quarta-feira, 23 de maio de 2018

PROFESSORES PARALISAM AS AULAS NESTA 4a FEIRA

Se empresários não recuarem em sua obsessão em acabar com direitos trabalhistas dos professores, deve ter greve a partir da próxima 2a feira
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terça-feira, 22 de maio de 2018

Política de austeridade elevará mortalidade infantil em 8,6% até 2030, diz estudo

El País
Matérias do Estadão e do El País exibem dados científicos sobre as conseqüências criminosas das políticas de retração dos investimentos públicos promovidas pelos golpistas para beneficiar empresários e bancos
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Golpe joga o Brasil no fundo do poço

“O futuro não ia ser assim”: Pobreza extrema volta a crescer no Brasil

Tom Avendaño, El País
Brasileiros amargam  e sofrem gravemente na pele a aventura do golpe que derrubou Dilma Rousseff: país encontra-se em colapso social e econômico inédito em toda a história
(via El País) Em 14 de maio de 2017, Maria Silva Nunes, sexagenária, negra e com uma expressão de cansaço permanente no rosto, passou da classe social mais baixa do Brasil para a pobreza extrema. Era o Dia das Mães e sua família, com a qual levava uma vida precária em Heliópolis, a favela mais populosa de São Paulo, ia se reunir para comemorar. Ali estavam suas três filhas: a doente que ainda mora com ela, a que teve o primeiro de três filhos aos 16 anos e até a que está na prisão, beneficiada pelo indulto do Dia das Mães. O dia começou bem e terminou no extremo oposto. “Fabiana, a do meio, parecia que estava dormindo na cadeira, cansada de tanta criança e tanta festa, mas não estava dormindo, estava morta”, lembra Maria Silva, retorcendo os punhos encostados na mesa do refeitório de uma escola. Não revela a causa da morte: aperta os lábios como se reprimisse um gesto, aguardando a próxima pergunta. “Ela estava morta, o queixo estava no peito. Morta.” (continue a leitura).

Leia ainda: * Desemprego cresce e já atinge quase um terço dos jovens (IHU) * Brasil atinge recorde de 27,7 milhões de pessoas sem trabalho, diz IBGE (Gauchazh) * Crise tirou 170 mil jovens da faculdade (Estadão) * Brasil é um dos cinco países do mundo que mais vende terras a estrangeiros (El País) * Temer assina MP que estingue Fundo Soberano (Estadão) * Adeus às ilusões (Estadão)
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segunda-feira, 21 de maio de 2018

Professores exigem respeito absoluto aos seus direitos


(via Sinpro-Sp) Dia 23 de maio não haverá aula nas escolas particulares. Os professores estarão reunidos em assembleia, lutando por melhores condições de 
trabalho e por uma educação de qualidade. 

Será um dia de paralisação, de protesto e de alerta. A assembleia deve confirmar um indicativo de greve a partir do dia 28 de maio, caso os representantes das escolas insistam na retirada de direitos como recesso, férias coletivas, garantia semestral de salários e bolsas de estudo. Será um dia de paralisação, de protesto e de alerta. A assembleia deve confirmar um indicativo de greve a partir do dia 28 de maio, caso os representantes das escolas insistam na retirada de direitos como recesso, férias coletivas, garantia semestral de salários e bolsas de estudo. 

Desde o início da Campanha Salarial, o Sindicato dos Professores de São Paulo tem procurado manter integralmente a Convenção Coletiva, um instrumento com força de lei que regula as relações de trabalho nas escolas e assegura direitos aos professores. 

Radicalizadas, as escolas particulares optaram pelo litígio. Deslumbrados pela reforma trabalhista, os patrões apostaram na retirada de direitos e no esvaziamento da Convenção Coletiva. O que querem é ter liberdade para fazer suas próprias regras e contratar a baixo custo. 

Foi este o motivo que levou o sindicato patronal a defender o desmonte da Convenção e rejeitar duas propostas de conciliação apresentadas pelo Tribunal Regional do Trabalho. É um engano supor que o conflito esteja limitado à relação entre os dois sindicatos. Todas as escolas, por omissão, conivência ou interesse particular dissimulado, são responsáveis pela falta de uma alternativa negociada. 

É em defesa de uma Convenção Coletiva plena e universal que nossa luta está sendo travada. Os professores não aceitarão a perda de direitos. Este é um ato de resistência que vai além das condições de trabalho. É também uma luta pela dignidade e pelo respeito que a nossa profissão exige.

domingo, 20 de maio de 2018

Reformas pós-golpe jogam país em crise profunda e as eleições podem não ser a saída

Folha
Um país de gente desesperançada e insegura, sem proteção social e à margem da vida produtiva. São os nossos empresários golpistas os que gostam e se regalam com isso
Diz o Uol que o Brasil possuia no 1o. trimestre deste ano 10,7 milhões de trabalhadores informais, um número 5% maior que no mesmo período do ano passado (leia aqui). Entenda-se por trabalhador informal o cidadão que despende seu esforço sem qualquer regime de garantia legal, o que o faz além de aceitar condições indignas e selvagens de subordinação, salários aviltantes. Não sei se o conceito de precariado surgido nos estudos sobre as mudanças que vêm se expandindo no mundo todo na esteira do neoliberalismo; sei que, no Brasil, a ampliação dessa forma de existência cresce na maré da obsessão desregulamentadora dos empresários, os únicos beneficiados com as mudanças na legislação trabalhista que vigoram desde o fim de 2017.

A matéria do Uol, na verdade, não é exatamente uma denúncia sobre o processo de desmontagem das normas que regulam a vida dos trabalhadores, mas uma espécie de manual de sobrevivência para aqueles que se encontram nessa situação: a precarização salarial e desgarantida dificulta de tal forma o cotidiano da vítima do novo sistema que ele vive quase à margem do mercado ou insere-se nele sob a tortuosa chantagem que sofre exatamente por conta da fragilidade de sua situação. Pode-se afirmar que o golpe colocou o Brasil numa situação inusitada na História: uma sociedade onde a riqueza gerada pelo trabalho subtrai a garantia de sustento de quem trabalha... um processo na contra mão de tudo quanto aconteceu depois da Revolução Industrial no século XVIII.

Questões éticas à parte (como se isso fosse possível), o fato concreto é que essa retração no poder de compra de parcela significativa da população brasileira (os 5% apontados no início deste comentário é um índice de aumento maior que qualquer outro padrão de referência: população, PIB, inflação), associada aos 14 milhões de desempregados, aos 53 milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza e à retração dos investimentos públicos, provocam uma paralisia geral na economia, um emagrecimento do mercado interno cuja consequência só pode ser mesmo essa: um país atolado, nas mãos de um empresariado sem qualquer projeto que sustente seus próprios interesses. É a Folha que registra o círculo na matéria Análise de crises passadas indica que Brasil vive a pior retomada da história, fato que os economistas atribuem à capacidade ociosa dos setores produtivos. Claro, como superar a ociosidade, recuperar investimentos num quadro de depressão do mercado consumidor?

Depois dos argumentos usados no artigo de Wlliam Nozaki sobre a dificuldade que os analisas políticos tradicionais têm para interpretar as escolhas dos eleitores (leia aqui) parece mesmo que a fratura do país escapa aos limites da rotulagem esquerda x direita, exibindo antes um antagonismo entre o projeto da sociedade e o projeto dos privilégios das elites que talvez não se resolva nas urnas...