segunda-feira, 20 de novembro de 2017

O Brasil em pedaços: estagnação por todo lado

Num país sem projeto, nas mãos de uma burguesia grosseira e predatória,
nem a Literatura consegue reagir à altura dos desafios que tem diante de si

Perfil do escritor brasileiro não muda desde 1965, diz pesquisa da UnB


Uma pesquisa realizada na Universidade de Brasília (UnB) traz um relato desanimador sobre a literatura nacional: as grandes editoras seguem publicando obras de escritores brasileiros com o mesmo perfil há 49 anos. O trabalho compreende livros nacionais lançados entre 1965 e 2014. Mais de 70% deles foram escritos por homens, 90% são brancos e pelo menos a metade veio do Rio de Janeiro e de São Paulo.

A análise também entrou no enredo da literatura nacional e chegou à conclusão de que os personagens retratados se aproximam da realidade dos escritores. Cerca de 60% são protagonizados por homens, sendo 80% deles brancos e 90% heterossexuais (leia a íntegra da matéria de Paulo Lannes publicada no site Metrópoles e que me chegou pelas mãos do Francisco Bicudo).
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domingo, 19 de novembro de 2017

O discurso do ódio que está envenenando o Brasil (do El País)

Ideário confuso e carregado de um forte sentimento de rejeição à alteridade e à tolerância, é a marca do vazio ideológico que a modernização conservadora construiu no país. À semelhança de outras conjunturas históricas aqui e no exterior, o resultado é um fascismo que nos deixa  entre as nações mais atrasadas do planeta

Artistas e feministas fomentam a pedofilia. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o bilionário norte-americano George Soros patrocinam o comunismo. As escolas públicas, a universidade e a maioria dos meios de comunicação estão dominados por uma “patrulha ideológica” de inspiração bolivariana. Até o nazismo foi invenção da esquerda. Bem-vindos ao Brasil, segunda década do século XXI, um país onde um candidato a presidente que faz com que Donald Trump até pareça moderado tem 20% das intenções de voto (leia a íntegra da matéria de Xosé Hermida publicada no El País).
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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

O contorcionismo liberal: economista vê risco de um "acidente" na eleição de 2018. O que pode ser isso?


Figueiredo: "o governo tem que mostrar que está firme na
reforma da Previdência, que é o principal movimento para
reduzir privilégios". A pergunta que não quer calar: quem o
fará se o governo não estiver "firme"?
A falta de unidade daqueles que defendem a continuidade da atual agenda econômica traz de volta traz de volta um risco, até aqui minimizado, de haver um "acidente" na eleição de 2018, e um candidato não comprometido com as reformas vencer o pleito. Esse é o alerta do ex-diretor de Política Monetária do Banco Central e atual sócio da Mauá Capital, Luiz Fernando Figueiredo (leia aqui a íntegra da matéria publicada no Valor).

O que esse tal de Luiz Fernando Figueiredo chama de "acidente" é a possibilidade (bastante concreta, por sinal, em vista dos resultados da última pesquisa Vox Populi) de que os eleitores escolham um caminho diferente do que esse que os empresários impuseram ao Brasil depois do golpe do impeachment. Para bom entendedor, meia palavra basta: só medidas preventivas é que podem evitar que ocorra isso que Figueiredo vaticina. Por exemplo: nada de eleições. Claro, em benefício da estabilidade econômica, da modernização das relações de trabalho, da redução dos gastos sociais, da reforma da Previdência.

Postagem referida: O contorcionismo liberal.
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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Leituras do feriado

O risco da desimaginação social (Boaventura de Souza Santos) e Para uma anatomia do conservadorismo (Kathya Braguini). Tudo em Outras Palavras
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O contorcionismo liberal

Bolsonaro não esconde o que é; os liberais, sim
Bolsonaro é o que é, e nem faz muita questão de esconder isso, como mostra o gesto da foto. Quem esconde o que é são os grupos civis que, mais uma vez, ouvem e gostam do canto da sereia da anti-democracia e se desdobram em trejeitos vergonhosos para disfarçar isso...

A filiação ideológica de Bolsonaro tem extração conhecida e sua aberta simpatia pelo regime militar e por seus agentes ele nunca escondeu. Aliás, ninguém como ele levou tão longe essa afinidade como quando na vergonhosa sessão da Camara de 17 de abril de 2016 o capitão manifestou-se pelo impeachment de Dilma Rousseff: na hora de votar, o agora pré-candidato a presidente da República, criou para si um patrono - o homem que simbolizou em inúmeras acusações os porões da tortura  - a despeito de todo o repúdio público que isso pudesse provocar (assista aqui).

Que Bolsonaro agora procure quem o repagine e o vista em roupa de cordeiro me parece natural e decorrência do regime de visibilidade que o processo eleitoral vai imprimindo a todos os candidatos. Alguém já disse que a eleição é um jogo de sombras e que, na sua essência, o que rola é um sistema de representações cênicas; personas que desfilam à nossa frente nos fazendo crer que são outra coisa e não aquilo que verdadeiramente são. Pois eu acho que é isso mesmo, uma prática inerente ao exercício da democracia que atinge todos os atores da esfera pública. Essa naturalização do simulacro, no entanto, não é franqueada indistintamente porque nem todos os atores atuam aí com o mesmo senso de discernimento e nem todos estão autorizados a transformar a farsa eleitoral em instrumento de poder (continue a leitura).
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terça-feira, 14 de novembro de 2017

Um país pela metade, curvado pela manipulação da mídia



Levantamento inédito com base em jornalismo de dados
 sobre a presença ou ausência da imprensa em todo o território nacional
70 milhões de brasileiros vivem em deserto de notícias

Esta legião de brasileiros — quase 35% da população nacional — não dispõe de notícias sobre sua própria comunidade, vivendo nos chamados “desertos de notícias”, onde não se cobre, entre outras coisas, nem a Prefeitura ou a Câmara Municipal. Não há, nesses territórios, a produção jornalística, o que compromete a capacidade decisória dos cidadãos. Leia aqui a matéria publicada no Observatório da Imprensa.
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domingo, 12 de novembro de 2017

Resistir à reforma trabalhista, varrer do país as gangues dos empresários e seus testas de ferro

Acampamento do MTST mostra que a reforma trabalhista vai aprofundar as disparidades sociais no país, mas pode ser, como uma contradição, a força dinâmica que derrube os grupos empresariais que transformaram o Brasil em pastagem dos seus interesses privados 

Chegamos à semana em que será feita a primeira tentativa de colocar em vigor a reforma na legislação trabalhista. A expectativa daqueles que acompanham e estudam a história dos direitos sociais dos trabalhadores desde a Revolução Industrial do século 18, mas em especial na era pós II Guerra, é a de que, com as novas regras, o Brasil interdita sua presença entre as nações modernas, aquelas que tentaram equilibrar a selvageria do capitalismo, um sistema cuja dinâmica é socialmente predadora, com garantias asseguradas pelo regime do Estado do Bem-Estar Social. Não é exagero afirmar que nosso país, a partir do dia 11 de novembro, fica no humilhante primeiro lugar da relação de países onde a pauperização do trabalho é a regra das relações de emprego.

A nova CLT, um mostrengo gestado em gabinetes fechados de Brasília e sob o comando de tecnocratas representantes do empresariado e do Poder Judiário, e com a proteção do mais vil esquema de corrupção parlamentar de que se tem notícia, potencializa ao extremo o regime de acumulação capitalista: aperfeiçoa de tal forma o sistema de apropriação da riqueza gerada pelo trabalho que, em alguma situações, o nível de enriquecimento patronal supera o próprio regime da escravidão sob o qual uma parte da nossa economia ainda vive. Não há meias palavras para definir a nova realidade trabalhista em que passamos a viver... (continue a leitura)
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