sábado, 1 de agosto de 2015

Empreiteiras inviabilizam Metrô em São Paulo


A rescisão do contrato de construção de parte da Linha 4 do Metrô de São Paulo dá bem a medida do prejuízo que a sociedade brasileira sofre nas mãos das empreiteiras, como mostra a matéria produzida pela TV Gazeta em reportagem que conta a história do abandono das obras desde o ano passado (veja o vídeo). 

Na verdade, o episódio não deve ser visto como isolado nem exclusivamente relacionado às obras do Metrô, mas como resultado de uma prática empresarial sistemática que explica desde o escândalo da Lava Jato até o estado de abandono em que se encontra a cidade de São Paulo nas mãos das construtoras que são sistematicamente beneficiadas pelo poder do Estado, inclusive o poder municipal.

O resultado é o que se vê no caso da Linha 4: um governador transido e atropelado pelas manobras do interesse privado. Aliás, penso que isso serve como doutrina: no âmbito das práticas do capital não há lugar para projetos de dimensões sociais.

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quarta-feira, 29 de julho de 2015

Eleições municipais de 2016: a agonia brasileira e a lixificação da política

Matéria do UOL antecipa decisão de Datena (na foto, ao lado do deputado Guilherme Mussi e do delegado Olim) em concorrer às eleições para a Prefeitura de São Paulo. É possível que o "apresentador de tv" tenha como principal rival Celso Russomanno. Para o El País, "a aposta da candidatura de Datena é surfar na chamada onda conservadora, insuflada por políticos como Jair Bolsonaro ou Eduardo Cunha, que mistura pregação da mano dura contra os criminosos, defesa intransigente da polícia e da ordem e apelo religioso" (leia aqui). A sociedade brasileira deve ter cometido algum pecado muito grave para merecer uma punição dessas...

Não deixe de acompanhar a dimensão que essa coisa toda vai tomando: Datena rebate Maluf: "jamais apertaria a mão dele por qualquer acordo" (Folha).
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sábado, 11 de julho de 2015

Armadilha conservadora

Se mantiver essa política de convivência submissa aos interesses privados  e conservadores, a presidente vai acabar se tornando vítima de um golpe constitucional e pode passar o resto de seu mandato como figura acessória do poder. Penso que "enfrentar o golpe", como quer o senador Lindbergh Farias, significa mudar essa lógica.

O senador Lindbergh Farias, do PT-RJ, afirma em artigo publicado no CGN que é preciso "unificar as bases e enfrentar o golpe", referindo-se à ameaça de um movimento dos grupos de direita pela interrupção do mandato de Dilma Rousseff. Não é a respeito disso que tenho dúvidas. Tenho dúvidas quanto ao caminho de isolamento político e social que a presidente insiste em percorrer com o recurso a medidas de agrado do empresariado - como é o caso da MP 680 (leia também a postagem abaixo) - ou de agrado da pior facção política do país representada por Michel Temer ao ceder-lhe mais poder.

O que pode unificar as bases de Dilma e afastar o risco de golpe é o retorno às origens sociais que a colocaram na Presidência da República. 

* Sugestão de leitura: O campo minado de Dilma Rousseff (El País).
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sexta-feira, 10 de julho de 2015

Medida Provisória baixada por Dilma fere interesses da sociedade brasileira

O ano de 2013 serve como exemplo: a remessa de lucros das montadoras para suas matrizes no exterior foi mais que o triplo dos investimentos que elas fizeram no país. E os trabalhadores ainda vão ter que aceitar a redução dos seus salários para que essa orgia não seja interrompida? O governo perdeu o senso de responsabilidade com a nação... 
(clique no gráfico para ampliar)
A MP 680 assinada nesta 2a feira pela presidente Dilma é ilegítima: ela beneficia (mais uma vez) os interesses privados das empresas em detrimento dos interesses dos trabalhadores e de toda a sociedade brasileira. Não tenho certeza de que, por conta disso, não seja também inconstitucional. A julgar pelas objeções feitas pelos próprios juízes do trabalho, é possível que sim.

A iniciativa do governo federal, tomada com o objetivo alegado de proteger o emprego dos trabalhadores é, na verdade, um plano de custeio do capital com duas ordens de recursos. Em primeiro lugar, com dinheiro do FAT (leia aqui a crítica à MP feita por um dos conselheiros do fundo); em segundo, com o sacrifício dos salários uma vez que uma parcela da redução prevista terá que ser mesmo suportada diretamente pelo trabalhador. 

O resultado é uma espécie de alívio para as empresas - em especial as montadoras de automóveis - que veem suas margens de lucros protegidas, inclusive as fartas parcelas de dinheiro que são religiosamente remetidas anualmente para suas matrizes no exterior (leia a respeito a matéria do jornal Valor Econômico publicada no final de 2014 sobre a sangria que o capital estrangeiro provoca anualmente na economia brasileira). 

Não é difícil entender esse isolamento político em que vive a presidente Dilma...
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segunda-feira, 6 de julho de 2015

Grécia

Vitória do oxi põe a sociedade - e não a tecnocracia financeira e os bancos - no centro das decisões políticas. As consequências disso ainda não podem ser avaliadas em toda a sua extensão internacional, mas o resultado do plebiscito sugere que os interesses privados ponham a barba de molho no mundo inteiro - inclusive no Brasil.
Não sei se a vida da senhora Alexia Narkatos, que aparece na postagem abaixo, vai melhorar e nem ela pode ter certeza de que seu benefício de aposentada estará na sua conta nesta 2a feira. O que eu sei é que os gregos escolheram ontem um outro caminho para sair da crise: o caminho da soberania nacional e da recusa em submeter seu país aos interesses do capital financeiro internacional. Fizeram muito bem: até agora, não há no mundo todo um único exemplo de sucesso das medidas de austeridade financeira como saída para a crise.  Eis aí uma boa reflexão para o café da manhã de todo mundo, de Madri a Brasília.

Acesse aqui para a leitura da seleção de matérias sobre a crise na Grécia. 

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quarta-feira, 1 de julho de 2015

4a feira, 1o. de julho: o dia do desespero de Alexia Narkatos

Fico aqui imaginando o que a velha senhora aí da foto - D. Alexia Narkatos, 87 anos - pensa sobre a política de austeridade que o FMI e a União Europeia exigem que a Grécia ponha em prática para que possa receber ajuda para o pagamento de sua dívida. A coisa funciona mais ou menos assim: o sistema financeiro sai do controle e espalha os efeitos dessa turbulência para todas as economias nacionais. Os bancos e as empresas que provocaram a crise têm instrumentos de autodefesa - e mesmo quando fecham as portas, deixam seus gestores em situação bastante confortável.

É na outra ponta que está o drama: governos sem capacidade econômica e/ou financeira para resistir à crise veem seus orçamentos implodirem e buscam o reequilíbrio cortando gastos, procurando o "ajuste" fiscal, bloqueando o derretimento da moeda - em suma, protegendo o capital. Quem paga a fatura, portanto, é a sociedade, que vê seus serviços de assistência social (entre eles a saúde, a educação, a aposentadoria) e seu nível de vida em colapso.

Belo sistema esse... O modelo Levy para a recuperação da economia brasileira é exatamente o mesmo, ou alguém imagina que essas restrições aos direitos trabalhistas têm outra inspiração? Enquanto isso, a exuberância dos bancos nacionais está aí para não deixar nenhuma margem de dúvidas sobre o rumo dos ventos. 

Em tempo: pelo menos, por mais dois meses, continua em vigor a maioridade penal prevista na constituição. Por minguados 5 votos, não passou a proposta de redução - nem mesmo a proposta de redução para crimes graves. É o ponto a que chegamos: 5 votos.
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segunda-feira, 29 de junho de 2015

Habermas, a Europa e a Grécia...

Estamos outra vez em crise com Atenas porque, já em maio de 2010, a chanceler alemã se importava mais com os interesses dos investidores do que com quitar a dívida para sanar a economia grega. Neste momento, evidencia-se outro déficit institucional. O resultado das eleições gregas representa o voto de uma nação que se defende com uma maioria clara contra a tão humilhante e deprimente miséria social da política de austeridade imposta ao país.

Leia a íntegra do  artigo de Habermas: O governo dos banqueiros

É isso. Esse sonambulismo que insiste em ignorar as tensões e demandas sociais em favor do capital corrói os projetos mais generosos da integração econômica, da democracia e do socialismo e ainda vai levar o mundo "ao abismo", depois de fazê-lo passar pelo "vazio". É só olhar ao redor para verificar que há muita objetividade nessas máximas. 

Aqui mesmo, neste Brasil sem rumo, nossa presidente acaba de marcar mais um tento contra si mesma e contra o país ao insistir na política cega de austeridade econômica que pauperiza setores vitais para a sociedade, enquanto privilegia as diversas facções dos empresários. Na oportunidade que teve em fazer valer a soberania de que se encontra investida quando de sua estada em Washington, ainda neste semana, Dilma Rousseff saiu-se com a ideia de um acordo de livre comércio com os Estados Unidos (leia aqui), naquele mesmo estilo do Nafta - o tratado que transformou o México numa nação de terceira categoria e em protetorado dos Estados Unidos. 

Posso estar enganado, mas essa turma ainda vai acabar sitiada no Palácio do governo em Brasília. E acho que o velho Habermas vai estar lá no seu gabinete amargando mais um acerto de suas teses sobre a Grécia ou sobre qualquer outro país...
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