quinta-feira, 19 de abril de 2018

Vulnerabilidade da economia brasileira pode custar caro

Economias emergentes sempre na corda bamba,
mas é o Brasil a mais vulnerável delas
em consequência do golpe

FMI: mundo vive risco de recaída ao cenário da crise de 2009 com escalada da dívida global

manchete é do El País, edição de 18 de abril. A hipótese levantada pelo FMI é bastante realista em vista dos números em que está fundamentada, o que significa dizer que uma onda de descontrole do capital financeiro, de cracks nos centros mais nervosos da economia global, pode por no chão os frágeis mecanismos de regulação econômica que vem sendo implementados desde 2008/2009 (leia aqui)

E o Brasil com isso? Penso que nosso país está entre as nações mais vulneráveis aos efeitos de uma nova crise, em especial pelas medidas econômicas postas em prática pelos golpistas nos últimos dois anos: retração de investimentos públicos e privados, dependência de capital externo, forte depreciação do poder de compra em decorrência da flexibilização das relações de trabalho e do enfraquecimento das entidade sindicais, agravamento das disparidades de renda e crescimento da massa de cidadãos situados abaixo da linha de pobreza.

Essas são as dramáticas consequências sempre advertidas pelos críticos das políticas neoliberais de austeridade: como são recessivas e têm o objetivo de proteger a especulação financeira e as margens de lucros privados das empresas, deixam o país sem condições de suportar os efeitos da crise, ao contrário do que aconteceu depois de 2008 quando o dinamismo do mercado interno permitiu que suportássemos a recessão com êxito, mas aqueles foram os tempos do neodesenvolvimentismo que o golpe contra Dilma sepultou. O resultado é o se espera: se o FMI estiver certo, o Brasil implode.
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quarta-feira, 18 de abril de 2018

Lida em 2016, a capa da Exame era premonitória:
os golpistas cumpriram rigorosamente o script de
seu papel vendilhão e indigno
Não dá para saber se a capa do número da Exame de fevereiro de 2016 era sarcasmo ou mesmo o indicativo dos projetos que viriam a tomar forma depois do golpe do impeachment - movimento pelo qual a revista nunca escondeu sua simpatia. 
O que dá para saber, passados 2 anos, é que o vaticínio está perto de ser cumprido: o Brasil não está mais à venda; foi vendido. 

As notícias que dão conta disso têm duas dimensões. A primeira é a conclusão do acordo Aliança Estratégica - um eufemismo grandiloqüente que acobertou o progressivo loteamento e a alienação de diversos campos de exploração do pré-sal: o resultado final deixou a Petrobras com irrisórios 10% das áreas de exploração, um feito que significa a abdicação da soberania brasileira sobre reservas estratégicas de petróleo que literalmente comprometem nosso estatuto de nação independente. O pessoal pensa que é brincadeira, mas o entreguismo que fundamentou todas as cessões do pré-sal transforma-nos num protetorado das empresas globais de petróleo. 

A segunda dimensão é tão grave quanto a primeira: o Ministério da Fazenda anunciou que vai reduzir "a alíquota das importações de bens de capital de 14% para 4% e a de produtos de informática e de telecomunicações de entre 6% e 16% para a média internacional" (leia aqui a matéria da revista Carta Capital). Nos círculos não alinhados com o projeto de sucateamento da indústria brasileira a notícia é vista como num golpe fatal na economia brasileira em vista dos resultados que a redução das alíquotas podem ter sobre setores industriais inteiros. Como disse uma fonte da revista, o Brasil nem mesmo terá em mãos trunfos para negociar acordos comerciais nos setores atingidos, fato que nos deixa novamente ajoelhados em áreas essenciais para projetos estruturais de desenvolvimento.

Talvez seja nesses dois sentidos - o da cessão do pré-sal e o da abertura do mercado industrial brasileiro para o império das nações ricas - que parece ser possível identificar a natureza das políticas econômicas postas em prática no Brasil desde os anos 90 e sua coerência com a que vem sendo praticada desde o golpe contra Dilma. Nuances políticas à parte, o projeto parece-nos ter uma mesma alma e uma mesma filosofia: a da subordinação ao interesse externo como elemento que estrutura o poder dos empresários brasileiros.

Sugiro a leitura das matérias dispostas na seção As razões estruturais da crise brasileira. E ainda: * Primeiros resultados da reforma trabalhista indicam precarização do emprego (Poder 360).
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Doria, uma piada

Para o humorista Chico Anísio, já em 1988 João Doria Jr era motivo da fina ironia com que tratou diversos desastres da política brasileira.
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terça-feira, 17 de abril de 2018

17 de abril de 2016, o dia da infâmia

Dois anos depois do espetáculo protagonizado na Câmara dos Deputados pela selvageria e pelo obscurantismo, no golpe que fez a apologia dos torturadores e que destituiu a presidente eleita Dilma Rousseff, o Brasil transformou-se no terreno baldio da corrupção, do ataque aos direitos sociais, dos simulacros jurídicos,  da pobreza e da desigualdade.
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