quarta-feira, 17 de abril de 2019

O dia da vergonha nacional

Dignidade e coragem a serviço da sociedade brasileira

Golpe de 2016: a porta para o desastre

Construção do golpe se deu no Congresso, na mídia, em segmentos do Judiciário e no mercado financeiro; compartilhavam os interesses dos derrotados nas urnas e agiam em sincronia para inviabilizar o governo

Por Dilma Rousseff
Opera Mundi

Faz três anos, hoje, que a Câmara dos Deputados, comandada por um deputado condenado por corrupção, aprovou a abertura de um processo de impeachment contra mim, sem que houvesse crime de responsabilidade que justificasse tal decisão. Aquela votação em plenário foi um dos momentos mais infames da história brasileira. Envergonhou o Brasil diante de si mesmo e perante o mundo.

A sistemática sabotagem do meu governo foi determinante para o rompimento da normalidade institucional. Foi iniciada com pedidos de recontagem de votos, dias após a eleição de 2014, e com um pedido de impeachment, já em março, com apenas três meses de governo (
continue a leitura).

Leia as postagens do blog que marcaram o episódio vergonhoso do golpe contra Dilma: * Em defesa da democracia e dos direitos sociais. O golpe não passará * O que a vida quer da gente é coragem * Dilma Rousseff: dignidade e respeito * O colapso da representação parlamentar: golpistas jogam Brasil no fundo do poço * Folha de São Paulo revela bastidores da votação contra Dilma: escândalo é o maior da história do país * Um ano depois, asubstância do crime: 17 de abril de 2016 - o dia da vergonha nacional.

domingo, 14 de abril de 2019

Miopia e atraso: o pequeno capitalismo brasileiro

Burguesia brasileira abriu mão do país pela defesa
de seus interesses privados: está sentada em cima
de uma bomba-relógio
Nem desenvolvimento nem modernização, nem mercado interno nem externo, apenas muita concentração da renda e a maior miséria social que o planeta já conheceu; uma massa de trabalhadores desprovidos de direitos ao redor de ilhas de exuberância antidemocrática e de segregação. Eis aí, na melhor das hipóteses, as marcas impressionantes que a burguesia brasileira imprime ao país que está construindo.

Esses indicadores, sistematicamente espalhados pelo noticiário de todos os veículos de informação, ganham agora, com Bolsonaro, um descaramento mais nítido porque emergem num cenário de rejeição radical, ideológica e política, a quaisquer vestígios do projeto de bem-estar social que se articulou no Estado brasileiro desde a Era Vargas. O impulso predador que os vários segmentos do empresariado vêm dando ao bloco de forças políticas que saiu vitorioso nas eleições de 2018 parece não deixar dúvidas sobre a natureza do projeto: o país ou será uma pastagem de interesses privados nacionais ou internacionais ou não será coisa alguma. Estamos diante de uma ruptura profunda que mal esconde o abandono do país...

Talvez o fato que melhor permita a visualização disso seja o projeto de reforma da Previdência Social cuja implementação tem dois vetores que o definem: a liquidação de qualquer perspectiva de sobrevivência digna dos trabalhadores e a transferência para o capital da massa de recursos com que, mentirosamente, o projeto acena para a possibilidade de algum pecúlio dos trabalhadores em fundos privados de previdência (acompanhe aqui o clipping do blog com o noticiário a reforma).

Se colocarmos ao lado desse projeto outras iniciativas que aprofundam a perda de direitos trabalhistas iniciada com a aprovação da nova CLT em novembro de 2017 e o desmantelamento das redes institucionalizadas de proteção social através da supressão de recursos destinados a serviços essenciais de assistência pública, o quadro é o da desmontagem da própria sociedade como um organismos cujas demandas encontram algum tipo de eco nas leis e no governo. 

Matérias que testemunham essa descrição: * Classes dominantes renunciaram à ideia de nação e entregaram direção política do país (Sul21) * Angela Alonso: Horizonte da elite não é a sociedsde mas a economia pujante (Folha via Agência Bicudo) * Decreto 9759/19 - Bolsonaro desativa conselhos e comissões de participação da sociedade civil em órgãos do governo (Carta Capital) * Agricultores ganham corte de R$ 40 bilhões em impostos (Uol) * Terceirizados fazem 7 em cada 10 greves no setor privado (Valor)  * A impotência dos economistas liberais (José Luis Fiori, Brasil de Fato) * O maior crime contra o Brasil - o projeto que desvincula do Orçamento da União recursos destinados à Saúde e à Educação (Estadão, via Terra) Brasil refém daquilo que o capitalismo criou de pior (clipping)
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quinta-feira, 11 de abril de 2019

No limite da pobreza

Foto: Rafael Neddermeyer
Reformas trabalhista e da Previdência podem levar o Brasil a depressão social sem precedentes
João Victor Santos (IHU)
Entrevista Valdete Severo
Juíza do Trabalho em Porto Alegre
Um ano depois de sancionada pelo governo de Michel Temer, a chamada reforma trabalhista promove verdadeiros atos de terrorismo contra o trabalhador. É o que observa a juíza do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, em Porto Alegre - RS,  Valdete Severo. “Não houve um estímulo ao cumprimento dos direitos trabalhistas, mas sim um verdadeiro terrorismo contra o ajuizamento de demandas, pelo temor do trabalhador de finalizar um processo devendo para o empregador”, observa, ao apontar que muitas pessoas, com medo, deixaram de buscar seus direitos junto à Justiça do Trabalho. Esse é um dos efeitos nefastos dessa reforma.

Além disso, na entrevista a seguir, concedida por e-mail à 
IHU On-Line, a magistrada destaca que a tese de muitos defensores da reforma como uma atualização da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT é um engodo. “Estamos atualizando a CLT para deixá-la adequada aos parâmetros do século XVIII”, ironiza. “A CLT precisa ser modificada, é verdade, mas apenas para fazer valer o texto constitucional. As regras sobre despedida por justa causa, por exemplo, não atendem ao parâmetro constitucional de paridade, de ampla defesa ou de proteção contra a dispensa”, completa (continue a leitura).
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segunda-feira, 8 de abril de 2019

O novo ministro da Educação: quem é, de onde vem e... para onde pode nos levar

Se resolver implementar a cartilha que o aproximou de Bolsonaro,
Weintraub pode ser o coveiro da educação brasileira

Abraham Weintraub no lugar de Vélez

Novo ministro vem da área das Finanças, é apoiador de Bolsonaro, amigo de Onyx de longa data e tem a Bíblia como guia

Federação dos Professores do Estado de São Paulo - FEPESP

Na manhã desta segunda-feira (8/04) Bolsonaro anunciou a demissão de Ricardo Vélez Rodriguez do cargo de ministro da Educação. O anúncio do seu substituto, Abraham Weintraub, foi feito pelo Twitter:
 "Comunico a todos a indicação do Professor Abraham Weintraub ao cargo de ministro da Educação. Abraham é doutor, professor universitário e possui ampla experiência em gestão e o conhecimento necessário para a pasta. Aproveito para agradecer ao Prof. Velez pelos serviços prestados”. Jair Bolsonaro. 
O economista Abraham Bragança de Vasconcellos Weintraub, que atuou no setor financeiro em vários bancos no Brasil, foi nomeado em novembro de 2018 para a equipe de transição para o governo Jair Bolsonaro, com a tarefa de requisitar informações dos órgãos e entidades da Administração Pública Federal.
Weintraub atuou no mercado financeiro por mais de 20 anos. Ele foi sócio na Quest Investimentos, diretor do Banco Votorantim, membro do comitê de trading da BM&F Bovespa, conselheiro da Ancord e representou o Votorantim em encontros do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ele é formado em Ciências Econômicas pela Universidade de São Paulo, em 1994, se tornou professor da USP e foi mestre em finanças pela FGV. É o segundo ministro substituído neste governo, ainda nos seus cem primeiros dias (continue a leitura).
Atualização: * Weintraub chama Lula de 9 dedos e de sincofanta (Josias de Souza, Uol) *  Com Weintraub na Educação, Bolsonaro só dobra a dose do remédio errado (Reinaldo Azevedo, Uol) * Universidade nordestina não deve ensinar filosofia, diz novo ministro (Josias de Souza, Uol) * Críticas e expectativa marcam reações ao nome do ministro (G1) * Quem é o novo ministro (G1) * Weintraub, um 2o. olavete no MEC (El País) * Palestra dos irmãos Weintraub na Cúpula das Américas: o combate ao marxismo cultural (dezembro de 2018, Youtube) * Weintraub falsifica Hitler para mentir mais (Brasil 247).

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Em lugares e posições diferentes, mas um único roteiro

Imagens que articulam o sombrio projeto do execucionismo como
política para-oficial no combate ao crime - o efeito acabado
da desmontagem do Esta
do
Os protagonistas da colagem de fotos ao lado, com exceção de Adolf Eichmann, vivem dispersos, mas o roteiro da série que protagonizam me parece bastante coerente: sob o argumento de uma determinada intolerância zero - que parece inspirar o pacote de medidas que Sérgio Moro tenta aprovar na Câmara dos Deputados - o que está sendo implantado no Brasil é o regime da aplicação compulsória da pena de morte à revelia da Lei.

Tudo muito informal no âmbito do contexto dos discursos - fato que dificulta a apreensão da coerência de sua lógica semântica - mas nada que escape à formulação de um projeto homogêneo para um país cujo presidente foi eleito há bem pouco tempo na esteira da rejeição de seus eleitores aos direitos humanos: o clima que estimula o execucionismo como política de segurança: Doria em São Paulo, Witzel no Rio, Moro em Brasília, milícias por toda a parte, algumas suspeitas da simpatia direta de figuras próximas a Bolsonaro... tudo isso vai formando um caldo grosso de desmandos para-oficiais que pode transformar o Brasil em terra de ninguém - como já acontece nas esferas dos direitos sociais e da economia. É o resultado essencial da política de desestatização do país...

Atualização2: * Silêncio de Bolsonaro sobre execução de músico piora o que já é deplorável (Josias de Sousa, Uol) * O exército não pode voltar a sujar as mãos matando inocentes nas ruas (El País) * 80 tiros e o risco da impunidade (El País) * Episódio no Rio mostra que o problema não é só o guarda da esquina (Folha) * Fotos: exército detém 10 militares (El País) * Além de músico morto, exército atirou em jovem pelas costas (Folha).

Atualização1: * Witzel é um criminoso à solta: precisa ser denunciado, julgado e preso (Luis Nassif, GGN) * O fuzilamento no Rio (vídeo e texto, The Intercept)

* Doria, Moro e Bolsonaro repetem como farsa a tragédia nazista em torno da banalidade do mal. Navegue no clipping do blog * Doria homenageia PMs que mataram 11 e é chamado de fascista por Alberto Goldman (Folha) * Doria emplaca ex-assessores em postos estratégicos da gestão Bolsonaro (Folha).

* De duas postagens na lista O que há de novo, no WhatsApp (8/5/19):

* [04:27, 8/4/2019] Faro: Tal como Doria em São Paulo, o governador do Rio, Wilson Witzel, vai assegurando sua presença nessa espécie de "eixo do mal" que surge no Brasil à sombra do governo Bolsonaro. Witzel, que se notabilizou na campanha eleitoral pela alegria incontida que manifestou quando da violação da memória de Marielle Franco (na foto acima, de braço erguido ao lado de apoiadores de Bolsonaro), agora mostra-se protetor dos "snipers" cariocas - atiradores de elite, uma espécie de milícia de justiceiros que espalham medo e morte entre a população. A matéria é do El País

[04:37, 8/4/2019] Faro: Chamo aqui os "snipers" de milícia de justiceiros, mas é um eufemismo. A julgar pelo brazão exibido nas costas do governador Witzel (na 1a foto) - uma singela caveira que não deixa dúvidas sobre a filosofia (e a prática) macabra do grupo - tudo faz lembrar a tristemente célebre Scuderie Le Coq - o Esquadrão da Morte que aterrorizou vários estados brasileiros nos anos 60/70. A foto de Witzel não deixa dúvidas sobre o significado de sua simpatia...
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