domingo, 10 de novembro de 2019

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Lula nos braços do povo (I)

8 de novembro de 2019: a vitória da Lei contra o arbítrio
Fora Bolsonaro! Fora Moro!

O dia da libertação de Lula vai passar para a História como uma dessas datas em que as paixões se confundem e todas formam um nevoeiro de imagens cuja definição precisa é difícil de perceber. Qualquer análise da festa em que o Brasil inteiro se transformou é prematura e invariavelmente incompleta. A única coisa que me parece refletir o momento vivido é o encantamento que ele provoca. O encantamento é a realidade... 
Apesar disso, ouso fazer duas considerações (apressadas) sobre o 8 de novembro. 

A primeira delas diz respeito ao impacto que Lula livre tem no cenário político brasileiro, esse o fato de maior dimensão. Arrisco a dizer que esse amontado de estúpidos que formam o "governo Bolsonaro" vai ter dificuldade em se recompor. Contra o quê a sociedade brasileira está lutando? Contra um projeto de dissolução de direitos e de agravamento das disparidades sociais; um projeto feito sob encomenda para os atrasados e selvagens empresários que pensam na acumulação do capital como um exercício de espoliação. O resultado desses tristes 10 meses do mandato do ex-capitão é o que se vê: um país miserável, estagnado, sem soberania para decidir sobre sua riqueza, com direitos sociais revogados, aparelho do mais retrógrado conservadorismo de que se tem notícia. 

A plataforma do imaginário popular: "quero
meu amor de volta"
Lula livre é a alternativa disso tudo, como sacou de forma precisa o cartunista que o vê como o mandingueiro que cura tudo, como honra prometer o populismo que rejeita a racionalidade política e instaura o  imaginário como critério da adesão popular. Para chegar perto disso, Bolsonaro inventou até uma facada e não deu certo. Na verdade, o ex-capitão, seus filhos e seus seguidores não têm o que dizer e são pequenos demais para entender o que está se passando à sua volta. É minha primeira e mais arriscada interpretação do 8 de novembro: o "governo" Bolsonaro está em queda livre e vai comer o pão que o diabo amassou com Lula nas ruas.

A segunda observação me é permitida pelo arranjo narrativo que as facções neoconservadoras da polítíca brasileira montaram antes e depois da decisão do STF: Lula livre é a exacerbação do radicalismo; a consolidação da polarização, como se isso fosse um mal a ser combatido pela prisão do ex-presidente, como se a privação de liberdade conseguida através dos processos da Lava Jato manipulados por esse merda chamado Sergio Moro já não o fosse. 

Moro e Bolsonaro: pequenos e covardes

Essa polarização que vai decorrer da liberdade de Lula é o melhor ar puro que a política brasileira pode respirar, a demarcação dos interesses de classe e a construção dos projetos que podem dar fim ao aparato da segregação social que humilha nossa sociedade. Nossas elites, já na campanha do golpe que destituiu Dilma, perderam o senso de sua responsabilidade dirigente e decidiram, elas sim, pelo aprofundamento da radicalização da miséria. Vão pagar agora o preço que isso tem na História. Como disse Priscila Figueiredo em Outras Palavras: "a conciliação [de classes] é vã".

O que sobra é o aumento do prestígio internacional do Brasil - que até outro dia era um país habitado por um bando de gente inconsciente de seus direitos e fantoche do imperialismo. A julgar pelas manifestações de regojizo que continuam chegando à imprensa vindas de diversas partes do mundo, nossa fisionomia global melhorou: não fomos às ruas [como os chilenos] nem votamos na oposição [como os argentinos]; ainda não chegamos ao processo do impeachment do presidente [como os estadunidenses], mas já conseguimos devolver Lula para os braços do povo.

Pelas ilustrações, Rita (do SinproSP)
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domingo, 27 de outubro de 2019

Marcuse segundo Marcio Pochmann




Leia também: * O socialismo é necessário (entrevista com JeanPaul Vitoussi (IHU).
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