terça-feira, 21 de agosto de 2018

Libertar o Brasil

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No olho da distopia

Mudanças na legislação trabalhista deixam o Brasil
sintonizado com a barbárie da sociedade digital

O proletário digital na era da reestruturação permanente do capital

Patrícia Facchin entrevista Ricardo Antunes
Revista IHU On-Line

Entender quem é o proletário da era digital e sua inserção no mundo do trabalho é o tema de investigação do sociólogo Ricardo Antunes em seu novo livro, “O Privilégio da Servidão. O Novo Proletariado de Serviços na Era Digital” (São Paulo: Boitempo Editorial, 2018). Esse novo operário, explica, se insere num contexto de “reestruturação permanente do capital”, que vem ocorrendo desde os anos 1970, e “é impensável sem o mundo digital, é impensável sem a era do mundo financeiro que ‘revolucionou’ o tempo e o espaço” em todas as atividades produtivas (continue a leitura).

Ainda da Revista IHU On-Line: * A totalização digital e o declínio das utopias revolucionárias (entrevista com Ícaro Vidal Ferraz Júnior). Do El País: Bem-vindos à Era da Confusão. Da Carta Capital: * Como o ódio viralizou no Brasil
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Desespero dos ultraconservadores esconde realidade dos números

Lula chega a 37% no Ibope. Sem petista, Bolsonaro tem 20% e Haddad marca 4%

Acho que só jornal El País, na manchete que publicou sobre os resultados da pesquisa do Ibopeconseguiu escapar da dificuldade criada para o leitor em entender qual é exatamente a tendência do eleitorado neste momento da campanha (leia aqui a matéria da edição brasileira do jornal espanhol) Seja como for, o fato incontornável é este: nas preferências manifestadas nos dois levantamentos divulgados ontem (além do Ibope, também foram divulgados os resultados da pesquisa CNT/MDA), chega a 50% o percentual de eleitores que votariam em candidatos progressistas, caso as eleições fossem hoje. Somados aos votos nulos e brancos, o país tem hoje um contingente de 64% de eleitores que não querem saber dos conservadores na presidência da República.

O Judiciário e as elites levam o Brasil à rebelião
(Aldo Fornazieri, GGN)
É claro que cada um lê esses números de acordo com suas percepções ideológicas, mas há um fato incontestável: o arranjo político da direita, em qualquer circunstância, parece não estar dando certo e tudo indica que a tendência do ultraconservadorismo neofascista é a de acabar jogando suas fichas em Bolsonaro, na hipótese de que Alckmin ou qualquer outro do "esquadrão" de trás não consiga reverter a tendência revelada pelas pesquisas. 

Penso que Lula não será mesmo candidato: o país está diante da mais sórdida campanha de difamação armada contra um líder popular e dificilmente a dignidade e a isenção de qualquer julgamento no TSE ou STF conseguirão resistir ao assédio dos empresários e da mídia. Nessa bipótese, a dúvida é saber qual a consistência do nome Haddad para arrebanhar para si a preferência da maioria dos brasileiros pelo ex-presidente.

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segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Um Brasil de dar medo

Tradição brasileira de hospitalidade e tolerância volta-se
contra o próprio país, visto hoje no mundo inteiro
como um reduto do atraso neofascista
 

Roraima é produto do neofascismo que se espalha pelo país

Parece insuficiente compreender e explicar o que está ocorrendo em Roraima como um mero incidente localizado causado pelos problemas que o número de refugiados venezuelanos criou na região. As manifestações de selvageria estão sendo acompanhadas de um grosseiro impulso xenófobo que supõe uma construção ideológica mais ampla da qual o Brasil está sendo vítima pela correnteza neofascista que toma conta dos nossos espaços sociais em sua pior forma: aquela que é embalada pelos cânticos coletivos de raiva e ódio, como se pode ver neste vídeo encontrado no Facebook nesta postagem do blog do Sakamoto.


Novo: Incentivo aberto ao crime

Não é uma mera coincidência, portanto, que os episódios de Roraima ocorram em paralelo com o absoluto colapso não só do governo federal - que na verdade nunca existiu como núcleo da autoridade republicana -, mas das normas tradicionais do diálogo que quase sempre cercam um ambiente eleitoral. Com sua principal liderança popular presa de forma ilegal, resta à sociedade brasileira - caso não se revolte nas ruas contra isso - acompanhar o festival de nulidades representado pela desqualificação moral e política dos principais candidatos à eleição de outubro, com raríssimas exceções. O Brasil inteiro é hoje uma grande Roraima... 

Leia mais: * Após conflito, 1200 venezuelanos deixam Roraima (DW) * Êxodo da Venezuela e Nicarágua provoca surtos xenófobos na região (El País) * Caracas pede que Brasil garanta direitos de venezuelanos atacados em Roraima (Opera Mundi) * Candidato do Novo incita crime contra a esquerda em propaganda eleitoral (The Intercept) * Itaú cria seu partido e quer disputar presidência (SP Bancários) * Los náufragos de la globalización (FB).

* Sites contra-hegemônicos e veículos estrangeiros como fonte de informação sobre o que acontece no Brasil passam a ser uma boa alternativa para evitar a contaminação da "grande" imprensa brasileira pelo ultraconservadorismo.
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sábado, 18 de agosto de 2018

O Brasil que resiste

Crescimento de Haddad em pesquisa da XP aumenta nervosismo no mercado

Leia aqui a matéria da Folha de S. Paulo
Sociedade brasileira pode provocar a maior reviravolta eleitoral da história: ultraconservadores e neoliberais sequer têm projetos para o país, exceto aqueles que aumentam a concentração da renda e a alienação das riquezas nacionais. 
Vão pagar nas urnas por sua vilania.
Jessé Souza avalia eleição sem Lula: "uma grande fraude" (Carta Capital)
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Propaganda eleitoral

Desemprego recorde desafia candidatos (Estadão) * O Brasil dos debates e o Brasil real (Piauí)
* Em dois anos, país tem mais de 5 milhões de subutilizados e 1,6 milhão de desalentados (IHU)
Obs: os gráficos apresentados na matéria do Estadão têm uma coisa em comum: o forte agravamento da situação do país nos últimos 2 anos. Não é, obviamente, uma coincidência...
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Golpistas expõe o Brasil ao ridículo


Decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU exige que o Brasil garanta a Lula o exercício de todos os direitos políticos e culmina um processo de isolamento mundial do país iniciado desde as articulações que levaram ao golpe que destituiu Dilma Rousseff em 2016.

Esbravejando uma suposta indignação, a reação das autoridades brasileiras - um conglomerado de sabujos que não se cansa de vender o Brasil aos interesses estrangeiros - não é mais do que uma expressão mal disfarçada do desconforto que o colapso da democracia no país provoca até mesmo em seus promotores e põe por terra não apenas a respeitabilidade da presença brasileira no cenário mundial mas também a própria tradição de sua diplomacia. O ministro das Relações Exteriores e o ministro da Justiça dos golpistas mais pareciam personagens do filme O rato que ruge: supostas autoridades de um país falido.

Lula transformou-se em símbolo da resistência brasileira e essa condição parece agora consagrada mundialmente. Leia ainda três matérias do site GGN: *
Aos juízes brasileiros: Lula não pode ser rebaixado das eleições * Se o Brasil desrespeitar liminar da ONU, eleição será questionada * Histórica defensora de decisões iternacionais, Raquel Dodge agora silencia. E ainda: * Sobre a decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU (Sul21).
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sexta-feira, 17 de agosto de 2018

O preço que for preciso pagar

Desencanto que os ultraconservadores usam como
em instrumento fascista de poder: para isso, golpistas de
2016 não descartam apoiar qualquer aventureiro 
Desesperança e dispersão na prática da democracia. Essas me parecem ser as piores consequências do estado de desordem que o golpe do impeachment criou no país, situação agora plenamente percebida no colapso que, olhando de perto, atinge todas as instituições - a principal delas: a instituição da representação política.

Pode parece pouco ou mero exercício acadêmico, mas penso que não. Nossas elites empresariais (com raras exceções), os integrantes do Poder Judiciário, a mídia tradicional e as próprias estruturas de controle político efetivo que se espalham pelo campo ideológico conservador - um complexo de dominação que articulou o golpe de 2016 - resolveram transformar o exercício da deliberação em coisa sua, privada, refratária a qualquer tipo de concessão que pudesse arranhar a espoliação capitalista que agora estamos assistindo em toda a sua falência. Trocando em miúdos: esse projeto tem uma natureza predatória de tal forma intensa que o país parece ter se tornado um fardo para todos... 

Na ponta desse processo está a situação que a jornalista Maria Cristina Fernandes, do jornal Valor Econômico, narra neste podcast da CNN:


A conclusão é grave: o eleitor é um rebelde que transforma seu desencanto em raiva e revolta, elementos que me parecem ser a matéria prima com a qual o ultraconservadorismo brasileiro - com maior ou menor poder de disfarce - todo o arco de forças políticas situadas à direita do espectro social-democrata. Não dá para confiar em nenhum desses grupos pois todos eles estão dispostos a relativizar de tal maneira seu compromisso com a democracia que nenhum hesitaria em abrir mão dos princípios liberais que dizem professar. Em outras palavras: essa turma está disposta a pagar o que for preciso para manter o controle do país em suas mãos.

Defender, portanto, a liberdade de Lula e eleger uma forte composição de centro-esquerda me parece ser a única esperança de reversão desse quadro que estamos assistindo.

Acesse aqui a entrevista com Esther Solano feita
para a Giz por Elisa Marconi e Francisco Bicudo

Leituras sugeridas

* Os insatisfeitos e a democracia (Maria Hermínia Tavares, Folha) * O eleitor que vai votar, mas preferia romper (Maria Cristina Fernandes, Valor) * Do lulismo ao bolsonarismo (Rosana Pinheiro Machado, IHU) * Nunca o brasileiro confiou tão pouco na presidência. Bolsonaro surfa nessa onda (The Intercept) * Poderes eleitorais (Janio de Freitas (Folha)   * Número de pessoas que desistiram de procurar emprego bate recorde (Folha) * Desemprego recorde desafia candidatos (Estadão) * Se pudessem, 62% dos jovens brasileiros iriam embora do país (Folha) * Qual o preço que o Brasil paga por sua desindustrialização? (Carta Capital).

Fotos: Wallace Martins/Futura Press/Folhapress (via The Intercept) e IEA/USP
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