terça-feira, 3 de março de 2015

As milícias da Universal


O cidadão que aparece aí em cima, emoldurado como "bispo" Edson Costa, é um dos organizadores das milícias "Gladiadores do Altar" na "Igreja" Universal do Reino de Deus do Ceará, uma filial do "bispo" Macedo.

Convido os visitantes deste blog a assistirem ao
vídeo sobre uma das cerimônias regadas a fanatismo que o tal Edson Costa dirige. Nos piores momentos da história recente da Humanidade (as falanges franquistas, os camisas negras italianas e a juventude nazista) acho que não se chegou a uma desfaçatez tal qual esta que acontece no Brasil. Sexta-feira do desmanche no vale do sal? Conversa fiada...

clima de obscurantismo que esse formato de expansão da "fé" ganhou no Brasil nos envergonha perante o mundo e vai na contra-mão de uma sociedade solidária e tolerante. 

* Vale a pena ler A boçalidade do mal, de Eliane Brum, um ensaio sobre a ignorância que se espalha pra todo o lado.
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domingo, 1 de março de 2015

HOUSE of CARDS no Brasil: sinais trocados

O apelo populista entre nós se faz com o sinal trocado e transforma o quadro político num arranjo caótico - porque é dirigido às elites empresariais e não à construção do sujeito político popular. É o que o escândalo das empreiteiras comprova.
Também eu estava ansioso para o início da 3a temporada de House of cards. É uma série muito bem construída e chego afirmar que ou os roteiristas ou a equipe toda de consultores que trabalha na abençoada Netflix (esse canal que nos livrou da Tv aberta e da Tv por assinatura) tem uma boa e calibrada percepção dos processos políticos. Agora mesmo, nos capítulos que foram postos na rede nesta semana, o presidente Frank Underwood lança mão de um programa de criação de empregos subsidiado pelo Estado para compensar sua baixa popularidade, já que sua chegada ao poder se deu pela via administrativa e não pela via eleitoral, fato que caracteriza a sua frágil base parlamentar e midiática.

Pois é justamente pela percepção que tem de sua fraqueza que seu apelo aos desempregados funciona como um pêndulo que o fortalece - como se o programa (da mesma forma que o New Deal, de Roosevelt) se tornasse (e de fato se torna) um trunfo para a sua sustentação.  O populismo foi isso mesmo em todos os os países onde a fraca hegemonia de partidos, de classes ou de programas abriu espaço para o fenômeno de uma liderança bonapartista que se põe acima dos grupos tradicionais (continue a leitura).
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sábado, 28 de fevereiro de 2015

Leite derramado...

... e tempo difícil na rota do ministro Levy: a fação do empresariado pensou que a austeridade não era com ela e que a farra do boi com a apropriação dos recursos públicos iria continuar pra sempre. Parece que se enganou...
O título da postagem não tem nada a ver com o livro do Chico Buarque. Tem a ver com essa cara de pau com que a chamada "área econômica do governo" assume agora o tremendo erro que tem sido a política de desoneração das empresas - na folha de pagamentos ou em qualquer outro segmento contábil onde o privilégio foi implementado na ilusão de que, com menos impostos, os empresários não só manteriam a oferta de empregos como também ampliariam seus investimentos.

A coisa veio abertamente à tona ontem com a declaração constrangida do ministro Levy - Corte de imposto custa R$ 25 bi por ano e não protege emprego - em mais uma entrevista coletiva e representa o reconhecimento do caráter criminoso da prática da renúncia fiscal numa economia como a brasileira. 

Não dá para levar a sério a ingenuidade com que isso foi feito na gestão Mantega - já que é preciso imaginar um outro empresariado que não o brasileiro para supor que a desoneração tivesse algum efeito positivo na economia. No entanto, supor que o caráter seletivo com que Dilma pretende tratar o assunto - alguns setores com menor ou com nenhuma desoneração e a manutenção do procedimento de forma integral para outros - possa restaurar a integridade da ação fiscal do Estado em benefício da sociedade, continua sendo um equívoco. Aliás, essa a primeira divergência de orientação entre a presidente e seu ministro da Fazenda.

Basta observar a grita geral dos empresários contra a austeridade fiscal para se descobrir quem são os verdadeiros inimigos da recuperação econômica. Na minha opinião, a desoneração tem que ser integralmente revogada - inclusive em setores privilegiados pela renúncia fiscal sob quaisquer outros pretextos (por exemplo, as universidades privadas, as igrejas, os clubes...).

Vale a pena ler as matérias abaixo para ver a contradição vivida pelo governo Dilma mais uma vez: entre o compromisso com a estabilidade fiscal (para a qual Levy foi convocado) e a adulação que a própria presidente promove na direção da facção dos empresários:

 Levy promove desmonte das políticas de Dilma  Dilma diz que fala de Levy sobre desoneração da folha foi "infeliz"  Indústria critica mudança no sistema de desoneração da folha de pagamentos
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Iconoclastia e barbárie

A disposição fundamentalista de destruir o espaço do simbólico representado por imagens religiosas revela uma incursão nos arquétipos da cultura, talvez o crime mais cruel que a barbárie comete pois que praticado contra a natureza humana, mais do que contra a sua existência.
Leio agora cedo a notícia publicada no El País segundo a qual um grupo de milicianos do Estado Islâmico (EI) destruiu várias estátuas possivelmente assírias e acádias existentes no museu de Mosul, no Iraque (leia também a reportagem do Opera Mundi a respeito). O fato não é novo, nem no Oriente Médio, nem no Ocidente (quem é que  não se recorda da explosão das estátuas de Buda, em 2001, no Afeganistão, pelos Talibãs) -, mas mantém características de intolerância que também dizem respeito aos brasileiros. Ou não é o mesmo sintoma esse impulso evangélico de repulsa à aceitação da alteridade que o presidente da Câmara dos Deputados manifesta como prática política de sua atuação?

Penso que em qualquer circunstância histórica em que a construção identitária se dá à margem das contradições sociais - como se a identidade fosse um processo exclusivo e autônomo do universo da cultura - ela é carregada de elementos fascistas - e se traduz na prática da destruição, da violência, da negação. É a pior herança do capitalismo pois é nele que se instala a desumanização das relações sociais. Não perdemos por esperar as consequências obscuras da chegada desse pessoal ao poder.

* Leia também: Unesco pede reunião do Conselho de Segurança da ONU após destruição em Mossul
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sábado, 21 de fevereiro de 2015

Fausto e as empreiteiras...

Fausto, gravura de Rembrandt de 1652. 
No final das contas, tudo se resume a esse acerto de contas com a obsessão pelo absoluto: o poder desmedido que acaba sendo punido pela nêmesis. Nossa operação Lava Jato, apesar de cabocla como é, reproduz um pouco esses mitos da cultura universal...  
Estou impressionado com os rumos que o escândalo que envolve a fina-flor da facção das empreiteiras vai tomando. Confesso que o assunto começa a se tornar cansativo, mas os ingredientes  novos que os jornais apresentam todos os dias cobram outras interpretações. As novidades de ontem são duas - além das pouco convincentes (muito pouco, aliás) explicações do ministro Cardozo: a fatura que a facção das empresas quer cobrar de Lula e a chantagem que elas fazem agora com demissões de trabalhadores e paralisação das obras (continue a leitura).
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