segunda-feira, 20 de maio de 2019

Em defesa da União Europeia

Preocupados com ascensão de eurocéticos e ultradireita, cidadãos da Alemanha e de outros países protestam pela preservação do bloco e contra o nacionalismo, mas também por mudanças necessárias, a uma semana das eleições
(DW)

A poucos dias da votação para eleger o próximo Parlamento Europeu, centenas de milhares de cidadãos foram às ruas nos países do bloco neste domingo (19/05), numa mensagem de apoio à União Europeia e seu projeto de paz, e repúdio ao nacionalismo e à extrema direita.

Na Alemanha foram registradas passeatas em sete grandes cidades, entre outras: Berlim, Colônia, Frankfurt, Hamburgo, Leipzig, Munique e Stuttgart. Na capital alemã, organizadores do protesto calcularam a presença de 20 mil pessoas. Outras 14 mil protestaram em Frankfurt, segundo a polícia.

Entrevistadas pela DW, duas integrantes do grupo "Vovós contra a direita" explicaram que participam por temer que a Alemanha e a Europa estejam retornando a um capítulo sombrio da história. "Nossas avós e avôs nos contaram como era a vida sob os nazistas", diz Walli, de 65 anos, "mas há uma lacuna de conhecimento a respeito." (continue a leitura)
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quarta-feira, 15 de maio de 2019

Um dia para ficar na história

Na Avenida Paulista, um oceano. Somados, os atos de protestos contra Bolsonaro ocorridos ontem no país inteiro chegaram a 1,5 milhão de participantes (só em SP, 1 mihão) , um número só comparado na história do Brasil ao comício das Diretas Já em 1984 no Rio
Leia ainda: * É possível derrotar o governo nas ruas (Boulos, Carta Capital) * A maior mobilização da história do Brasil: desafios (IHU) * #15M: a insurreição estudantil e o país sem respostas às questões contemporâneas (IHU) * Governo de confusão nacional inflamas as ruas e amplia desgaste no Congresso (IHU)
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Nas ruas...

O que está em jogo hoje?
Mais do que uma greve contra o amontoado de dejetos em que se transformou o governo de Bolsonaro. O que está em jogo é uma luta de vida ou morte da inteligência, da liberdade do pensamento, do pluralismo das ideias, contra nossa subordinação ao obscurantismo. A greve de hoje é um capítulo da luta do Brasil pela dignidade de seu povo e de seu futuro. Vamos vencer...
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terça-feira, 14 de maio de 2019

Greve não é roda de conversa

Tem razão o blog 247 quando diz na sua manchete que a greve nacional da Educação que vai acontecer no 15 de maio pode restaurar a democracia no Brasil, embora o foco principal de sua motivação seja o repúdio da sociedade ao desmantelamento do ensino e da pesquisa em todos os níveis da escola - do Fundamental e Médio ao Superior, inclusive a pós-graduação. Por que há lógica na interpretação que o 247 faz do movimento? Porque esse estado institucional deplorável em que o país mergulhou com Bolsonaro está alicerçado em 3 pilares: a reforma da Previdência, a disseminação do medo e... a guerra cultural contra a liberdade de pensamento e é na Educação, segundo entendo, que esses três vetores fascistas se articulam.

Se minha interpretação estiver correta - ou próxima de algum acerto - o espalhamento da greve de 15 de maio pelo país e sua natureza massiva podem fraturar a frágil coesão das forças reacionárias que se articulam em torno de Bolsonaro e representar o resgate do pacto jurídico  da Constituição e a proteção dos direitos sociais que estão sob ataque desde o golpe que derrubou Dilma. Penso que o primeiro passo nessa direção foi dado com a manifestação de unidade dos movimentos sociais e de suas organizações no 1o. de maio, na greve da Educação e na proposta da greve geral para 14 de junho, fato também inédito, ainda que os objetivos táticos dos integrantes dessa unidade sejam diversos e até contraditórios. Mas essa é a regra do jogo democrático que permitirá ao país escapar da armadilha desarticuladora que nos imobiliza.

Estivesse vivo e Garrincha perguntaria - numa das célebres lembranças de sua vida de craque: "os russos foram avisados?". Quero dizer: o desenho do projeto, tal como procurei descrever acima, é esse mesmo? Em qualquer caso, é preciso saber se os agentes e protagonistas do movimento entendem a elasticidade com que ele se mexe, desde a compreensão do gesto de ruptura que as greves sempre significaram no seu radicalismo: greves são movimentos que truncam o funcionamento do país, das empresas, dos serviços etc; não são surtos de indignação momentânea e, por isso, aceitáveis e cordiais. No caso do dia 15 de maio a ruptura se dá pela exigência de que todas as medidas tomadas pelo governo Bolsonaro na esfera da Educação sejam revogadas e que o titular da pasta seja um nome de consenso da comunidade da área e comprometido com as diretrizes construídas pelos diversos foruns de discussão em funcionamento até o início deste ano. A Educação nacional construiu um projeto democrático repleto de gargalos, mas ele é o projeto da sociedade. O projeto da Educação fascista não esteve no escrutínio de 2018...

É esse o ponto. Greve não é roda de conversa ou meeting parecido com um happy hour de fim de tarde em alguma praça da Paulista. Greve é confronto em torno de exigências, e as escolas, em nenhum nível ou segmento administrativo, podem voltar a funcionar senão com o atendimento a esse patamar mínimo. Quero voltar a este assunto tão logo a greve de amanhã aconteça...

Sugestões de leitura: * Não é crise, é projeto (Carta Maior) * Governo em pé de guerra contra o saber (José de Souza Martins, Valor) * O trem que passou por cima da educação brasileira (DW) * O que os olavistas querem do MEC (Pública).
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domingo, 12 de maio de 2019

Argentina: o renascimento do Estado do Bem-Estar Social

Cristina Kirchner reencontra multidão na Argentina

A ex-presidenta da Argentina reúne milhares de pessoas no lançamento de seu livro de memórias

Enric González e Federico Rivas Molina

El País

Como a arquibancada do estádio de Anfield ou a multidão de um show dos Stones, a Feira do Livro de Buenos Aires foi à loucura. Cristina voltou. Ex-presidenta da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner lançou o seu livro de memórias, Sinceramente. E o entusiasmo do público explicou por que foram vendidos mais de 250.000 exemplares em pouco mais de uma semana. Não foi um comício nem o anúncio de uma candidatura, mas dá no mesmo. Restam poucas dúvidas após um ato político dessa magnitude. Embora continue guardando suas cartas, Cristina Kirchner estará na corrida pela presidência. E já propõe uma primeira ideia: um “contrato social” para o crescimento econômico.

Mil pessoas, convidadas pela autora e pela editora, lotaram a Sala Jorge Luis Borges. Na primeira fila, o prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel, 
a presidenta das Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, antigos ministros peronistas, atores e intelectuais próximos do kirchnerismo. Muitos milhares se amontoaram lá fora, sob a chuva. Os cantos começavam na parte exterior e prosseguiam no interior, onde o entusiasmo era contagiante. O ambiente vinha esquentando havia horas e, nos momentos de chuva mais torrencial, antes da apresentação, muitos se refugiaram sob as arquibancadas do parque de exposições (na Rural, além da Feira do Livro, é realizada a feira agropecuária) para entoar a Marcha Peronista. Quando Cristina chegou ao lugar, blindado por quatro anéis de segurança, ecoou o grito coletivo de “Cristina, presidenta”. E, por fim, parou de chover (continue a leitura).

Leia mais: Eva Peron, 100 anos. (Brasil de Fato)