sábado, 21 de julho de 2018

Aliança PSDB-Centrão atropela ética e mostra desespero dos golpistas

Paulo Whitaker, Reuters
"Não há perda de reputação porque reputação tucana
 já é péssima" (Exame)
 O mal da grandeza é quando ela separa a consciência do poder

A aliança do PSDB com o que se convencionou chamar de "centrão", um aglomerado de partidos de aluguel, verdadeira vergonha da política brasileira, mostra até que ponto chegou o cinismo dos golpistas para se manter no poder. Sob a orientação de Michel Temer, provavelmente o maior embuste da nossa história, as siglas que deram sustentação ao seu governo durante esses dois anos de liquidação dos direitos sociais e da soberania nacional, aproximaram-se da chance que tinham de se manter no poder e se aliaram a Geraldo Alckmin na campanha para a presidência da República. 

O ex-governador paulista não se fez de rogado: disposto a vender a própria alma para ver se consegue superar a ridícula preferência que o eleitorado demonstra por seu nome, recebeu de bom grado a oferta. Neste final de semana, nas costas do povo brasileiro, essa aliança de facínoras loteou o butim eventual, caso Alckmin seja eleito. 

A desfaçatez, no entanto, tem um custo. Ela é tão acintosa que nem mesmo nas fileiras da direita a cumplicidade está sendo bem vista, exceto, claro, entre os agentes financeiros - que estão pouco se lixando para o que sobrar do Brasil. Resta saber como é que essa gangue vai driblar o eleitor...

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quinta-feira, 19 de julho de 2018

Luiz Inácio Lula da Silva

Querem me derrotar? 
Façam isso de forma limpa, nas urnas

Afaste de mim este cale-se


Conheço só 2 outros textos que têm a estatura moral e política da carta de Lula divulgada hoje na Folha: o manifesto de Émile Zola - J'accuse (1898) - e a carta testamento de Vargas (1954). 

Empresários, políticos, juízes, militares e senhores da mídia que dão sustentação a esse vergonhoso estado de coisas em que vivemos hoje devem estar vexados e enrubescidos.


Convido meus amigos, alunos e ex-alunos a enriquecerem o movimento pela restauração plena da democracia no Brasil. Parabéns à Folha de S. Paulo pela publicação do texto de Lula.
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terça-feira, 17 de julho de 2018

Toupeirização

A toupeirização consagra a surpresa do Neanderthal com a
possibilidade de andar sobre duas patas, mas não mais que isso.
De qualquer forma, nem com óculos a toupeira deixa
de ser toupeira...

Um interessante artigo de Otávio Pinheiro publicado na Folha mostra os primeiros sinais do processo de imbecilização em curso na formação dos estudantes brasileiros de todos os níveis e graus. Estimulados por uma ideologia do mais rasteiro utilitarismo, grupos financeiros - e interesses privados em geral - estão impondo às escolas projetos caracterizados por sua relação meramente instrumental com o conhecimento e transformando o ensino em espaço de funcionalidade profissional.

Os mitos do empreendedorismo e da formação para o mercado me parecem ser os carros-chefe dessa filosofia e junto a eles erguem-se as práticas didático-pedagógicas avalizadas pelo próprio MEC: educação à distância, precarização e intermitência do trabalho docente, modulação dos cursos, ênfase posta em torno de aprendizados de 2a ou 3a extração (*), desestímulo à pesquisa, tudo isso geralmente em dissociação com a  compreensão dos processos cognitivos da realidade - em qualquer campo de atuação. O resultado é o que o artigo de Otávio Pinheiro aponta: um baixo nível de letramento, uma extraordinária debilidade na capacidade de expressão oral e escrita, isto é, uma toupeirização do educando que faz a delícia de quem imagina que o esvaziamento filosófico e intelectual da Educação vai nos levar a algum lugar.

(*) o que eu chamo de aprendizado de 2a ou 3a extração é aquele tipo de conhecimento que enfatiza os processos cognitivos restritos à aplicabilidade de fórmulas de qualquer tipo: uma prática mecânica que prescinde de uma relação ontológica com o saber: acender fósforos, amarrar sapatos, subir escadas, acender e apagar luzes. Guardadas as proporções, são essas as dificuldades de aprendizagem "estimulantes" que os projetos empreendedores e voltados para o "mercado" trabalham em seus centros de formação. Uma lástima...

* Além do próprio artigo de Otávio Pinheiro, sugiro ainda a leitura de um texto meu publicado na revista Giz, do Sindicato dos Professores de São Paulo: * Empreendedorismo e formação acadêmica
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segunda-feira, 16 de julho de 2018

O mundo de Trump

Donald Trump é repudiado onde quer que vá e sua promessa de um mundo pautado pela agenda bélica e hostil do imperialismo chega agora perto da perfeição macabra: a destruição do único projeto medianamente inteligente que o capitalismo foi capaz de construir - a União Europeia
* A antidiplomacia de Trump eleva a instabilidade 
mundial (El País) * Em encontro com Trump, Putin quer recuperar o papel de superpotência (El País) * Atuação de Trump com Putin enfurece republicanos: "asquerosa e vergonhosa" (El País)  e matérias disponíveis sobre o assunto nessas mesmas páginas do jornal espanhol * Estados Unidos revivem os zoológicos humanos do colonialismo (Outras Palavras)

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Vestígios

Uma vida assegurada pela partilha da pobreza...
O insuspeito Estadão - provavelmente o jornal que mais apostou fichas do relativismo liberal conservador em apoio  ao golpe contra a presidente eleita Dilma Rousseff -, nem ele é capaz de contornar a dramática situação social em que o país vive.

São apenas duas matérias, diluídas nos comentários invariavelmente persecutórios contra Lula e no noticiário sobre a Copa do Mundo. Uma delas mostra o desastre em que se transformou a política econômica da dupla Temer/Meirelles: entre outras anomalia sistematicamente denunciadas aqui, umentou em 12% o número de lares cuja sobrevivência depende dos benefícios de aposentados. Segundo o jornal, são hoje 10,8 milhões o número de brasileiros que têm na renda dos idosos sua única fonte de sustento (leia aqui). Não é preciso qualquer especialização em economia para entender o sentido mais profundo desse fato: o agravamento da desigualdade na distribuição da renda precariza de tal forma as condições de vida que a existência social é condominizada na partiha da carência e da escassez. Parece brincadeira, mas não é: amplia-se no país da elite mais conspícua do planeta uma forma de existência marginal que não conhecíamos da maneira como se apresenta hoje.


... e ameaçada pelo cenário da guerra civil

A outra matéria é o reverso mais trágico dessa desesperança geral em que se transformou o cotidiano de brasileiras e brasileiros. Segundo o Estadão, nos últimos 5 meses, o Rio teve mais de 4 mil tiroteios, um número 37% maior do que no período anterior à intervenção federal na cidade (leia aqui).  É o morticínio patrocinado pelo governo de maior envergadura de que se tem notícia numa situação de paz, fato que encobre uma guerra civil não dcclarada.

Vamos nos aproximando das eleições em torno da qual a única representação politica capaz de expressar o sentimento de desesperança que esse quadro traduz encontra-se na cadeia graças à conivência indisfarçada do Poder Judiciário e sob a mais sórdida campanha de segregação ideológica que o Brasil já viveu. Será que esses caras acreditam mesmo que isso vai dar certo de alguma forma?
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domingo, 15 de julho de 2018

Debate: Eduardo Giannetti x André Singer

Jogo de cartas marcadas no STF

Como os ministros jogam com as regras do STF no caso Lula (Uol)
Composição do STF não inspira confiança, menos pelo conservadorismo hegemônico que ignora demandas da modernidade tardia brasileira do que pela incoerência das leituras de ocasião qus seus integrantes fazem da Constituição. O resultado disso é o espaço que se abre na sociedade brasileira para o colapso da Democracia e para a violação sistemática dos direitos sociais. Só os interesses das elites golpistas estão protegidos na série histórica de decisões da suprema corte tomadas desde 2016.

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