sábado, 22 de abril de 2017

Ao lado de todos os trabalhadores, professores em greve no 28 de abril

Conclamação do Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-Sp)


Está claro para toda a sociedade que o governo Temer quer acabar com os direitos e garantias dos trabalhadores de todas as categorias. 

Reforma da Previdência, desmonte da CLT, terceirização irrestrita são propostas que demonstram a disposição selvagem em entregar o Estado a interesses privados, a qualquer preço. 

Exemplo dessa determinação está na forma com que Temer tem tentado aprovar as reformas no Congresso Nacional. Da distribuição de cargos à liberação de emendas e ao controle dos votos pelo cabresto, vale tudo. 

O resultado é o que interessa: impor à sociedade mudanças de altíssimo custo que, se aprovadas, dificilmente poderão ser revertidas.

A sociedade brasileira não pode permitir a violação de seus direitos. O único caminho é o da retomada do Brasil pelas mãos do povo na greve geral do próximo dia 28.

Cresce mobilização entre os professores das escolas privadas

A cada dia, a decisão de parar ganha corpo entre os professores. Esse crescimento é percebido nas ligações que o SinproSP recebe na linha exclusiva e nos pedidos de materiais, de informações gerais e de visitas às escolas.
Discussões internas ocorrem nos intervalo de aulas, nas reuniões pedagógicas ou mesmo no final das atividade, em escolas de diferentes perfis e tamanhos, confessionais ou não, e espalhadas por toda as zonas da cidade – norte, sul, leste e também oeste.
Nem sempre é uma discussão fácil, mas muito necessária e que está surtindo efeito. Levantamento preliminar indica que já está confirmada a paralisação em cerca de 100 escolas. Esse número vai aumentar até o dia 28.
O trabalho de mobilização e de orientação será intensificado, com visitas às escolas e distribuição do boletim, adesivos e camisetas aos professores. Nesta última semana, quatro carros de som vão percorrer todas as zonas de cidade.
A greve é um direito constitucional e um ato legítimo de uma categoria que é muito diversificada, mas encontrou unidade na luta em defesa das aposentadorias e dos direitos trabalhistas.

Leia mais:


R. Borges Lagoa, 280 - 50805988 (Est. Sta Cruz)

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Direitos trabalhistas: mais um golpe

O abate dos direitos dos trabalhadores

Hugo Cavalcanti Melo Filho
(publicado no Boletim do DIAP)

Então será assim? O maior golpe aos direitos dos trabalhadores e aos padrões de civilidade mínima na relação entre capital e trabalho será desferido, sem qualquer constrangimento, pela pior composição parlamentar de todos os tempos, cuja maioria chafurda na lama das delações de corrupção sistêmica? A sociedade assistirá, perplexa e irresoluta, a isso?

O governo ilegítimo de Michel Temer enviou ao Congresso golpista projeto de lei que tomou o número 6.787/16. O conteúdo da proposta, embora não tenha surpreendido os que conheciam os propósitos do Golpe de 2016, indignou a todos que têm o mínimo compromisso com o Estado Social de Direito inaugurado pela Constituição de 1988 e, atualmente, em fase de aniquilação. 

Nem a ditadura militar, nem mesmo FHC, no auge de sua sanha flexibilizadora, nos anos 1990, ousara propor alterações tão nefastas para o trabalhador brasileiro: ampliação das possibilidades de contratação a tempo parcial, prevalência do negociado sobre o legislado - mesmo quando estabelecidas condições menos favoráveis ao trabalhador do que aquelas previstas na lei -, em temas como jornada de trabalho (até 12 horas diárias) e duração mensal do trabalho (até 220 horas), redução de intervalo intrajornada (para até 30minutos), fim da remuneração do tempo de percurso, banco de horas, entre outros relevantes aspectos (continue a leitura).
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domingo, 16 de abril de 2017

A substância do crime: 17 de abril de 2016, o dia da vergonha nacional

O discurso de Temer é cínico e insincero. Não fossem os motivos que se acumulam para que saia do lugar onde está, em especial a agressão que ele e seus cúmplice promovem contra os direitos sociais, bastariam essas duas virtudes para justificar o grande movimento popular que se avizinha com a greve geral de 28 de abril e que pode vingar a vergonha que passamos há um ano.  Sobre a entrevista de Temer no vídeo acima, veja também a matéria do Uol: Dilma usará entrevista de Temer para contestar legalidade do impeachment. Aliás, a deslealdade entre os golpistas é tamanha, que o própro Cunha já afirmou que o parecer do impeachment foi conferido por Temer antes de que o processo fosse aberto (leia aqui).

A postagem abaixo da triste imagem de Jair Bolsonaro foi feita em 17 de abril de 2016. Tenho dito aos meus alunos que se fosse possível indicar um ponto de inflexão da honra nacional, seria essa a data escolhida, o momento em que - agora já se sabe - uma quadrilha de mal-feitores articulou o controle do Poder Legislativo sob a manipulação do facínora Eduardo Cunha com os interesses empresariais e da grande mídia para o golpe do afastamento da presidente eleita Dilma Rousseff. O resultado foi o que se viu nesses 12 meses: um país inteiro sendo assaltado pelo mesmo grupo, agora sob o comando de Temer, um sujeito de péssimo caráter e de moral corroída pelos crimes dos quais é acusado.

Dia 28 de abril de 2017 pode muito bem ser o reverso dessa história. Torço para que o povo tome as ruas e resgate o país em suas mãos. Em tempo: não deixe de assistir ao documentário francês sobre o golpe - Brasil: o grande salto para trás - postado na matéria do sitie Brasil 247.

O deputado Jair Bolsonaro no momento em que fazia sua declaração de voto a favor do golpe contra a presidente Dilma Rousseff, sessão da Câmara Federal de 17 de abril de 2016

A substância do crime não advém apenas do fato de que ele tenha sido cometido; sua essência vem também do fato de que ele tenha sido desejado e que continue a sê-lo, mesmo depois de ter sido cometido. Essa me parece ser a lógica da psicopatia e de todo o conjunto de implicações que ela traz consigo, ainda que disfarçada de justificativa ideológica ou coisa que o valha. 

Foi essa substância que a sociedade brasileira não soube erradicar da sua vivência política quando caiu a ditadura; foi esse o resultado do espírito de conciliação que arrefeceu o impulso de mudar o Brasil, tirá-lo em definitivo das mãos das elites, dos empresários e dos conservadores de todos os tipos que viveram na sombra dos militares, inclusive com a conivência com o que se passava nos porões. Nem a Comissão da Verdade conseguiu passar essa história a limpo.

Na Argentina, no Chile, no Uruguai, na Espanha, em Portugal - para citar alguns países que viveram sob ditaduras cruéis e sanguinárias - é inimaginável que alguém venha a público louvar torturadores e espezinhar sobre suas vítimas. Embora nem todas as contas estejam acertadas com o passado, são sociedades que se orgulham de rejeitar a mancha que cobriu parte de sua história, e continuam fazendo o possível para apagá-la. No Brasil, infelizmente isso não acontece. 

Não é o afastamento de Dilma o que me incomoda; o que me incomoda é o constrangimento provocado pela forma como ele foi justificado e aprovado nesta etapa da Câmara: o recurso à pura substância do crime, mesmo por parte dos que não o praticaram. Não há ajuste fiscal para isso e o Sr. Temer, um epígono de última hora do que há de pior na política brasileira, é capaz de arrastar consigo, para o governo, essa ofensa que nos atinge e nos envergonha.

Leia mais: * A radiografia do dia mais humilhante da História do Brasil (Sprinklr* A escada de Bolsonaro para 2018 (El País) * Em memórias delas, as mulheres assassinadas pela homenagem de Bolsonaro (GGN) * Um retrato do torturador Ustra, segundo suas vítimas (El País) * Dilma: "É terrível homenagear o maior torturador do Brasil" (El País) * Entidades cobram punição de Bolsonaro (Boitempo) * Problemas com o espelho? (Mauro Iasi, Boitempo) * Instituto Vladimir Herzog pede que deputados expulsem Bolsonaro (Estadão) * FHC pede que PSDB repudie fala de Bolsonaro sobre torurador (Estadão) * Setor de direitos humanos cobra Temer por Bolsonaro (Estadão) * Por que escrachamos Jair Bolsonaro (Brasil 247) * Parlamentares vão à PGR contra Bolsonaro por 'apologia à tortura' (Folha) * Cinco partidos e Instituto Vladimir Herzog vão à Procuradoria contra Bolsonaro (Estadão).
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sábado, 15 de abril de 2017

A dinâmica social que as elites políticas brasileiras não entendem

As contradições desse capitalismo atrasado do Brasil gerou uma tal
complexidade de demandas sociais que o país acaba se
tornando ingovernável se a estratégia não  for a construção
 de um sólido Estado do Bem Estar Social.
Penso que a melhor análise feita até agora sobre os estudos da Fundação Perseu Abramo que concluíram pela forte presença do pensamento liberal nas periferias do Brasil é a de Ivana Bentes (A periferia não binária, revisa Cult): "o pragmatismo popular brasileiro não cabe nas polarizações [ideológicas] e está em disputa". Ao contrário do que uma visão apressada sobre os resultados do trabalho possa concluir, o que o eleitorado da periferia quer não é a redução do papel desse Estado privatizado que foi instaurado pelo neoliberlismo, mas um Estado forte e eficaz cuja estruturação nem mesmo a esquerda parece entender.

A análise de Bentes dá bem a dimensão do impasse político em que o país vive e mostra que sem um pacto social que coloque o Estado na condição de regulador das práticas selvagens do capital e que obrigue a extensão de benefícios concretos aos segmentos de baixa renda e de renda intermediária, a governabilidade do país é a que se revela nesse fosso que se abriu nas relações políticas do país desde abril do ano passado. Temer e os empresários que o colocaram no governo como um fantoche dos interesses privados não perdem por esperar...

Outras leituras sobre o tema: * O projeto Brasil Nação de Luiz Carlos Bresser Pereira (Conversa Afiada) * Não está fora de cogitação um novo golpe (Konder Comparato, Carta Capital) * Sociedade não está desmobilizada, mas pautas migraram do macro ao micro (Angela Alonso, Uol).
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sexta-feira, 14 de abril de 2017

Sem saída....

Michel Temer, da insignificância ao desprezo: a trajetória de
uma personalidade pública fraturada e sempre à venda; uma

vergonha para o país
Desmoralizado diante das sucessivas vezes em que é citado como beneficiário da corrupção e pelo papel nuclear que parece ter desempenhado na gestão dos recursos provenientes da Odebrecht, Temer - certamente o governante mais rejeitado em toda a nossa história - tenta alguma sobrevida com o apoio dos jornais conservadores e de empresários desesperados que o veem como o que lhes restou de esperança depois do fracasso do golpe que afastou Dilma Rousseff do governo. Cercado por verdadeira gangue de fascínoras no executivo e no legislativo, esse Temer vai assistir nos próximos dias ao crescimento da pressão para que seja retirado do Palácio do Planalto da forma desonrosa que faz por merecer.

Não deixe de ler: * Lista de Fachin atinge em cheio cúpula e estrutura do governo Temer (GGN) * Inquérito cita Temer em corrupção e a impossibilidade de investigá-lo (Valor) * Janot: Michel Temer capitaneava esquema de propinas do PMDB (El País)
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