domingo, 28 de maio de 2017

Copacabana

Manifestação no Rio contra Temer e por eleições gerais e diretas já (leia no El País)
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sábado, 27 de maio de 2017

Dominação financeira, o caminho ao caos (Ladislau Dowbor, Outras Palavras)

Massacre na Coreia, Pablo Picasso (1951)
A semanas de lançar novo livro, Ladislau Dowbor sustenta: foi o controle exercido pelos bancos sobre orçamento público e o das famílias que provocou crise do lulismo e espiral do golpe
O modelo brasileiro de desenvolvimento da última década ia bem obrigado. Um conjunto de programas econômicos e sociais, como a elevação do salário mínimo, ampliação das aposentadorias, transferências para as famílias mais pobres, expansão da educação e dos serviços de saúde, amplos investimentos em infraestruturas e outros programas ampliaram a demanda para as empresas, o que por sua vez, além de gerar produtos, gerou mais de 10 milhões de empregos formais, ampliando ainda mais a demanda – levando ao chamado “círculo virtuoso” de crescimento: dinamizou-se a economia, ao mesmo tempo que se respondia às necessidades reais da população, priorizando quem mais precisa. E como uma economia mais dinâmica gera mais recursos públicos, foi possível equilibrar o financiamento do conjunto, inclusive as políticas sociais e redistributivas (continue a leitura).
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quinta-feira, 25 de maio de 2017

Os autores da violência em Brasília

Baderna coisa nenhuma: Temer e sua gangue impuseram
o caos em Brasília com repressão selvagem, típica dos
tempos da ditadura. Fora com eles!
Estive em Brasília nesta 4a feira. Viajei acompanhado de amigos professores, todos do Sinpro-Sp, que compartilham comigo a indignação e a repulsa contra o governo de Michel Temer, a condenação radical às reformas que, de forma ilegítima, esse impostor tenta impor à sociedade brasileira como recompensa ao empresariado que apoiou o impeachment. 

A manifestação no Distrito Federal, em meio às evidências de apodrecimento do governo, me parecem ter sido o ponto máximo a que chegou o isolamento de Temer, na minha opinião o núcleo que articula toda a expectativa do conservadorismo em torno do retrocesso social que o golpe contra Dilma tenta enfia goela abaixo dos trabalhadores. Esse é o motivo pelo qual penso que a campanha Fora Temer! é aquela que desmonta, na Câmara e no Senado, a viabilidade de aprovação das reformas, em especial a da Previdência e Trabalhista.

Na minha interpretação, o radicalismo com que a manifestação em Brasília foi reprimida dá bem a medida deste fato: o esgotamento da capacidade de Temer em manter sua base de apoio que se esfacela na mesma medida em que os escândalos se ampliam, conjuntura que o teria levado a escolher a clássica saída que nossa burguesia sempre trilha quando se vê diante da ameaça de perder seus privilégios selvagens: a democracia que se dane! Chamem os militares para tutelar o poder civil!

Foi o que Temer fez, descendo ao inferno com sua indignidade e vilania. Vai cair mesmo...

Leia mais: * Relevante e protagonista (Vargas Neto, Vermelho) * Triste país onde depredação é escândalo mas massacre de 10 posseiros não (Mario Magalhães, Uol) * Decreto de Temer autoriza Forças Armadas no DF por 8 dias (Jota) * O que diz a lei sobre uso do Exército em função de polícia (Nexo) * Saiba quantos e quais são os políticos próximos a Temer investigados (Poder 360) * PIB vai "renunciar" a Temer por reformas (Sakamoto, Uol) * Vítima de arma de fogo no protesto de Brasília respira por aparelhos (Fórum)* ONU e CIDH condenam violência policial durante manifestação em Brasília (Opera Mundi). E para terminar, Eliane Brum: Black Blocs, os corpos e as coisas (El País).
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quarta-feira, 24 de maio de 2017

Doria: fantasia de uma vida inteira a serviço da limpeza social

Travestido de miliciano purificador da cidade, Doria caminha
e meio à destruição da Cracolândia. O olhar determinado
que ele mostra na foto é uma ameaça contra uma sociedade
que ele não conhece e pela qual tem profunda aversão
 A população de São Paulo só agora vai, aos poucos, tomando conhecimento da personalidade do prefeito que elegeu no ano passado: autoritário, arrogante e praticante exímio da arte cultivada pelo grupo social do qual se origina: a limpeza social da cidade. O tratamento que esse cara deu à Cracolândia obedece a mesma lógica de outras iniciativas suas: apagar o problema a partir de sua higienização ou de seu ocultamento. É uma saga de gerações inteiras das elites brasileiras.

Na nossa história, foi assim com o branqueamento dos escravos negros ou com sua ocultação como chaga social; na Alemanha, Hitler pensou a mesma coisa com a arianização da sociedade. Com Doria, vale pintar os muros, sumir com a Virada Cultural, alienar os bens públicos ou apropriar-se privadamente deles como aconteceu em Campos do Jordão; varrer obsessivamente as ruas ou, como agora, espalhar o caos e o terror na Cracolândia. Observando bem o olhar envidraçado que o prefeito ostenta nessas ações ajardinadoras da cidade (tudo deve ficar parecido com os Jardins), há ali uma pulsão da personalidade que cultiva um desejo de vingança que vem de longe. Vai saber... O que eu sei é que uma pessoa dessas não pode governar: ela está incapacitada para alargar sua visão sobre o exercício do poder, alargar além da esfera da força e da prepotência e a prova disso é o absoluto zero em que a gestão de Doria se transformou até aqui. Ou alguém é capaz de apontar uma única coisa relevante para a cidade que ele fez desde que tomou posse. O prefeito é uma ameaça...

Leia mais sobre este triste assunto: * Prisões, confronto e fim do Braços Abertos (Jovem Pan) * O que há por trás da ação higienista na Cracolândia? (Cidades para que(m)?) * Cracolândia sitiada: novo urbanismo militar em SP (Terra em Transe) * Operação na cracolândia foi selvageria sem paralelo (Uol) * Gestão Doria inicia demolição de prédio com moradores dentro (El País) * Doria banca de xerife na Cracolândia para se esconder do gangsterismo de Aécio e Temer (Fórum) * O fascismo de cada dia (GGN) * O pequeno prefeito de São Paulo na sua verdadeira dimensão (clipping do blog).

Atualização: Doria descumpre promessas, perde secretária e nova cracolândia surge (Uol) * Prefeitura quer internação à força; promotor teme caça humana (Estadão) * MP pede que Justiça proíbais internações compulsórias sob risco de caos em SP (Uol) * Doria serve comida podre a acolhidos da Cracolândia (Folha) * Cracolândia: muito dinheiro por trás da violência (Outras Palavras) * Cracolândia: Doria, um prefeito que não entende de gente (El País) * Com ações apressadas e improvisadas, Cracolândia vira a primeira pedra no sapato de Doria (El País) * Doria vai terceirizar a apreensão na Cracolândia (Estadão) * Justiça suspende liminar que permitia a Doria recolher usuários à força (Folha).
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segunda-feira, 22 de maio de 2017

Por que Eleições Gerais e Diretas Já?

Henrique Meirelles é outro fantoche do grande capital
e um sujeito cuja presença na JBS precisa ser investigada
a fundo, principalmente quando, mesmo tendo deixado a
função que ocupava, atuou como conhecedor privilegiado das
políticas cambiais e tarifárias do governo golpista de Temer
Na foto ao lado, o Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, quando ocupava o cargo de um dos principais dirigentes da JBS, junto com seu patrão, Joesley Batista. Diz a "grande imprensa", não sem um certo prazer mórbido para que o poder não lhe escape das mãos, que Meirelles - um sujeito de reconhecida incompetência na área econômica e que reduz a crise brasileira à subtração de recursos públicos para as áreas sociais -, diz essa imprensa que Meirelles é o nome que está sendo articulado para a eventualidade de uma escolha indireta do substituto de Temer.

A justificativa é tão simples quanto estúpida: é preciso que as reformas continuem sendo tocadas e o nome que tem o respaldo do "mercado" para isso é o do atual Ministro da Fazenda. Não fossem outros os motivos - entre eles o de afastar os interesses econômicos do papel de formuladores únicos do projeto nacional - bastaria esse para justificar por que as eleições têm que ser gerais (para todos os cargos eletivos) e diretas (pela soberania do voto popular).

O oposto das diretas é a pressão ostensiva do "mercado" (que, no noticiário, é o nome de fantasia do capital) para que o sucessor não esmoreça nas "reformas" (o nome de fantasia para a retirada dos direitos). É impressionante como, na imprensa, a necessidade de ouvir a população é desdenhada como irrelevante ou estigmatizada como "golpe" (!), mas as vozes do capital são reverberadas cuidadosamente. O recado é claro: a vontade popular não pode atrapalhar a vontade do "mercado". O casamento entre capitalismo e democracia, que sempre foi tenso, agora se mostra claramente como uma relação abusiva. A regra era que o capital impunha sua vontade pelos mecanismos do mercado, o que já lhe dava um poder de pressão descomunal, mas os não-proprietários tinham a chance de limitar esse poder graças ao processo eleitoral. Essa salvaguarda não é mais aceita. Ela terá que ser imposta novamente ao capital, como o foi nas primeiras décadas do século XX (Mais cinco observações sobre o momento atual da crise, Luis Felipe Miguel, GNN).
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sexta-feira, 19 de maio de 2017

Temer é um usurpador e deve ser afastado do governo pelo caminho da desobediência civil

O cotidiano brasileiro constroi uma nova paisagem, aquela das
 bandeiras improvisadas que registram a ampla indignação da sociedade
Acho que não há a menor possibilidade de que esse conflito seja resolvido
 plenamente nos marcos da legalidade constitucional  tal como a sucessão
 presidencial nas condições presentes está inscrita na carta de 1988 (foto, El País)
Uma nota perdida no meio de tantas pequenas notícias que gravitam em torno da forma aviltante com a qual Temer se aferra ao poder ilegítimo que tem nas mãos diz respeito a uma entrevista do Presidente do Banco Central (um sujeito que não foi submetido a um único escrutínio sequer para ocupar o cargo que ocupa), llan Goldfajn. Segundo ele, "o governo (...) vai em breve abolir uma regra antiga sobre a entrada de bancos estrangeiros no país: não será necessária a assinatura [sequer] do presidente da República" (leia aqui)

Para Goldfajn, que até ser indicado para o BC era alto funcionário do Banco Itaú, a "formalidade" pela qual o presidente da República chancelava o ingresso de uma instituição financeira para atuar no Brasil era apenas isso, uma "formalidade (...) que produzia uma percepção ruim a respeito do Brasil no exterior". Percepção ruim a respeito do Brasil o exterior, este é o eufemismo com o qual o capital estrangeiro traduz sua disposição em avançar de forma descontrolada sobre mais um dos setores da nossa economia, descapitalizando a riqueza gerada pelo nosso trabalho, como já o faz com as remessas de lucros, com a rapina sobre a Petrobrás e com uma série interminável de mecanismos de transferência de renda do assalariado para a riqueza privada, aliás, a essência da filosofia de todas as reformas cuja implantação está sendo tentada pelo fracassado e repugnante Michel Temer.

Penso que neste momento de verdadeira convulsão política em que o Brasil vive - a rigor, há um vácuo institucional no país que o deixa em absoluto descontrole - é que se evidenciam os verdadeiros objetivos do golpe que destituiu Dilma Rousseff: a alienação integral da soberania como forma de atender aos interesses privados - internos e externos - que impuseram sua estratégia de dominação com a plena conivência do empresariado brasileiro e dos estamentos (valeu, Ailton) que o servem.

Tudo isso pra dizer da minha conclusão (inconclusa, ainda) sobre a significação do momento: o Brasil esta nas mãos de usurpadores. Ainda que sob o artifício da legalidade com a qual os golpistas protegem a selvageria com que estão desconstruindo o país, o fato concreto é que falta a esse grupo o atendimento essencial que a regra democrática exige para que a essência do poder seja cumprida: a representação do interesse nacional e socialmente majoritário. Sem que isso seja atendido o que há é a usurpação arbitrária (ainda que legalizada por meio de subterfúgios até mesmo constitucionais).

Penso que é isso o que alimenta a urgência em destituir o governo, interditando-o nas ruas por meio de uma ampla desobediência civil - "a pedra de toque do Estado democrático de direito", como definiu Habermas -  que caracterize a ruptura definitiva entre sociedade e Estado. A ideia de que é preciso eleições gerais e diretas já, com a qual me identifico profundamente, parece consubstanciar a convicção de que não é a norma jurídica abstrata que constroi a democracia, mas a sua natureza substantiva que faz a lei incorporar a demanda social; não o contrário. Se perdermos isso de vista, a regra constitucional vai transformar o regime político brasileiro numa ditadura legalizada por uma carta de plena extração democrática...

Todos os riscos: * Negociações tentam blindar equipe econômica (Uol) * Só nos resta a desobediência sistemática a todas as ações governamentais (Safatle, Boitempo) * Diretas Já, pelos direitos e pela democracia (Boitempo) * Temer: estou fazendo o que me mandaram fazer e agora querem me tirar? (Sakamoto) * Em 8 anos, JBS doou meio bilhão (Uol) * Lobbies cobram alto pela reforma: R$ 164 bilhões (Poder 360) * Pela previdência, Temer dá prêmio à sonegação (Josias de Souza, Uol) * Bolsonaro: se eu não for candidato, quero ser vice de Aécio (Infomoney).
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quinta-feira, 18 de maio de 2017

Ocupar o país e desmontar a armação dos empresários: a Democracia nas mãos do povo!

Temer é um fantoche do sistema de assalto corruptor 
promovido pelo empresariado. A redemocratização do país
não exige apenas o seu afastamento; 
exige também a derrubada do Estado que o protege

Penso que estamos diante de um cenário que já era previsível: as novas denúncias contra Temer que vieram a público ontem confirmam a natureza da conspiração que levou ao impeachmnent da presidente eleita Dilma Rousseff: um ajuntamento que colocou de mãos dadas uma fração da representação parlamentar que se submeteu aos interesses do empresariado.

Dito assim, é até possível que a afirmação soe quase como um lugar comum, mas ela permite advertir para a extensão dessa presença espúria da burguesia brasileira na formulação e na proposição das principais reformas em torno as quais o governo que saiu do golpe montou seu esquema de sustentação. É razoável pensar que a CNI, a FEBRABAN, a FIESP tenham pago a Temer e sua quadrilha a Terceirização, a reforma da Previdência e a reforma da CLT? 

A julgar pela desenvoltura com que os lobbies dos empresários vêm atuando na Câmara - e agora também no Senado, praticamente substituindo os parlamentares na elaboração de emendas dessas reformas - tudo indica que a principal dinâmica do retrocesso social que estamos às vésperas de ver aprovado saiu das mãos da representação parlamentar na direção de um poder paralalelo corruptor que hoje, na prática, governa o país. Temer e seus comparsas são meros fantoches disso e a hipótese vai mais além: o comprometimento orgânico dos golpistas com o poder privado pode eventualmente ter incluído a compra de movimentos como o MBL, de jornais, a formação de novos partidos e até mesmo a sustentação dos novos nomes que vêm ocupando a cena política desde as eleições municipais do ano passado.

Sou um entusiasta da campanha pela saída de Temer do governo, mas é preciso que esse esquema que tentei rapidamente descrever acima seja desmontado paralelamente à ocupação das ruas pela população. Minha opinião é a de que o clamor popular pelas eleições gerais e diretas se anime junto com o aniquilamento político desses grupos que dissolveram as instituições e a própria Constituição nacional. Não se trata apenas de substituir Temer; trata-se de mudar a estrutura do Estado brasileiro.

Duas leituras fundamentais: * O fim do governo Temer e a volta das diretas (Luis Nassif, GGN) * A ponte caiu (Maria Cristina Fernandes, Valor) * As gravações que comprometem Temer (TVT)
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