sexta-feira, 29 de julho de 2016

Obama e Sanders: um pouco de luz radical sobre o liberalismo

Hillary Clinton: expectativa de um governo
liberal reformista na contramão do conservadorismo
nazi-fascista de Donald Trump
Considero a cobertura que Cláudia Trevisan fez da Convenção do Partido Democrata realizada  esta semana na Filadélfia um brilhante trabalho de síntese de tudo quanto foi dito no evento. Em especial, fiquei bastante impressionado com a maneira como  a repórter articulou o discurso feito por Barack Obama em apoio a Hillary Clinton. É verdade que a clareza do pensamento do presidente ajuda, mas se o jornalista não guardar alguma intimidade com as variáveis do pensamento liberal nos Estados Unidos, nem o lead da matéria seria escrito corretamente. Independente do meu entusiasmo pelas ideias de Obama, a cobertura de Trevisan nos faz lamentar a escassez de estadistas de porte no Brasil. Vale a pena ler a matéria do Estadão e atentar para os elementos clássicos do Liberalismo que justificam a rejeição de Donald Trump.

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A Era do pequeno Temer: de volta ao fax

Sarney Filho: a volta ao fax é apenas um dos indícios
do anacronismo da interinidade de Temer.
O país está de dedos cruzados para que esse
pesadelo acabe logo.
O "ministro" do Meio Ambiente, José Sarney Filho, ordenou a instalação de aparelhos de fax nas principais salas da pasta em Brasília. A notícia é da Folha de S. Paulo

O jornal, que ainda tenta se recompor depois do escândalo da manipulação de pesquisas que fez para favorecer Temer, nem mesmo ele conseguiu esconder o espanto que a iniciativa de Sarney provocou: "No auge da popularidade dos aplicativos de troca de mensagens e dos emails criptografamos, o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho (PV)m, recorreu a uma medida que causou estranheza: mandou reinstalar em áreas estratégicas da pasta (...) aposentados aparelhos de fax" (leia mais)

O estilo retrô dominante no ambiente da interinidade (que 62% dos brasileiros esperam que seja substituída por eleições gerais imediatas) não se restringe ao uso de tecnologias ultrapassadas: a mesóclise, por exemplo, já é usual em ofícios administrativos; uma inspiração que data dos pronomes oblíquos de Jânio. Também a política econômica de austeridade fiscal - que inibe o crescimento econômico e desmonta programas sociais - está bastante superada desde o início da crise de 2008, como se pode observar no mundo inteiro. 

A Era Temer... que pena... O Brasil não merecia isso.
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segunda-feira, 25 de julho de 2016

Pokémon Go: temos que resistir

Pokémon Go é tecnologia de biopolítica. 
Algo que fala em uma voz aos milhões atomizados e à sua
maneira ajuda a orientar suas vidas.
Por enquanto, evidentemente, suas injunções são brandas...

Por Sam Kriss

(Jacobin, via blog da Boitempo)
De acordo com um certo filão rabugento da crítica de esquerda, a cultura está nos infantilizando. Afinal, suas formas dominantes (as que não apenas se mostram mais rentáveis mas que também vêm codificando o próprio terreno cultural), são vídeo games – que são para crianças – e filmes de super-heróis – que também são para crianças!
E não é apenas uma questão de gênero: essas formas exigem um determinado tipo de engajamento, pois pressupõem um determinado tipo de sujeito – o de uma criança eufórica e cobiçante. Não basta só pagar o preço de admissão, mas dar aporte à cultura-mercadoria de forma acrítica, identificar com seus personagens, comprar os brinquedos, nutrir uma obsessão que beira o patológico. Agir, em outras palavras, com a euforia voraz de uma criança fastidiosa.
Qualquer outra forma de engajamento é tacitamente proibida. Veja a fúria dos fãs quando alguém tenta abordar a cultura de massa com qualquer tipo de olhar mais crítico. “Por que está levando isso tão a sério?”, “Pra que tanta pretensão?”, “É só um filme/jogo, não quer dizer nada…” Mas ao mesmo tempo algo que diz: “Pô, qual é? Você está cortando meu barato.” (leia aqui a versão integral do artigo).

Leia também: Por que os trintões ficaram malucos com o Pokémon Go? (El País)
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domingo, 24 de julho de 2016

Caso Alstom: Assembleia Legislativa deve afastar Alckmin

Atualização:


Perdão de dívida da Alstom por Alckmin será investigado


Matéria da Folha anuncia hoje (26/07) que o MP de São Paulo vai investigar o ato de imoralidade administrativa - e bastante desabonadora sobre sua transparência - que Geraldo Alckmin cometeu ao perdoar a dívida no valor de R$ 116 milhões que a empresa Alstom tem com a Fazenda pública. Além disso, o governador também permitu que a empresa, envolvida em diversos processos por fraude em licitações públicas, entregue o sistema de controle de trens do Metrô com 10 anos de atraso. Nada disso cheira bem (leia a postagem anterior sobre o assunto).
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Postagem de 24 de julho: 


O escândalo da Alstom - como ficou conhecido o rumoroso caso das irregularidades cometidas com os trens do metrô - ganhou esta semana sua face mais imoral e sórdida, não só porque é imoral essa anistia que Geraldo Alckmin, governador do Estado, concede à empresa - justamente ele que foi eleito para defender o interesse público -, mas porque o país está diante de um evento que exala um forte cheiro de roubalheira promovida por personalidades de ponta do tucanato, entre eles um ex-governador que hoje se destaca como liderança golpista em âmbito federal, como é o caso do "ministro" José Serra.

Não imagino o que os Ministérios Públicos Estadual e Federal devem fazer para restaurar o princípio da moralidade dos negócios do Estado de São Paulo, mas estou convencido de que pelo menos a Assembleia Legislativa do Estado, se a ela ainda restar algum pingo de dignidade e de respeito aos eleitores, deve abrir uma rigorosa CPI para apurar o envolvimento pessoal do governador no episódio e decidir por seu afastamento preliminar. Cassação de mandato, prisão e ressarcimento dos cofres públicos são decorrências eventuais desse processo - se for levado a sério.

Sugiro a leitura, em primeiro lugar, das notícias da Folha que dão conta imediata do episódio. Em seguida, a relação das informações que traçam o histórico do escândalo.

* Alckmin perdoa dívida de R$ 116 milhões de acusada de cartel * Acordo com a Alstom beneficia Metrô, diz secretaria dos transportes

O dia em que Alckmin foi à Alstom e autorizou trens que seriam superfaturados (Viomundo) * Alstom é alvo de uma série de investigaçõesFausto Macedo_O caso dos trens em SP * É uma vergonha a atuação do MPF no cartel de trens de São Paulo, afirma deputado * Metrô de SP rompe contrato e monotrilho da Linha 17 é suspenso * Os trens fantasmas do metrô * Promotoria já pediu dez vezes a prisão de executivos do cartel de trens em SP * Justiça de SP aceita denúncia contra cartel de trens durante o governo Serra * Com obra retomada, custo da Linha 4 deve aumentar em pelo menos 54% * Governo Alckmin dá calote de R$ 332,7 mi no Metrô de São Paulo * Governo Alckmin pedala e dá calote de R$ 333 milhões no Metrô Promotoria pede condenação de secretário de Alckmin e mais 8 por abandono de 26 trens do Metrô.
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sexta-feira, 22 de julho de 2016

Olimpíadas: truculência do governo ilegítimo de Temer instala pânico no país inteiro

 Para Luis Nassif, do GGN, 
a carreira do ministro Alexandre de Moraes é 
"pavimentada a sangue (...)
um caso clássico do político sem princípios, 
que se adapta a qualquer circunstância" (leia aqui)

A pretexto de garantir a segurança dos Jogos Olímpicos no Rio e evitar possíveis atentados terroristas, o governo ilegítimo de Michel Temer, sob o comando do truculento Alexandre de Moraes - que ocupa a pasta da Justiça -, está disseminando no país inteiro um clima de medo confuso e ineficaz para seus próprios objetivos (leia aqui).

Trata-se de uma onda que parece refletir a postura autoritária que o grupo de Temer manifesta em relação a toda  postura dissidente do reacionarismo que predomina em todas as áreas da interinidade - da Educação à Política Externa (com a exceção da ponderação feita pelo ministro Raul Jungmann sobre a paranóia que se espalhou pelo país).

O caso paradigmático que deu início à onda discricionária criada sob o impacto dos Jogos Olímpicos foi a expulsão do professor e pesquisador da UFRJ Adlène Hicheur (leia aqui o artigo de Carlos Lungarzo sobre todas as dimensões do episódio), fato que serviu para abrir no mundo inteiro um sentimento de frustração com a Olimpíada e uma certeza difusa de que o Brasil sairá dos jogos como um país de 2a ordem na organização de eventos internacionais.

Sugiro a leitura: * Brasil deporta físico argelino acusado de terror (Estadão) * Físico deportado é vigiado na França (Estadão) * Prisões feitas pela PF parece excessivas, diz professor (Uol) * O físico nuclear e o criador de galinhas. Se a paranóia impera, o terror vence (Fernando Brito, Tijolaço) * O que ninguém entendeu sobre a Operação Hashtag (Huffpost Brasil) * Combate ao terrorismo não tem volta (O Globo) * O Brasil precisa de um governos sancionado pelas urnas? (Juan Arias, El País)
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quinta-feira, 21 de julho de 2016

Seriedade em xeque: Datafolha manipulou e distorceu resultados de pesquisa

Atualização: 

A fraude jornalística da Folha é ainda pior: surgem novas evidências

A distorção provocada deliberadamente pela Folha de S. Paulo com os dados da pesquisa sobre o desgoverno interino é ainda maior do que vem sendo anunciada. Acompanhe na matéria lincada aqui novas evidências da maneira desonesta como o jornal agiu para favorecer Temer.

Leia também: * Para Estadão, maioria está equivocada (Estadão) * Nem Dilma, nem Temer: a maioria da população quer eleição antecipada (R7 notícias) * Fora Temer e fora Dilma: maioria dos brasileiros quer novas eleições (Huffpost) * É possível chamar de erro o que foi uma fraude? (Sylvia Moretzsohn, Objethos) * A Folha errou e persistiu no erro (Paula Cesarino Costa, Ombudman da Folha)* O Datafolha e a fragilidade das instituições (Carta Capital) * Fraude da Folha escancara queda do apoio ao golpe e da rejeição de Lula (Blog da Cidadania
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Do jornal El País: 62% apoiam novas eleições, diz dado que Datafolha publica agora 

Flávia Marreiro

Para 62% dos brasileiros, uma saída para a crise política seria a renúncia de Michel Temer e Dilma Rousseff para que fossem realizadas novas eleições. Foi o que responderam, quando questionados sobre a possibilidade, os entrevistados do Datafolha, mas o dado auferido na pesquisa feita pelo instituto em 14 e 15 de julho não apareceu nas reportagens publicadas sobre o assunto e nem no relatório da pesquisa disponibilizado pelo instituto em seu site nesta terça-feira. A existência desta e de uma outra pergunta, a respeito da percepção popular sobre os procedimentos do impeachment, foram reveladas pelo site Tijolaço e confirmado em reportagem publicada pela própria Folha, que traz link para a nova versão do documento. O episódio aprofunda a controvérsia em torno do mais respeitado instituto do país, que vinha sendo questionado por ter apresentado dados de maneira imprecisa em um gráfico do jornal sobre os favoráveis a uma nova votação e por supostamente não ter repetido a pergunta sobre o hipotético pleito, como no levantamento de abril. 

"O resultado da questão sobre a dupla renúncia de Dilma e Temer não nos pareceu especialmente noticioso, por praticamente repetir a tendência de pesquisa anterior e pela mudança no atual cenário político, em que essa possibilidade não é mais levada em conta", disse, no texto publicado pelo jornal, Sérgio Dávila, editor-executivo da Folha. Dávila argumentou que é prerrogativa da publicação escolher o que acha jornalisticamente mais relevante no momento em que decide publicar a pesquisa e que não é incomum que não usem perguntas do Datafolha em reportagens. O EL PAÍS havia questionado a Folha mais cedo, nesta quarta, sobre a ausência da pergunta de novas eleições. Ao Datafolha, a reportagem perguntou por que aparecia uma cifra de 60% de apoiadores de novas eleições no relatório da pesquisa então disponível, já que não havia referência ao dado no restante documento. Perguntou ainda sobre as novas perguntas apresentadas pelo Tijolaço. Em resposta, ambos anunciaram que publicariam reportagem sobre o tema. Alessandro Janoni, do Datafolha, acrescentou ainda sobre a nova versão do documento: "Atualizamos os relatórios no site do Data à medida que a Folha publica os resultados, justamente para não furar o jornal (permitir que a Folha publique em primeira mão). A pesquisa geralmente é fatiada e divulgada aos poucos."

Leia
aqui a íntegra da matéria publicada no jornal El País.

Acompanhe também: * A matéria mentirosa aqui * Folha: fraude jornalística na pesquisa (Outras Palavras) * Impeachment é golpe de Estado, determina Tribunal Internacional pela Democracia (Opera Mundi) * As matérias de Fernando Brito no Tijolaço sobre a fraude da Folha: A Folha, Greenwald, e o acaso que fez o Tijolaço desmontar  a farsa da pesquisa; A Folha confessa que omitiu resultados, mas não explica porque os adulterou; Na íntegra, o relatório do Datafolha que teve partes ocultadas ao público; A Folha escondeu e o Tijolaço achou a pesquisa: 62% dos entrevistados querem novas eleições; Datafolha "confessa"que 60% querem nova eleição; A fraude da Folha no Intercept, agora em português; Greenwald diz que Folha manipulou a pesquisa para "empurrar" Temer; O "catalão" da Folha: misturar para induzir. Por Letícia Sallorenzo.
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