sexta-feira, 22 de março de 2019

Bolsonaro no Chile: apologia à ditadura e admiração pelo país onde a pobreza cresce mais que a economia

"Pinochet deveria ter matado mais gente"
disse Bolsonaro (The Intercept)
Foi tão cruel a ditadura chilena que o nome do militar que a comandou virou adjetivo: Pinochet é sinônimo de tortura, morte, exílio... Pois esse é o cara que Bolsonaro admira, dizem até que admira mais que Trump, mais que Brilhante Ustra - sempre nessa trajetória de vexames com que o presidente brasileiro vai deixando a marca de seus discursos.

Bolsonaro está no Chile, o país que foi transformado em laboratório de da experiência com a previdência privada de Paulo Guedes. O resultado todo mundo sabe: no Chile de Pablo Neruda e de Salvador Allende, o trabalhador aposentado virou marginal e indigente, enquanto, tal como no Brasil, os bancos se fartam de lucros estratosféricos.

A visita de Bolsonaro, tudo indica, vai humilhar mais um pouco a já envergonhada diplomacia brasileira, pedra de toque do nosso isolamento diplomático.

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Autofagia

Temer preso: autofagia entre os golpistas pode varrer todo mundo,
inclusive o já em declínio governo Bolsonaro
Acho a prisão de Temer arbitrária porque ela revela a disposição do poder Judiciário em atropelar o rito da lei e dos direitos individuais em favor de contingências políticas. Foi assim com Lula e será assim com Temer: é a circunstância da vendetta - seja ela motivada pela ideologia anti-social das elies, seja pela necessidade de relançar a Lava Jato de Moro em favor do cambaleante governo Bolsonaro - o que determina o sentido das sentenças. 

Nada disso, no entanto, anula minha convicção de que Michel Temer é mesmo corrupto e está por trás de uma das maiores quadrilhas que já atuaram na vida pública brasileira. As perguntas incontornáveis são estas: como é que um cara desses foi parar na Presidência da República; como é possível que o PT tenha feito aliança estratégica com ele; como é possível que a armação conservadora e "anti-corrupção" do impeachment de Dilma tenha encontrado em Temer o eixo articulador de toda a conspiração que derrubou a presidente? Como é possível que do alto da sua ilegitimidade tenha assinado medidas como as que assinou, entre elas a Reforma Trabalhista de 2017?

Penso que estamos diante de um processo de autofagia dos golpistas, uma espécie de máquina descontrolada que tem no grande capital - interno e externo, o financeiro e o empresarial - a construção gradativa de um regime de controle que vai varrer do mapa também o medíocre Bolsonaro, sempre na hipótese de que as forças populares não consigam se rearticular.

Leituras sugeridas: * Prisão da dupla Temer e Moreira forma a tempestade perfeita (Helena Chagas, DCM) * Prisão de Temer é boa notícia para Bolsonaro, mas é ruim para a reforma (Folha) * Prisão de Temer revigora Lava Jato e tumultua agenda do governo no Congresso (El País) * Irritado com Carlos Bolsonaro, Rodrigo Maia diz que está fora da articulação para a aprovação da reforma da Previdência (Fórum) * Prisão de Temer tumultua política e ameaça reforma (Valor) * Lava Jato desmonta governos mas é capaz de fazer o inverso? (Maria Cristina Fernandes, Valor)

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quarta-feira, 20 de março de 2019

A mais grave ofensa de Bolsonaro aos brasileiros

Passo a passo para acabar com um projeto de país
Ensaio de Samuel Pinheiro Guimarães publicado no site Outras Palavras

Ao aliar políticas ultraliberais com um retrógrado projeto social, governo Bolsonaro
coloca em risco a soberania nacional - e risco pode ser mais nefasto que uma ocupação estrangeira


Leituras relacionadas ao tema: * O dia em que Bolsonaro vendeu o Brasil (postagem do blog) * Nós temos que desconstruir muita coisa (Bolsonaro, em discurso feito nos EUA, Valor) * Acabou o Brasil? (Balaio do Kotscho) * Vitória, sim, mas de Trump (Estadão) * Em troca de nada (Janio de Freitas, Folha) * O artigo de Bolsonaro no Valor: O Caminho das reformas.
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terça-feira, 19 de março de 2019

O dia em que Bolsonaro vendeu o Brasil

Nunca fomos tão pequenos (Antonio Martins, Outras Palavras)






Bolsonaro deu conta, em tempo recorde, da façanha que sorrateiramente prometeu ao capitalismo internacional durante sua campanha: foram exatos 78 dias de governo que culminaram nessa desonrosa visita aos EUA durante a qual a soberania nacional, construída duramente nas condições mais adversas do colonialismo, foi destruída. O presidente brasileiro e sua equipe desonraram o Brasil e seu povo sob qualquer ângulo que se analise: travestiram-se de caixeiros viajantes despudorados e liquidaram, a preço de banana, o patrimônio do Estado.  Não tenho dúvidas de que, submetidos a um tribunal que os julgasse por crime de lesa-patria, seriam todos condenados.

A explicação para que isso tenha ocorrido é simples: a sujeição ao imperialismo decorre de um déficit de compreensão de seus advogados. Imaginam eles que o esforço global do capital é capaz de potencializar o desenvolvimento econômico desde que as restrições nacionalistas deixem de existir. É possível associar a isso a venalidade dos promotores dessa política, mas é a fundamentação ideológica o que a inspira, associada naturalmente ao descaso para seus efeitos sociais.

No Washington Post, o retrato do que foi a visita de Bolsonaro aos EUA:
'Vergonha': visita de Bolsonaro a Trump deixa brasileiros embaraçados
nos seus tweets" (numa tradução livre da manchete do jornal)

Leia a matéria na Fórum
A liquidação do patrimônio do Estado - que o ministro Guedes proclamou como a ocupação de uma cidadela inimiga - é o ponto culminante dessa filosofia. "Comprem o Brasil", disse ele desavergonhadamente. O resultado é o que se vê em todos os países que caíram nessa armadilha: na América Latina, na África, na Ásia, até mesmo na Europa não há um único exemplo de adoção de uma política dessa natureza que tenha resultado em desenvolvimento econômico e em melhoria dos padrões de vida de seus habitantes. Foi o oposto o que ocorreu.

O Brasil vai pagar caro e a longo prazo a aventura de Bolsonaro.

Leituras sugeridas: * Daqui 4 meses, vamos vender o pré-sal, diz Guedes (Opera Mundi) * Bolsonaro defende muro de Trump e critica imigrantes (DW) * Trump afirma que defenderá entrada do  Brasil na OCDE (DW) * Alinhamento de Bolsonaro e Trump preocupa europeus (Piauí) * Guedes pede para investidores dos EUA comprarem a infraestrutura do Brasil (GGN) * Quando  Bolsonaro encontrar Trump, não esqueça de sua ligação com o que há de pior no crime organizado no Brasil (The Intercept).

Atualizações1: * Oferta de Trump a Bolsonaro irrita aliados na OTAN (DW) * O Brasil subalterno de Bolsonaro visita os EUA (Extra Classe) * No salão oval, Brasil abandonou reivindicações históricas (Chade, Folha) * Ao lado de Trump, Bolsonaro elege fantasmas como inimigos do país (Sakamoto, Uol) * Nós temos é que desconstruir muita coisa (Valor) * Brasil agora tem um chanceler de 4o. escalão (Josias de Souza, Uol) * O giro ideológico internacional de Bolsonaro (DW) * Em universidades dos EUA, Bolsonaro é definido como fascista (The Intercept) * Bolsonaro não descarta possível intervenção militar dos EUA na Venezuela (Uol) * Forças Armadas entram em alerta pelo tom belicista de Bolsonaro (Folha) * Líderes do congresso chileno rejeitam almoço com Bolsonaro (DW).
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Brexit: contagem regressiva para o caos

Esfacelamento da Europa: a verdadeira motivação
da Inglaterra e dos Estados Unidos com o Brexit
Considero a União Europeia a construção mais inteligente do capitalismo em toda a sua história: uma arquitetura econômica, política e cultural que conseguiu, ainda que parcialmente, conter o desequilíbrio existente no Velho Continente desde sempre, mas notadamente depois da II Guerra, quando o ritmo da recuperação econômica tendia a provocar uma disputa nacionalista insana - tal como já havia ocorrido no final do século XIX e na primeira metade do século XX.

A UE, no entanto, sempre colocou em xeque as forças conservadoras globais, especialmente os EUA, que viam a comunidade de integração na Europa como uma ameaça ao seu poder global, ainda que os próprios europeus não pudessem prescindir do apoio estadunidense em sua economia. O fato, no entanto, de que pudesse haver uma vasta área do globo que se ampliou (de 6 para 25 países desde 1957) sob o marco do Estado do Bem-Estar Social e da regulação integradora, já era por si um elemento incômodo desde a Guerra Fria.

Londres, cidade imensa e triste
Mario Vargas Llosa
Penso que o Brexit é o ponto culminante desse processo de desgaste a que os conservadores ingleses e estadunidenses vêm submetendo a Europa comunitária nos últimos anos, ainda que sob o risco de levar a economia mundial a uma crise sem precedentes. Dia 29 de março, por enquanto, é a data em que o desligamento da Inglaterra vai se consumar. Se isso de fato acontecer, no âmbito de outras tensões internacionais que marcam este início de 2019... pode ser o caos.

Sugiro estas leituras: * A desordem mundial abre uma nova era de incertezas (El País) * Qual o futuro do multilateralismo (DW) * A fatura de um Brexit sem acordo (El País) * Quanto pode nos custar o Brexit (Visão) * O triste papel da Inglaterra (do blog) * As luzes podem se apagar na Europa (do blog) * Em defesa da UE (do blog) * O Brexit e ameaça conservadora sobre a Europa (clipping do blog).

Atualização: * Presidente da Câmara proíbe terceira votação de acordo proposto por May (Opera Mundi) * Em Brexit, ligações perigosas entre a ficção e a realidade (Cinegnose) * Para Anthony Giddens, Brexit não é um simples caso de populismo (Valor) * Parlamento britânico veta qualquer Brexit sem acordo (Folha) * O que ocorre agora que o Parlamento britânico rejeitou de novo o acordo de Theresa May? (BBC) * Trabalhistas britânicos apoiam novo referendo sobre o Brexit (El País) * May cede e abre as portas para adiar data do Brexit (El País).
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segunda-feira, 18 de março de 2019

Bolsonaro põe o Brasil de joelhos

Santa ceia da direita
A Folha chama jantar oferecido por Bolsonaro em Washington de "santa ceia da direita". Mais que o aspecto jocoso do título, no entanto, é a juramentação da fé ultraconservadora feita para por de joelhos o Brasil diante do imperialismo o que chama a atenção. Representando os piores interesses do empresariado brasileiro, o ex-capitão desonra o país inteiro e à soberania prefere o agravamento das desigualdades sociais e a alienação das nossas riquezas. Vale a pena ler aqui a matéria da Folha de S. Paulo.

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sábado, 16 de março de 2019

A disputa da narrativa sobre a realidade brasileira

Capitalismo Gore e carnavalização da política

Entrevista com Ivana Bentes
Portal do IHU

João Vitor Santos


Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, Ivana ressalta que “a política entrou para o cotidiano dos brasileiros” e que esferas que antes estavam separadas, como política e futebol ou política e carnaval, agora estão juntas. É isso que explica, por exemplo, que o mesmo Rio de Janeiro que elegeu políticos da extrema direita também se tornou palco de protestos. “Não existe contradição” nesses dois fatos, frisa. Ao contrário, “existe uma disputa narrativa, uma disputa para efetivar mundos e as eleições, o carnaval, os blocos nas ruas, as práticas religiosas lutam em diferentes fronts nessa guerra cultural” (continue a leitura).


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