domingo, 26 de outubro de 2014

Meu voto...

Estou convencido de que Dilma Rousseff é a melhor escolha para governar o Brasil
Que sufoco tem sido essa longa travessia do nosso país na direção do desenvolvimento social e da democracia... As alternativas se embaralham e muitas vezes são o resultado de uma tentativa de manter esse processo usurpador de que as elites se valem para deixar intocados seus interesses privados - quase nos fazendo acreditar que são também os nossos interesses os que elas defendem. Não são.

Esses últimos episódios da campanha eleitoral dão bem a medida do que a sociedade brasileira tem pela frente: uma armação manipuladora, disposta fora do regramento ético e legal, fundada no ódio social - um embrulho com aparência moralista. Na verdade, essa hipocrisia está sendo empunhada pelo mesmo grupo que tripudiou sobre a soberania nacional e sobre o bem-estar dos brasileiros enquanto esteve no poder até 2002. 

Estou convencido de que é preciso evitar o retrocesso que uma vitória de Aécio representa, tanto em termos de projeto econômico  e social quanto no âmbito das práticas da representação democrática. Acredito num Estado Desenvolvimentista, numa Educação pública e gratuita, num sistema de saúde socializado, em políticas ambientais e urbanas voltadas para os interesses da humanidade, num país que submeta os interesses fundiários aos objetivos da diversidade produtiva e em políticas públicas que alterem a estrutura da distribuição da renda nacional e que assegure a participação dos cidadãos nos seus próprios destinos.

É por isso tudo que voto na Dilma. Acho que ela é mais séria, mais digna e está mais preparada para enfrentar esses desafios... 
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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A luta agora é contra o mau-olhado...

"A figa, originalmente um amuleto italiano, chamado Mano Fico, também era usada pelos etruscos na era romana. Mano significa mão e Fico ou Figa é a representação dos genitais femininos, e era associado a fertilidade e erotismo" (Wikipédia)
Mas é possível simplificar em razão da conjuntura nacional: faço figa agora para evitar mudança inesperada de rumo, mau-olhado e coisa ruim...

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O bloco dos transidos

Manifestação contra Dilma registrou vários níveis abaixo das passeatas que levaram ao golpe de 64 e exibiu narrativas mais pretensiosas - embora de um mau gosto extraordinário e insuperável. O cartaz acima, empunhado por Fernão Lara Mesquita, um midiarca paulista (Estadão)*, mostra que o bloco dos transidos se pudesse votaria contra Maduro, contra Bachelet, contra Mojica, contra Cristina Krischner, talvez até contra Obama. Quem sabe o bloco não goste de nenhuma eleição que ameace seus privilégios. Uma coisa de dar medo!
O adjetivo transido me ocorreu assim que soube, via El País, do movimento pró-Aécio que uma pequena parcela da elite paulista - mal deu para congestionar o trânsito nos arredores do Largo da Batata - promoveu ontem em Pinheiros (leia aqui). O significado do termo me parece perfeito para entender o que aconteceu ali: transido significa transe, entorpecimento, alheamento ou ausência de percepção lógica da realidade. Em suma, um estado de alienação e de confusão mental, espécie de   embaralhamento das ações e uma extrema dificuldade de explicá-las.

Pois bem, a definição é precisa pelo sentido desencontrado da manifestação - que só ganhou alguma lógica quando as palavras de xingamento dirigidas a Dilma e Lula tocaram na alma social profunda dos participantes. O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, por exemplo, do alto do prestígio que lhe dá a posição que ocupa e desavergonhado de apoiar patrões, não teve qualquer constrangimento ao entoar o estribilho mal-educado: "que maravilha, a Dilma na prisão Papuda e o Aécio em Brasília". Fernando Henrique Cardoso foi o mestre de cerimônias disso tudo - uma pequena turba que reuniu o melhor do lumpen da inteligência da elite paulista sob o signo de posições ideológicas abolutamente consolidadas - a exemplo do que disse o yuppie anacrônico de apenas 28 anos: "troquei meu sagrado happy hour pelo Aécio Neves".

Legítima, democrática, espaço do direito à liberdade de manifestação, mas uma coisa feia, grosseira, despolitizada... Tomara que essa turma não vença o 2o. turno das eleições no domingo.

* Leia também a descrição que a noticia do UOL fez da "marcha" de ontem.
* Sobre a foto postada na abertura do blog: Fernão Mesquita, dono do Estadão, manda Venezuela se foder em ato pró-Aécio (Portal Fórum)
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quarta-feira, 22 de outubro de 2014

"Tucanos partem para Sierra Maestra" (The Piauí Herald)

À frente dos indignados com essas últimas pesquisas, um estilizado Merval Pereira (O Globo) lidera a fuga para Cuba
Não costumo fazer isto e espero não ser acusado de apropriação indevida - porque a matéria vai citada aqui com todas as referências: saiu na revista piauí, em 21 de outubro, no blog Piauí Herald. Texto inteligente, de fino e corrosivo humor, dos que mais se encaixam na tradição da verve iconoclasta, irreverente e mal-comportada. A galera tucana deve ficar indignada, mas é muito divertido. Recomendo a leitura:  Tucanos partem para Sierra Maestra

De qualquer forma, é bom evitar o "já ganhou" de sempre, embora essa tal margem de erro, se for posta nos limites extremos para cima e para baixo, indique uma diferença que pode chegar a 8 pontos. Será? A julgar pela manchete da Folha de hoje, o cenário parece ter se invertido e tende a se consolidar. Figa!
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domingo, 19 de outubro de 2014

"Tanto faz quem ganhe a eleição". Será?

O pior que pode acontecer é a indefinição das marcas simbólicas e ideológicas de Dilma e Aécio.
O amadurecimento democrático só tem a ganhar se o vencedor das eleições puser em prática o projeto político e social das forças que representa
O título da postagem é um primor do pensamento despolitizado, mas não é difícil encontrar por aí gente que acredita mesmo nisso, apesar do nível de polarização que a campanha ganhou. Será que há mesmo uma distinção fundamental e profunda nesse cenário e que as escolhas refletem antagonismos insuperáveis ou estamos diante de uma dramatização teatral retórica e corporal que oculta os limites ideológicos que estruturam as duas candidaturas?

Vou logo adiantando: não acredito nisso. Minha interpretação é a de que o processo eleitoral, desde a morte de Eduardo Campos, pôs em evidência alguma coisa que o lulismo, com seu imaginário conciliador e interclassista, não nos deixava ver: a existência de projetos diferentes para o Brasil; duas concepções de organização social e de gestão econômica que não se bicam, sem falar aqui nas dimensões culturais e políticas dessas concepções.  Essa emergência violenta do preconceito generalizado que os grupos conservadores vão manifestando em relação ao PT e a várias das causas e da representação simbólica que o identificam historicamente me parece ser a prova de que estamos diante de disposições antagônicas e eu torço para que aquela que podemos classificar genericamente como "de direita" saia das urnas derrotada.

A eventual vitória de Dilma, no entanto, vai exigir que isso fique mais claro, isto é, o resultado favorável das urnas à sua candidatura não pode criar a ilusão de um congraçamento nacional, como se as diferenças desaparecessem pelo encanto democrático, uma espécie de peemedebitação unicolorida do país.  Na minha opinião, tem sido exatamente o descuido das práticas políticas reformistas em deixar isso claro que fragiliza a sua identificação e a aparente correção do senso comum que o "tanto faz quem ganhe a eleição" representa (continue a leitura).
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