segunda-feira, 28 de julho de 2014

Gaza, Ucrânia...

Parem, por favor!, diz Papa Francisco em apelo pela paz
(leia a matéria do Estadão)
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domingo, 27 de julho de 2014

Santander: conspiração mal-agradecida

Emílio Botin, chefão mundial do Santander, e a presidente Dilma Rousseff (em foto de 2013 do El País).
O Banco desdisse o que disse, mas não convenceu. Indiscrição sobre o desempenho de Dilma  nas pesquisas revela mau-humor sórdido do setor financeiro, apesar dos lucros estratosféricos que vem obtendo desde o governo Lula. Governo assoprou e perdeu a chance de dizer à sociedade quem são esses caras...
O governo federal agiu como avestruz nesse episódio em que o Banco Santander foi pego em flagrante fazendo uma disfarçada campanha eleitoral junto a seus principais clientes (leia aqui a matéria de Fernando Rodrigues na Folha). Indiretamente, a análise sobre a eventual piora do quadro econômico provocada pela estabilidade de Dilma nas pesquisas é uma subliminar recomendação de voto. 

A direção do banco pediu desculpas, mas a emenda saiu pior que o soneto, já que a culpa pela "indiscrição" (como se o ocorrido fosse apenas isso) foi atribuída ao 2o. escalão, que acabou pagando o pato pelo ocorrido. Apesar disso, a própria mea culpa soa como mentirosa pois não desdiz o que disse, embora termine com a hipócrita "convicção" de que "a economia brasileira seguirá sua bem-sucedida trajetória de desenvolvimento". Pura conversa fiada...

Penso que a reação do governo foi tímida e a satisfação do PT com o pedido de desculpas mostra que Brasília prefere fingir que não está diante de uma colossal campanha de descrédito - e de difamação, em alguns casos - que vai da grande mídia aos empresários no superdimensionamento dos fatos que podem minar as bases eleitorais de Dilma: as manifestações de protesto, a perda da Copa, os problemas da Petrobrás e o fraco desempenho da economia. 

No caso do Santander, tudo indica que a inconfidência que o banco cometeu com uma análise de pura inspiração política - e não econômica - é reveladora da opinião eleitoral média do empresariado e do setor financeiro, duas áreas que se fartam dos lucros permitidos pelas medidas de proteção ao capital que vêm sendo postas em prática desde o governo Lula. 

Só para que se tenha uma ideia do tamanho dessa fartura na área dos bancos: segundo a revista Exame (maio deste ano), "Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander alcançaram juntos resultado de cerca de R$ 11 bilhões no período (1o. trimestre), cifra 11,7% superior aos R$ 9,7 bilhões vistos um ano antes. No critério ajustado, foram cerca de R$ 12 bilhões, alta de 15%, na mesma base de comparação". 

Nada mal num país cujo crescimento do PIB quase não chega a 2%... Na Espanha, país de origem do Santander, uma taxa dessas seria vista como estelionato e conduziria seus beneficiários aos tribunais.

Dilma deveria vir a público expor o mau caráter do Santander e determinar um cerco apertado do Banco Central na fiscalização dessa e de outras instituições financeiras.

* Leia também: A saia justa do banco Santander e Banco Central injeta 30 bilhões de reais na economia (El País). Outros desdobramentos aqui.
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sábado, 26 de julho de 2014

Reflexões rápidas sobre o templo da Universal

E Jesus entrou no templo e lançou fora todos os que vendiam e compravam no templo, e derrubou as mesas dos cambistas e as bancas dos que vendiam pombas (Mt 21:12)
Ouvi dizer que uma esteira rolante corre ao lado dos fiéis nesse templo que vai ser inaugurado nesta semana pela Universal. O mecanismo não é para levar pessoas a lugar algum, mas para recolher as "contribuições" do público. Tudo muito limpo, impessoal, eficaz...

Deve ser verdade; se não for, não demora muito para que alguma coisa parecida seja inventada.

A inauguração desse monumento à crise de identidade contemporânea - que definiu um capítulo do Plano Diretor da Cidade, é maior que a Basílica de Aparecida e parece muito em gigantismo com o Palácio da Cultura que Hitler quis construir em Munique - me fez lembrar São Mateus quando descreve a exasperação de Cristo ao ver o templo tomado pelos fariseus.

Em tempo: Fiel a pé não terá acesso a templo da Universal (Estadão)
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quinta-feira, 24 de julho de 2014

Ariano Suassuna (1927-2014)

Tem tanta gente boa morrendo... 
Acabo de ler algumas matérias sobre a obra de Suassuna escritas por jornalistas que ainda guardam itimidade com as questões mais delicadas e fundamentais da Cultura. O melhor desses textos me parece ser o de Jotabê Medeiros (aqui), do Estadão, que consegue com raro poder de síntese explicar o sentido da obra do dramaturgo e escritor paraibano: a simbiose entre o universal e o nacional na sua criação - de onde parece vir uma autenticidade radical dos tipos que criou, à semelhança de Guimarães Rosa. 

Acredito que é essa fonte da energia artística que justifica o lugar que esses autores têm na Cultura brasileira. Não há midiatização nem indústria cultural que consiga depreciar esse o patrimônio humanista que deixam...
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domingo, 20 de julho de 2014

Rubem Alves (1933-2014)

Dimensão cristã do pensamento de Rubem Alves reforçou a crítica severa à industrialização, mais do que ao capitalismo
Acho difícil distinguir, em meio às referências feitas na notícia sobre a morte de Rubem Alves, qual teria sido a principal contribuição que ele trouxe ao pensamento contemporâneo. Não sei se estamos diante de um filósofo, de um educador, de um cientista social; o que eu sei é que sua contribuição para o entendimento do mundo abre caminho para perspectivas visionárias de interpretação da realidade - e isso é o que me parece ser suficiente para marcar sua presença no terreno das ideias e das práticas sociais.

Particularmente, encontrei num de seus textos um valioso instrumento de análise da crise cultural da modernidade. Refiro-me ao ensaio Tecnologia e Humanização (veja aqui uma cópia anotada do trabalho) publicado na antiga revista Paz & Terra (n. 8, outubro de 1968) que integrou diversos cursos em que procurei discutir o impacto da racionalidade tecno-científica na caracterização da sociedade industrial - tema que sempre me pareceu essencial para a compreensão dos elementos constitutivos de uma ordem de valores que era apenas intuída no final dos anos 60 e que Alves, com uma consistente fundamentação teórica e conceitual, descreve e interpreta.

Fica esse registro pontual como reconhecimento da importância que Rubem Alves teve na   minha formação acadêmica.
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