sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Virada conservadora isola Dilma

Na política, metáforas que se inspiram na Física explicam muito sobre a realidade
Dia desses fiz referência em aula a um conceito que Fernando Pedreira, nos idos dos anos 70, usou para contextualizar o período de conservadorismo que o mundo capitalista viveu depois das barricadas de 1968. O jornalista, que deve ter sido um dos mais importantes colunistas políticos da imprensa nacional, chamou de reação termidoriana a mancha autoritária que se estendeu praticamente no mundo inteiro na época, inclusive com o endurecimento do regime militar brasileiro a partir do Ato Institucional 5.

Pois eu acho que, guardadas as diferenças substanciais que existem entre os dois contextos históricos - o dos anos 70 e o de hoje -, estamos presenciando uma reação conservadora na vida política brasileira que é uma espécie de anti-clímax do período de média duração que o país viveu desde a Constituinte de 1988 com os sucessivos processos de intensificação das conquistas sociais e dos direitos da cidadania. A eleição de Dilma no 2o. turno pode ter representando o esgotamento de um ciclo.

Os sintomas que atestam essa virada conservadora são inúmeros e o principal deles é a pressão que empresários e seus porta-vozes desencadearam pelo controle do núcleo econômico do governo nem bem a apuração dos votos havia terminado. Neste caso, trata-se de reversão de um modelo que pela hibridez e descaracterização com que vem sendo conduzido desde a chegada de Lula ao governo em 2003, absorve as demandas neliberais com forte legitimação simbólica, inclusive por parte dos integrantes do executivo. No final das contas, nesse setor, a plataforma dos que perderam a eleição acaba por se impor aos vencedores, num processo paradoxal que se estende por todos os demais setores do Estado (contine a leitura)
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terça-feira, 28 de outubro de 2014

Empresários querem anular o resultado das eleições...

MERCADO REIVINDICA GUINADA ECONÔMICA DO GOVERNO
(matéria da Folha diz tudo...)

Abílio Diniz quer governo voltado para a proteção dos empresários e os analistas estimulam o golpe da descaracterização do resultado das eleições
País corre o risco de ser espoliado pelos interesses privados
Como um prólogo: a notícia de que a presidente eleita vai indicar o nome de um figurão do Bradesco para o cargo de Ministro da Fazenda é assustadora. Se acontecer mesmo, vamos mais uma vez assistir à perda de identidade de um governo que tem respaldo popular na sua escolha, mas frusta a essência das reformas que precisam ser feitas, a principal delas: a erradicação dos interesses privados da gestão do Estado. Reitero, portanto, o conteúdo do post de domingo, logo abaixo:

O twitter ficou febril nos momentos que cercaram a divulgação dos resultados da eleição para presidente. Foi divertido e mesmo emocionante constatar a diversidade de opiniões do pessoal, eu mesmo incluído entre os ansiosos para saber se os boatos de uma vitória de Aécio se confirmariam. O que me chamou a atenção depois de conhecida a diferença apertada da reeleição de Dilma foi a rapidez com que a tese do "país dividido" ganhou espaço. Posso estar enganado, mas tudo indica que se trata de uma construção discursiva perigosa e que vai além do fracionamento numérico do eleitorado.

Não há país dividido; há um país plural que não se resume a duas metades, pois se levada a sério a ideia de um país secionado admite-se o imperativo da "união nacional" que supere as divisões. Um suposto cientista político entrevistado por uma rádio saiu-se com esta: "O Brasil é um país; não uma federação de estados". Com o resultado da apuração nas mãos essa figura que não tem a menor ideia do que diz, certamente advogaria a necessidade de um todo que se impõe às partes.

Pois é exatamente com esse raciocínio aparentemente lógico, mas desprovido de qualquer consistência analítica, que nossas elites se mantém no poder há séculos, sempre impondo a conciliação sobre a ruptura; a ordem sobre o desordenamento. Daí minha lembrança de Lacerda referindo-se a Getúlio em 1950 quando este pensava em lançar-se candidato à presidência: "se eleito, não deve tomar posse; se empossado, deve ser impedido de governar". Puro golpe em nome de uma esperta união nacional que o getulismo inviabilizava.

Pode estar acontecendo o mesmo agora. Minha interpretação do resultado da eleição de Dilma é complicada: acho que esse impulso mudancista que conseguiu aglutinar uma parte significativa da opinião pública não significa um aval do eleitorado ao conservadorismo ou a uma eventual plataforma de inspiração direitista. A impressão é a de que a ideia de que isso tenha ocorrido será estimulada no discurso da mídia como parte de um processo de desgaste político do novo governo já na partida, hoje mesmo, amanhã nos jornais. Se Dilma cair na conversa populista de uma presidente de todos os brasileiros, estará comprometendo seu governo irremediavelmente. Seu governo deve ser, na minha opinião, um governo de ruptura - paradoxalmente uma ruptura que supere o fracionamento numérico dos votos.

* Sugiro a leitura do artigo O discurso da conciliação, de Luciano Martins Costa, publicado no Observatório da Imprensa.

* José Roberto de Toledo, articulista do Estadão, reconhece no texto Pela volta do fusível que o 3o. turno começou pelas demandas do mercado financeiro.
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domingo, 26 de outubro de 2014

Meu voto...

Estou convencido de que Dilma Rousseff é a melhor escolha para governar o Brasil
Que sufoco tem sido essa longa travessia do nosso país na direção do desenvolvimento social e da democracia... As alternativas se embaralham e muitas vezes são o resultado de uma tentativa de manter esse processo usurpador de que as elites se valem para deixar intocados seus interesses privados - quase nos fazendo acreditar que são também os nossos interesses os que elas defendem. Não são.

Esses últimos episódios da campanha eleitoral dão bem a medida do que a sociedade brasileira tem pela frente: uma armação manipuladora, disposta fora do regramento ético e legal, fundada no ódio social - um embrulho com aparência moralista. Na verdade, essa hipocrisia está sendo empunhada pelo mesmo grupo que tripudiou sobre a soberania nacional e sobre o bem-estar dos brasileiros enquanto esteve no poder até 2002. 

Estou convencido de que é preciso evitar o retrocesso que uma vitória de Aécio representa, tanto em termos de projeto econômico  e social quanto no âmbito das práticas da representação democrática. Acredito num Estado Desenvolvimentista, numa Educação pública e gratuita, num sistema de saúde socializado, em políticas ambientais e urbanas voltadas para os interesses da humanidade, num país que submeta os interesses fundiários aos objetivos da diversidade produtiva e em políticas públicas que alterem a estrutura da distribuição da renda nacional e que assegure a participação dos cidadãos nos seus próprios destinos.

É por isso tudo que voto na Dilma. Acho que ela é mais séria, mais digna e está mais preparada para enfrentar esses desafios... 
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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A luta agora é contra o mau-olhado...

"A figa, originalmente um amuleto italiano, chamado Mano Fico, também era usada pelos etruscos na era romana. Mano significa mão e Fico ou Figa é a representação dos genitais femininos, e era associado a fertilidade e erotismo" (Wikipédia)
Mas é possível simplificar em razão da conjuntura nacional: faço figa agora para evitar mudança inesperada de rumo, mau-olhado e coisa ruim...

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