quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Pela porta dos fundos

MARAVILHA E LIMITES DA DERROCADA DE TRUMP

Os últimos dias de Trump: isolado, irritado e longe dos holofotes (El País) 

Rompeu-se o movimento de pinça por meio do qual a classe do 0,1% impôs seu projeto desde 2008. Será inútil - se persistir o grande déficit de imaginação política da esquerda. Mas uma nova oportunidade está se abrindo, em especial no Brasil (leia inteira a análise de Antonio Martins em Outras Palavras).

➜ Leia aqui a antologia de textos publicados em diversos veículos desde o momento em que se configurou a derrota de Donald Trump.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Capitalismo brasileiro: atraso e pobreza como destino

O verdadeiro Custo Brasil

Percentuais formidáveis de brasileiras e brasileiros na linha da miséria absoluta são a razão da estagnação do país. Para isso, os empresários têm uma resposta na ponta da língua: diminuir o "custo Brasil", isto é, radicalizar a concentração da renda pelo caminho das 'reformas estruturais', uma receita que nos condena ao atraso.

Numa de suas mais absurdas iniciativas, Bolsonaro vetou a liberação total de recursos para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). A decisão, que ainda pode ser derrubada no Legislativo, significa a subtração de R$ 4 bilhões de verbas destinadas a projetos de desenvolvimento em inovação mantidos por instituições públicas e foi classificada pelo deputado do Partido Socialista Brasileiro (RJ), Alessandro Molon, como "um ataque frontal à Ciência e à Tecnologia, justamente num momento em que o país precisa investir mais para se desenvolver" (leia aqui a notícia do Correio Braziliense).

O fato compõe o cenário de indigência em que vivem as políticas públicas e sociais do Brasil desde o golpe que destituiu Dilma Rousseff da presidência da República, em 2016. Da emenda constitucional que fixou a rigidez do teto orçamentário, a reforma da Previdência, a nova CLT, as práticas irracionais e desequilibradas de austeridade fiscal, consolidaram a própria inviabilidade do capitalismo brasileiro. O resultado é o que se vê: com um mercado interno asfixiado pela pobreza, sem investimentos nem nacionais nem estrangeiros, sem poder de concorrência no exterior, o Brasil é hoje um reduto do atraso e das maquinações de uma burguesia neoliberal que se farta com a acumulação conspícua, sem qualquer projeto para o futuro.

Essas breves reflexões - postadas aqui ainda sob o impacto da decisão da Ford em encerrar suas atividades no Brasil, fato que exigiria uma mudança estratégica na política econômica - talvez expliquem a rapidez com que, tão logo a informação dada pela empresa estadunidense foi dada, vieram a público os empresários e suas entidades de classe clamar pela "redução do custo Brasil", como se já não fosse essa própria redução a causa do colapso da economia nacional e de sua grave e inédita crise social. Trocando em miúdos, o verdadeiro "custo Brasil" é o peso que as classes dominantes brasileiras têm sobre as costas da sociedade.
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terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Ford fecha as portas

Encerramento das atividades da Ford mostra piora da crise no Brasil

O Sr. Paulo Guedes pode jogar o quanto quiser com as mentiras que diz a respeito da situação da economia brasileira e certamente com isso procura ganhar tempo para permanecer no cargo; o fato concreto, no entanto, é que o país é hoje o exemplo acabado de uma nau sem rumo. Desemprego, aumento da concentração da renda, pobreza extrema crise cambial, descontrole institucional e sanitário, perda de legitimidade política do governo... esses são alguns dos sintomas que afugentam investidores e aprofundam o colapso de uma nação inteira. A mando de seu chefe, Guedes declara que decisão da empresa contrasta com a recuperação econômica. É mentira.. 
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segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

A desigualdade estrutural fala mais alto

Fim do auxílio emergencial devolve 3,4 milhões para a extrema pobreza

Estudo mostra que, com pandemia em pleno andamento e fim da ajuda financeira dada pelo governo, país deve ter este ano mais de 17 milhões de pessoas vivendo com menos de US$ 1,9 por dia (leia no Estadão)

A catástrofe humana provocada pelo covid-19 não para de revelar as profundas fragilidades brasileiras. São evidências de problemas estruturais que as classes dominantes procuram contornar e esconder há décadas, mas que - no final as contas - falam mais alto e se impõem em toda a sua dramaticidade. A principal delas é o abismo social que se agravou no país nos últimos 3 ou 4 anos em decorrência da selvageria com que os direitos sociais e as garantias do trabalho foram atacadas na esteira da conspiração que levou ao golpe de 2016 e que agora mostra os efeitos nocivos que se espalham em todos os setores da sociedade. 

O Brasil é hoje o segundo país mais desigual do mundo e a crise humanitária decorrente disso tem pouco a ver com a pandemia e muito a ver com esse modelo esdrúxulo de capitalismo que só beneficia 1% da população. Essa desigualdade estrutural nem se resolve com remendos esporádicos de ajuda do Estado nem com o aprofundamento do modelo econômico imaginado pelos rentistas e por Bolsonaro e sua turma. O caminho é outro, e não há um único dia sem que essa evidência fique mais clara no elenco de mudanças que corrijam as deformações que se acumulam nas práticas neoliberais, do fim do teto dos gastos públicos, às reformas agrária e fiscal, o controle da remessa dos lucros para matrizes de empresas estrangeiras instaladas no Brasil, a revogação da reforma trabalhista, a estatização integral do sistema de saúde, dos sistemas de transporte e dos sistemas de ensino e pesquisa. 
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Leituras recomendadas: * Os 5 fatores de nossa miséria (Dowbor, Outras Palavras) * O desmonte da rede de proteção social (Souto Maior, A Terra é redonda) * Por outra democracia: esta nào protege a maioria da população brasileira (Fabiana Moraes, Intercept) * Uma gramática de privilégios (IHU) * O aumento das desigualdades (IHU* O colapso do capitalismo no Brasil (clipping do blog).