, aqui e no exterior, desde a baixaria construída por Cunha e exibida em rede na votação do dia 17, o que resta de dignidade nas instâncias da Justiça, tudo isso são variáveis que podem alterar o rumo dos acontecimentos. Além disso, ganha consistência a proposta de eleições gerais antecipadas para contornar a formidável crise de representação em que se constitui um eventual governo Temer. E há a desobediência civil. Tudo tem que ser feito, na minha opinião, para inviabilizar a administração golpista. Vamos ver...

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terça-feira, 26 de abril de 2016

Fábio Konder Comparato: processo do impeachment foi inteiramente forjado

Em entrevista dada ao portal do Instituto Humanitas Unisinos, o jurista afirma que "o presidente da Câmara dos Deputados e seus auxiliares forjaram grosseiramente a existência de um crise de responsabilidade da Presidente Dilma Rousseff". Frente a isso, ainda que o processo seja de responsabilidade da Câmara, o STF não pode se manter indiferente à sua ilegalidade.

Para o jurista, a artificialidade do processo tem como causa a postura irredutível das elites brasileiras em aceitar a democratização social da chefia do executivo ocorrida com as eleições de 2002. Na interpretação possível das palavras de Comparato, data de então o processo de conspiração que agora atinge seu auge - facilitado pela crise econômica vivida pelo Brasil nos últimos anos. Leia aqui a entrevista de Comparato.

Leia ainda: Brasil está se despedindo da política praticada nos últimos 80 anos. Entrevista com Luiz Wernek Viana, também publicada no portal IHU.
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domingo, 24 de abril de 2016

Nassif volta à carga e Temer, escondido pela Globo, só tem 8% de aprovação dos eleitores.

O jornalista Luis Nassif, não contente em ter desancado o STF inteiro ao cobrar da Suprema Corte alguma coerência na avaliação da farsa em que se transformou o golpe parlamentar contra a presidente eleita Dilma Rousseff, agora vai para cima da jugular do decano do tribunal, o ministro Celso de Mello ("um blefe" no STF, segundo o editor do GGN).

Nassif não faz muita cerimônia para definir a atuação de Mello: "seu conhecimento enciclopédico não está a serviço do discernimento. Na economia, seria um cabeça de planilha: o sujeito capa de montar planilhas complexas, séries estatísticas enormes, correlacionando índices de fome incorreta". Um néscio... Vale a pena ler o documento divulgado aqui via Blog do Miro.
Enquanto isso...
Temer nos faz lembrar do filme
O homem que não estava lá, dos irmãos Cohen: "não

sou um barbeiro; eu só estava lá", diz o personagem
principal da trama, vítima de acontecimentos que não 
controla.

Na foto ao lado, no banco de trás do veículo, o pulha Michel Temer, escondido das vistas do povo - que ele teme mais que o demo -, segue inseguro sobre o seu destino.

E não é para menos: pesquisa feita pela Globo, mas divulgada sem nenhum alarde, dá conta de que mirrados 8% dos entrevistados apoiam sua eventual chegada à Presidência da República (leia aqui). Pior que isso, só mesmo o Filipão depois dos 7x1 para a Alemanha.
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José de Abreu - o fato e as explicações para o fato


O ator José de Abreu protagonizou uma cena lamentável de agressividade e de descontrole num restaurante em São Paulo (leia aqui a matéria do Estadão), ao que parece suficientemente comprovada pelo vídeo acima. Não sei se um flagrante desses faz parte do arsenal de artimanhas que a campanha golpista usa para desmoralizar o movimento que defende a presidente Dilma. O que eu sei é que, se verdadeira, a atitude do cara é desprezível e com certeza não acrescenta absolutamente nada aos princípios de tolerância com os quais os conservadores brasileiros - essa elite burra que tem em Skaf, Cunha e Temer representantes da pior espécie na vida nacional - não conseguem conviver. Fazendo o que fez, Abreu se coloca no mesmo lugar e nível daqueles que o ofenderam no restaurante.

Dar para a mídia golpista uma deixa dessas, permitir que a luta pela democracia se confunda com baixarias dessa espécie, é uma derrota.

As explicações de José de Abreu dadas no Faustão de 24 de abril:


* José de Abreu defende cusparada no casal que o ofendeu: "foi reação de um ser humano normal" (Estadão)

* A polêmica: Por que se esconde o casal que tirou José de Abreu do sério?
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sexta-feira, 22 de abril de 2016

Luis Nassif divulga carta aberta aos ministros do Supremo Tribunal Federal

O jornalista Luis Nassif, editor do  Jornal de Todos os Brasis (GGN), divulgou hoje na carta aberta aos ministros do Supremo Tribunal Federal. O documento, de forte apelo cidadão, questiona a passividade e aparente indiferença dos integrantes do STF diante da possibilidade de que se cometa o mais ruinoso golpe contra as instituições democráticas e contra a vontade popular.

Ao se dirigir aos integrantes da Suprema Corte brasileira, Nassif afirma: "os senhores estão desertando da linha de frente da grande luta civilizatória e deixando a nação exposta a esse exército de zumbis, querendo puxar de novo o país para as profundezas". 

O documento do jornalista surge no momento em que se agigantam no mundo inteiro movimentos de indignação contra a articulação conservadora que quer transformar o país em pastagem do grande capital e dos interesses privados. Tudo indica que o clamor da sociedade contra os facínoras Paulo Skaf, Michel Temer e Eduardo Cunha adquiriu um novo ritmo e cresce por toda a parte o coro contra a palhaçada em que se transformou a sessão da Câmara no domingo passado, 17 de abril.

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