terça-feira, 19 de março de 2019

O dia em que Bolsonaro vendeu o Brasil

Bolsonaro deu conta, em tempo recorde, da façanha que sorrateiramente prometeu ao capitalismo internacional durante sua campanha: foram exatos 78 dias de governo que culminaram nessa desonrosa visita aos EUA durante a qual a soberania nacional, construída duramente nas condições mais adversas do colonialismo, foi destruída. O presidente brasileiro e sua equipe desonraram o Brasil e seu povo sob qualquer ângulo que se analise: travestiram-se de caixeiros viajantes despudorados e liquidaram, a preço de banana, o patrimônio do Estado.  Não tenho dúvidas de que, submetidos a um tribunal que os julgasse por crime de lesa-patria, seriam todos condenados.

A explicação para que isso tenha ocorrido é simples: a sujeição ao imperialismo decorre de um déficit de compreensão de seus advogados. Imaginam eles que o esforço global do capital é capaz de potencializar o desenvolvimento econômico desde que as restrições nacionalistas deixem de existir. É possível associar a isso a venalidade dos promotores dessa política, mas é a fundamentação ideológica o que a inspira, associada naturalmente ao descaso para seus efeitos sociais.

A liquidação do patrimônio do Estado - que o ministro Guedes proclamou como a ocupação de uma cidadela inimiga - é o ponto culminante dessa filosofia. "Comprem o Brasil", disse ele desavergonhadamente. O resultado é o que se vê em todos os países que caíram nessa armadilha: na América Latina, na África, na Ásia, até mesmo na Europa não há um único exemplo de adoção de uma política dessa natureza que tenha resultado em desenvolvimento econômico e em melhoria dos padrões de vida de seus habitantes. Foi o oposto o que ocorreu.

O Brasil vai pagar caro e a longo prazo a aventura de Bolsonaro e de seus apoiadores.

Leituras sugeridas: * Daqui 4 meses, vamos vender o pré-sal, diz Guedes (Opera Mundi) * Bolsonaro defende muro de Trump e critica imigrantes (DW) * Trump afirma que defenderá entrada do  Brasil na OCDE (DW) * Alinhamento de Bolsonaro e Trump preocupa europeus (Piauí) * Guedes pede para investidores dos EUA comprarem a infraestrutura do Brasil (GGN) * Quando  Bolsonaro encontrar Trump, não esqueça de sua ligação com o que há de pior no crime organizado no Brasil (The Intercept).
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Brexit: contagem regressiva para o caos

Esfacelamento da Europa: a verdadeira motivação
da Inglaterra e dos Estados Unidos com o Brexit
Considero a União Europeia a construção mais inteligente do capitalismo em toda a sua história: uma arquitetura econômica, política e cultural que conseguiu, ainda que parcialmente, conter o desequilíbrio existente no Velho Continente desde sempre, mas notadamente depois da II Guerra, quando o ritmo da recuperação econômica tendia a provocar uma disputa nacionalista insana - tal como já havia ocorrido no final do século XIX e na primeira metade do século XX.

A UE, no entanto, sempre colocou em xeque as forças conservadoras globais, especialmente os EUA, que viam a comunidade de integração na Europa como uma ameaça ao seu poder global, ainda que os próprios europeus não pudessem prescindir do apoio estadunidense em sua economia. O fato, no entanto, de que pudesse haver uma vasta área do globo que se ampliou (de 6 para 25 países desde 1957) sob o marco do Estado do Bem-Estar Social e da regulação integradora, já era por si um elemento incômodo desde a Guerra Fria.

Londres, cidade imensa e triste
Mario Vargas Llosa
Penso que o Brexit é o ponto culminante desse processo de desgaste a que os conservadores ingleses e estadunidenses vêm submetendo a Europa comunitária nos últimos anos, ainda que sob o risco de levar a economia mundial a uma crise sem precedentes. Dia 29 de março, por enquanto, é a data em que o desligamento da Inglaterra vai se consumar. Se isso de fato acontecer, no âmbito de outras tensões internacionais que marcam este início de 2019... pode ser o caos.

Sugiro estas leituras: * A desordem mundial abre uma nova era de incertezas (El País) * Qual o futuro do multilateralismo (DW) * A fatura de um Brexit sem acordo (El País) * Quanto pode nos custar o Brexit (Visão) * O triste papel da Inglaterra (do blog) * As luzes podem se apagar na Europa (do blog) * Em defesa da UE (do blog) * O Brexit e ameaça conservadora sobre a Europa (clipping do blog).

Atualização: * Presidente da Câmara proíbe terceira votação de acordo proposto por May (Opera Mundi) * Em Brexit, ligações perigosas entre a ficção e a realidade (Cinegnose) * Para Anthony Giddens, Brexit não é um simples caso de populismo (Valor) * Parlamento britânico veta qualquer Brexit sem acordo (Folha) * O que ocorre agora que o Parlamento britânico rejeitou de novo o acordo de Theresa May? (BBC) * Trabalhistas britânicos apoiam novo referendo sobre o Brexit (El País) * May cede e abre as portas para adiar data do Brexit (El País).
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segunda-feira, 18 de março de 2019

Bolsonaro põe o Brasil de joelhos

Santa ceia da direita
A Folha chama jantar oferecido por Bolsonaro em Washington de "santa ceia da direita". Mais que o aspecto jocoso do título, no entanto, é a juramentação da fé ultraconservadora feita para por de joelhos o Brasil diante do imperialismo o que chama a atenção. Representando os piores interesses do empresariado brasileiro, o ex-capitão desonra o país inteiro e à soberania prefere o agravamento das desigualdades sociais e a alienação das nossas riquezas. Vale a pena ler aqui a matéria da Folha de S. Paulo.

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sábado, 16 de março de 2019

A disputa da narrativa sobre a realidade brasileira

Capitalismo Gore e carnavalização da política

Entrevista com Ivana Bentes
Portal do IHU

João Vitor Santos


Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, Ivana ressalta que “a política entrou para o cotidiano dos brasileiros” e que esferas que antes estavam separadas, como política e futebol ou política e carnaval, agora estão juntas. É isso que explica, por exemplo, que o mesmo Rio de Janeiro que elegeu políticos da extrema direita também se tornou palco de protestos. “Não existe contradição” nesses dois fatos, frisa. Ao contrário, “existe uma disputa narrativa, uma disputa para efetivar mundos e as eleições, o carnaval, os blocos nas ruas, as práticas religiosas lutam em diferentes fronts nessa guerra cultural” (continue a leitura).


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quarta-feira, 13 de março de 2019

A conspiração (como num roteiro de Costa Gavras)

Fato incomum, delegado e promotoras dão entrevistas separadas sobre prisão de acusados de matar Marielle; governador pega carona. Leia em Piauí: Uma investigação, duas narrativas

O personagem é o mesmo; é o disfarce que muda. Aqui, à direita, o então candidato a governador do Rio festejando um capítulo da morte inconclusa de Marielle.
Leia em Piauí: Metástase