quarta-feira, 19 de julho de 2017

E agora, José? A reforma trabalhista e a ordem constitucional (Valdete Souto Severo, via Carta Capital)

A juíza do Trabalho, Valdete Souto Severo, uma dura opositora
à reforma da CLT que foi criminosamente aprovada no Senado. 
Os questionamentos apresentados em artigo publicado na revista 
Carta Capital não podem passar à História sem respostas e sem
 uma ação contundente que inviabilize sua implementação
Estava no Uruguai quando o Senado brasileiro, numa vergonhosa, triste e inesquecível sessão de encolhimento de sua dignidade, aprovou a principal joia do golpe do impeachment: a liquidação dos mais importantes direitos sociais dos trabalhadores, uma bandeira que aglutinou o que há de pior na vida brasileira, à frente os empresários e seus testas de ferro.

Devo ter lido, à distância, acho que as principais notícias e artigos sobre o assunto, inclusive aqueles que repetem a lenda de que se trata de um conjunto de normas que visam permitir que o Brasil ingresse numa era de modernização jurídica que beneficiará nosso crescimento econômico, em que pesem as evidências de que somos hoje, depois de aprovada a reforma, o país mais atrasado em termos de proteção social ao trabalhador além do fato de que não há nenhum indício de que as mudanças favoreçam qualquer retomada da economia. Dentre todos os textos através dos quais procuro entender a dimensão das novas regras, penso que o artigo de Valdete Souto Severo publicado em Carta Capital é o mais abrangente e o mais bem fundamentado. Reproduzo-o aqui, sem autorização nem da autora nem da revista, acreditando que sua divulgação colabora na nova etapa da luta contra a quadrilha que governa o Brasil. Leia a íntegra do texto aqui.
______________________________

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Terá sido "o quinto ato conclusivo" da revolução burguesa no Brasil?

Henrique Meirelles, uma figura medíocre e venal na formulação
de políticas de desenvolvimento, mas exímio defensor do capital 
especulativo ao qual ele aluga o que sabe fazer melhor:
a minimização do social como instrumento de transferência da
riqueza gerada pelo trabalho para as mãos dos empresários. 
A referência feita no título da postagem eu tomo emprestada de Mário de Andrade tal como aparece na obra de Carlos Guilherme Mota - Ideologia da Cultura Brasileira, 1977, p.85). Trata-se de um quase desabafo do autor de Macunaíma a propósito do balanço intelectual da geração à qual pertenceu durante e depois do movimento Modernista. Tem pouco a ver diretamente com a crise política e moral que estamos vivendo no Brasil de hoje, mas tem muito a ver com a ideia de que a aprovação da reforma da CLT semana passada pode ter sido o fechamento de um ciclo da revolução burguesa em nosso país, que eu vejo como um processo que se desdobra em cinco etapas desde a Revolução de 1930.

Talvez um processo de média duração que encontrou nas práticas da conciliação política adotadas ao fim do regime militar o espaço para a plena hegemonia neoliberal assegurada com o golpe parlamentar que derrubou Dilma Rousseff no ano passado.

Eu francamente tenho dúvidas em especular sobre os desdobramentos que isso terá na vida nacional, já que as mudanças na legislação trabalhista vêm associadas ao apodrecimento quase literal das instituições do Estado e de suas formas de representação, mas é possível imaginar, como o fez Moniz Bandeira, que estamos às vésperas de uma convulsão social, tal é a selvageria que passa a imperar nas relações sociais (leia aqui), alguma coisa parecida com as causas da Comuna de Paris, em 1871. Aliás, sintomas dessa indignação e desprezo popular já podem ser percebidos em episódios relatados nas indicações de leitura feitas abaixo. O certo é que o "quinto ato conclusivo" dessa burguesia meia boca como é a brasileira, é um ato de confronto e de açodamento da luta de classes. Pessoalmente, não acredito que haja possibilidade de conciliação a partir de agora.

______________________________

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Aumenta a rejeição a Doria e a Bolsonaro (via GGN)

Bolsonaro e Doria são fantoches autoritários e, como tal, vão
 ampliando seu distanciamento do povo e do Brasil
Doria e Bolsonaro, as principais ameaças que a sociedade brasileira vai enfrentar nas próximas eleições presidenciais  já dão sinais de declínio na preferência dos eleitores. As duas candidaturas não representam exatamente a mesma coisa, mas têm como ponto de aproximação o reducionismo com o qual modulam sua percepção da sociedade brasileira. De um lado, a aversão anti-democrática proclamada por Bolsonaro  e enaltecida como solução radical para os problemas que o país vive, entendo-se aqui o "radical" como supressão das liberdades públicas e dos direitos humanos. Bolsonaro é um saudosista da ditadura militar e a julgar pelo acontece com seu nome nas pesquisas, não consegue ampliar a empatia da sociedade com seu projeto.

De outro lado, Doria: um caso mais complicado porque emoldura e disfarça sua indisposição anti-democrática com a rejeição ao estatuto da política, apresentando-se como o portador do evangelho empresarial. De início, quando seu nome cresceu na campanha municipal de 2016, o fato que o embalava era a rejeição ao PT depois da forte campanha midiática pelo afastamento de Dilma Rousseff. Vencida a eleição, não demorou quase nada para que o vazio de seu projeto ficasse em evidência. Embora o charme do moderno e do anti-lulismo continue servindo como mote de todas as suas arengas voltadas para o conservadorismo da classe média, cresce fortemente em São Paulo a constatação de que o cara é uma anta incapaz de levar à frente um único projeto para a cidade sequer. Na verdade, ao lado do vazio de seu discurso, o garoto mimado da elite paulista (um empresário fracassado que vive como parasita), fica cada vez mais evidente que ele não tem a menor ideia de fazer na prefeitura. Como disse Glberto Maringoni, São Paulo está um lixo.

Pessoalmente, entendo que a desconstrução dessas duas candidaturas é a tarefa número um de todo mundo para as próximas eleições, mas parece que elas próprias vão evidenciando sua fragilidade e estupidez.

______________________________

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Kátia Abreu volta à carga e desmascara votação do parecer da CCJ da reforma trabalhista

Kátia Abreu, mais uma vez desabrida e corajosa, aponta os crimes que o Senado comete ao aprovar o relatório da Comissão de Constituição e Justiça sobre a reforma trabalhista e denuncia a farsa em torno de um suposto acordo feito com o Palácio do Planalto para introduzir mudanças na Lei através de Medida Provisória
* Reforma Trabalhista na CCJ: a farsa de Jucá e o voto dos senadores (Carta Capital) * A traição da Força Sindical (Veja) * Leia e assista: Katia Abreu, quando a dignidade fica acima dos interesses de classe (do blog)


Da mesma forma que todos os demais trabalhadores brasileiros, os professores lutam contra a mudança na legislação trabalhista, contra a reforma na Previdência e por eleições gerais e diretas como caminho para restabelecer a democracia no país. Leia a análise que o SINPRO-SP faz sobre cada um dos motivos que vai nos levar à Av. Paulista no próximo dia 30 de junho, a partir das 16h, e saiba quais são os argumentos do Sindicato para lutar contra Temer e quadrilha. ______________________________

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Michel Temer: cinismo e degradação

Temer e o grupo de safados que o apoiam: espetáculo de simulação e desfaçatez
Postei a foto acima no twitter ontem acompanhada de uma pergunta: todos ali estavam com suas tornozeleiras? O espetáculo oferecido por Temer ao país justifica a dúvida: o "presidente" golpista - que não sabe como foi parar no cargo que ocupa - é um fantoche dos empresários e um beneficiário da corrupção. O melhor que poderia fazer é entregar-se em qualquer delegacia de subúrbio e admitir que tem que pagar pelos crimes que vem cometendo.

Com exceção de um único jornal, mais comprometido com a violação dos direitos sociais do que com a ética da Presidência da República (leia aqui), a unanimidade da crônica política e dos analistas mostra que o que mantém Temer no cargo, pelo menos até a greve geral cada próxima 6a feira, é um delicado conjunto de subterfúgios legais e uma pequena vantagem de que dispõe no Congresso formada por parlamentares comprometidos com o grande capital (na CCJ que vai apreciar a denúncia até agora só Paulo Maluf foi favorável a Temer).

Leia mais: Josias de Souza: Temer fala como se presidisse um país de bobos (Uol); Afonso Benites e Heloisa Mendonça: Calvário de Michel Temer ainda está distante do fim (El País); Aline Magalhães e outros repórteres: * Denúncia contra Temer tem mais provas de corrupção que outras apresentadas por Janot (The Intercept); Hélio Schwartsman: * Por que Temer não cai? (Folha); Elio Gaspari: * Esfarelando, governo Temer produziu três grandes vexames em 3 dias (Folha); Zuenir Ventura: * Às favas a biografia (O Globo); Fernando Rodrigues: * Temer começa a se defender, assim como Collor e Dilma, que caíram (Poder 360); Bernardo Mello Franco: A ficção de Temer (Folha).

Outras: * Renan quer renúncia de Temer e diz que governo não tem credibilidade (Valor) * Denúncia da força a nova onda de pressão no PSDB para deixar o governo Temer (FolhaTemer na presidência encarece ajuste e se torna um peso (El País) * Governo perdeu ambiente para as reformas, diz Monica de Bolle (Estadão) * Paulo Skaf estava na cota dos 10 milhões de Temer (Carta Capital) * Temer disse a Joesley que empresário influenciou escolha de Meirelles para o governo (Época).
______________________________

terça-feira, 27 de junho de 2017

Chegamos lá...

‘E para mim? O que tem?’

"Nada nos destruirá"
Michel Temer: um horizonte sombrio e solitário pela frente
(o resultado acabado do poder desintegrador das elites
brasileiras lideradas por um empresariado corruptor e
corrompido)
Na denúncia contra Michel Temer por corrupção passiva, procurador-geral da República cita que executivos da JBS, Joesley Batista e Ricardo Saud, descreveram "a relação espúria mantida entre o grupo J&F e o presidente" e transcreve frase atribuída ao peemedebista (leia a íntegra da matéria do jornal O Estado de S. Paulo)

"Você está bem de corpo", diz Temer a Joesley (leia na reportagem de O Globo), em diálogo surrealista travado à margem dos crimes que ambos - e seus aliados e defensores - praticaram contra o Brasil.

"Sempre pela garagem, viu?", recomendou Temer a Joesley.  Em conversa grava pelo empresário, presidente ainda ressaltou aspecto da visita noturna do dono da JBS ao Jaburu: "não tem imprensa" (leia no Estadão)

Pena de Temer pode chegar a 12 anos de prisão e multa de R$ 10 milhões (Poder 360)
______________________________

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Fora Temer, Diretas Já!

Lula lidera, e 2º lugar tem empate de Bolsonaro e Marina, diz Datafolha

Matéria da Folha de S. Paulo aponta tendência de votos nas eleições presidenciais de 2018 (leia aqui). Notícia reforça a percepção de que de tirar Temer do governo é urgente. Golpe da burguesia fracassou de ponta a ponta.
______________________________