terça-feira, 26 de maio de 2015

Enquanto isso, na Espanha...

Movimentos sociais espanhóis de oposição à política de austeridade fiscal e monetarista do governo elegeram no fim de semana prefeitos de Madri e de Barcelona (leia aqui a matéria do El País). O senador Paulo Paim acredita que a guinada poderia também ocorrer aqui em consequência da forte rejeição popular às medidas do governo Dilma. Tomara esteja certo!

A vitória do Podemos e a expectativa de um efeito dominó contra a austeridade (entrevista Rudá Ricci, IHU)
  A segunda transição política na Espanha (Emir Sader, Boitempo)
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domingo, 24 de maio de 2015

Somos a chacota da estação...

Charge de Chico Caruso em O Globo dá bem a dimensão do papel ridículo que o Brasil cumpre com sua estúpida austeridade orçamentária (sugiro a leitura da postagem abaixo).
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sábado, 23 de maio de 2015

Como bom menino, Brasil faz a lição de casa direitinho e ganha elogios do FMI

Eis aí uma boa representação daquilo em que a austeridade orçamentária do governo nos transforma
(ilustração do El País)
O tamanho do ajuste orçamentário que o governo Dilma anunciou - alguma coisa em torno de 70 bilhões de reais - joga o país na recessão, com todas as consequências sociais e econômicas dramáticas e perversas que o mundo inteiro está cansado de experimentar. Em nome de quê exatamente? Em nome de uma suposta disciplina financeira que nos torna mais atraentes para a especulação internacional. É uma política criminosa que faz regredir o Brasil à condição de quintal colonizado do grande capital.

Para quem duvida disso e imagina que essa é uma avaliação "ideológica", é suficiente ler os elogios que a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, se apressou em fazer às medidas de "ajuste" do governo, nem bem tinham sido inteiramente anunciadas. Para ela, "a austeridade macroeconômica brasileira vai na direção correta". Leia-se por "direção correta" a estagnação dos investimentos, a retração da renda e do poder de compra dos salários, a queda na oferta de empregos, a míngua de recursos que passam a viver setores estratégicos e socialmente importantes como infraestrutura, saúde, produção científica, educação, habitação...

Desde 2008, quando explodiu a crise sob a qual ainda vivemos e que foi provocada pelo descontrole do capital financeiro, economistas de todas as partes, mais comprometidos com a regulação do capital e com o desenvolvimento social, têm condenado as políticas de austeridade postas em prática pelos países de menor consistência econômica estrutural (leia aqui o que o Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman dizia sobre isso em 2013)

Não deu certo na Grécia, não deu certo na Espanha, não deu certo em Portugal, não deu certo na Itália, não deu certo em parte alguma dos países dependentes; nem mesmo na Inglaterra, que não é exatamente o figurino de um país periférico, a coisa funcionou; e aqueles que conseguiram escapar da crise foram justamente os que não adotaram as mesmas práticas: Estados Unidos, França e Alemanha. É como diz o ditado: faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. Só a Islândia, que se recusou a aplicar a receita do FMI, saiu-se bem. Na condição de bobo da classe, o Brasil segue à risca sua condição de enclave colonial e vai, submisso e complacente, para o fundo do poço. 

Para que se tenha uma ideia da dimensão equivocada e irresponsável dessa política financeira, basta lembrar que, em 2014, o montante da desoneração com a qual a gestão anterior de Dilma presenteou os empresários (sem que se verificasse um único sinal positivo em decorrência desse esforço, exceto o aumento desmedido de suas margens de lucro) foi de 120 bilhões de reais, 50 bilhões a mais do que o pacote de austeridade lançado ontem. 

Lamento que esteja sendo o PT o partido promotor dessas práticas, justamente ele que já vem combalido pela perda de sua identidade social e programática. 

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terça-feira, 19 de maio de 2015

Fies: o maior estelionato da história

Crescimento do Fies desde 2010 em contraste com a expansão da rede privada de ensino superior: além de todos os males, o esquema também favoreceu a concentração do capital nas mãos de poucas empresas, fato que consolidou a situação de refém em que o sistema universitário de ensino vive nas mãos dos aventureiros do dinheiro fácil (fonte do gráfico: Estadão)
Entender o escândalo do Fies é simples: sob o argumento de custear as mensalidades dos estudantes nas escolas particulares de ensino superior, o governo criou um mecanismo de transferência de recursos financeiros para o capital privado instalado no setor. As empresas de educação, aproveitando-se da garantia com que esses recursos chegam aos seus cofres, fraudam o quanto podem as matrículas dos estudantes, em alguns casos superdimensionando demandas sociais para inflar o volume de bolsas e... faturar ainda mais.

O resultado é o que se vê: para que uma espelunca universitária funcione e se farte de lucros despoliciados não é necessário um único centavo de risco, um único investimento em ensino ou em pesquisa, nenhum tostão na qualificação e na remuneração dos professores. Basta estar inscrita no programa Fies.

O Fies é um escândalo que espanta não só pela simplicidade com que uma fraude financeira gigantesca está sendo cometida contra o Estado e contra toda a sociedade, mas também pelo crime que essas empresas - com apoio oficial - cometem contra todo o sistema educacional e em especial contra a juventude universitária que se endivida na compra de um direito. Um caso único na História: um Estado que abre mão de sua soberania num setor estratégico para a sociedade em benefício dos interesses da facção que controla o ensino superior.

Enquanto isso, diz a matéria do Estadão de domingo (corroborada por outra do El País), que universidades federais vivem à míngua, até mesmo sob o risco de desabamento de suas intalações. Já a Kroton, um dos gigantes que se beneficiaram do esquema, viu seus lucros líquidos subirem 56,9% no 1o. trimestre, uma margem escandalosa para a depauperada renda nacional e em volume que nem mesmo os bancos conseguem atingir (leia aqui a reportagem da InfoMoney).

Tenho uma sugestão: do governo FHC até o início da gestão de Renato Janine Ribeiro no MEC, todos os agentes públicos e privados envolvidos de alguma forma com o Fies deveriam responder por crime de responsabilidade pela forma como tripudiaram sobre o interesse nacional. 

Sugiro a leitura do melhor levantamento jornalístico sobre o tema até agora publicado na "grande" imprensa: Saiba o que acontece com o programa Fies (Estadão).
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segunda-feira, 18 de maio de 2015

O ministro podia ter ficado quieto...

O ministro Aldo Rebelo é contra a punição das empreiteiras envolvidas no escândalo da Lava Jato, embora defenda rigor nas penas contra seus dirigentes, caso sejam culpados das acusações que pesam contra eles. Ou o ministro é muito ingênuo ou sua declaração faz parte desse cansativo movimento de adulação que o governo faz na direção do grande capital em todos os setores. 

Onde é que o ministro erra? Penso que erra ao desconhecer a racionalidade dessas empresas, todas elas crescidas à sombra de uma cultura de privatização dos recursos públicos e sempre às custas da transferência da riqueza social para o seu patrimônio. E isso, ministro, independente de quem for seu dirigente. Pela lógica das práticas das empreiteiras, nem mesmo S. Francisco de Assis escaparia da prática da corrupção e da liquidação do patrimônio do Estado.

Aldo Rebelo podia ter ficado quieto ou... podia ter usado um pouco mais de sensibilidade política para acenar à opinião pública com mais rigor.

Sugiro a leitura: * O declínio de uns é a ascensão de outros (The Economist, via Estadão)
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