quinta-feira, 16 de novembro de 2017

O contorcionismo liberal: economista vê risco de um "acidente" na eleição de 2018. O que pode ser isso?


Figueiredo: "o governo tem que mostrar que está firme na
reforma da Previdência, que é o principal movimento para
reduzir privilégios". A pergunta que não quer calar: quem o
fará se o governo não estiver "firme"?
O que esse tal de Luiz Fernando Figueiredo chama de "acidente" é a possibilidade de que os eleitores escolham um caminho diferente do que esse que os empresários impuseram ao Brasil depois do golpe do impeachment. Para bom entendedor, meia palavra basta: só medidas preventivas é que podem evitar que ocorra isso que Figueiredo vaticina. Por exemplo: nada de eleições. Claro, em benefício da estabilidade econômica, da modernização das relações de trabalho, da redução dos gastos sociais, da reforma da Previdência inatingível

A falta de unidade daqueles que defendem a continuidade da atual agenda econômica traz de volta agenda econômica traz de volta um risco, até aqui minimizado, de haver um "acidente" na eleição de 2018, e um candidato não comprometido com as reformas vencer o pleito. Esse é o alerta do ex-diretor de Política Monetária do Banco Central e atual sócio da Mauá Capital, Luiz Fernando Figueiredo (leia aqui a íntegra da matéria publicada no Valor).

Postagem referida: O contorcionismo liberal.
______________________________

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Leituras do feriado

O risco da desimaginação social (Boaventura de Souza Santos) e Para uma anatomia do conservadorismo (Kathya Braguini). Tudo em Outras Palavras
______________________________

O contorcionismo liberal

Bolsonaro é o que é, e nem faz muita questão de esconder isso, como mostra o gesto da foto. Quem esconde o que é são os grupos civis que, mais uma vez, ouvem e gostam do canto da sereia da anti-democracia e se desdobram em trejeitos vergonhosos para disfarçar isso...
A filiação ideológica de Bolsonaro tem extração conhecida e sua aberta simpatia pelo regime militar e por seus agentes ele nunca escondeu. Aliás, ninguém como ele levou tão longe essa afinidade como quando na vergonhosa sessão da Camara de 17 de abril de 2016 o capitão manifestou-se pelo impeachment de Dilma Rousseff: na hora de votar, o agora pré-candidato a presidente da República, criou para si um patrono - o homem que simbolizou em inúmeras acusações os porões da tortura  - a despeito de todo o repúdio público que isso pudesse provocar (assista aqui).

Que Bolsonaro agora procure quem o repagine e o vista em roupa de cordeiro me parece natural e decorrência do regime de visibilidade que o processo eleitoral vai imprimindo a todos os candidatos. Alguém já disse que a eleição é um jogo de sombras e que, na sua essência, o que rola é um sistema de representações cênicas; personas que desfilam à nossa frente nos fazendo crer que são outra coisa e não aquilo que verdadeiramente são. Pois eu acho que é isso mesmo, uma prática inerente ao exercício da democracia que atinge todos os atores da esfera pública. Essa naturalização do simulacro, no entanto, não é franqueada indistintamente porque nem todos os atores atuam aí com o mesmo senso de discernimento e nem todos estão autorizados a transformar a farsa eleitoral em instrumento de poder (continue a leitura).
______________________________

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Um país pela metade, curvado pela manipulação da mídia



Levantamento inédito com base em jornalismo de dados
 sobre a presença ou ausência da imprensa em todo o território nacional
70 milhões de brasileiros vivem em deserto de notícias

Esta legião de brasileiros — quase 35% da população nacional — não dispõe de notícias sobre sua própria comunidade, vivendo nos chamados “desertos de notícias”, onde não se cobre, entre outras coisas, nem a Prefeitura ou a Câmara Municipal. Não há, nesses territórios, a produção jornalística, o que compromete a capacidade decisória dos cidadãos. Leia aqui a matéria publicada no Observatório da Imprensa.
______________________________

domingo, 12 de novembro de 2017

Resistir à reforma trabalhista, varrer do país as gangues dos empresários e seus testas de ferro

Acampamento do MTST mostra que a reforma trabalhista vai aprofundar as disparidades sociais no país, mas pode ser, como uma contradição, a força dinâmica que derrube os grupos empresariais que transformaram o Brasil em pastagem dos seus interesses privados 

Chegamos à semana em que será feita a primeira tentativa de colocar em vigor a reforma na legislação trabalhista. A expectativa daqueles que acompanham e estudam a história dos direitos sociais dos trabalhadores desde a Revolução Industrial do século 18, mas em especial na era pós II Guerra, é a de que, com as novas regras, o Brasil interdita sua presença entre as nações modernas, aquelas que tentaram equilibrar a selvageria do capitalismo, um sistema cuja dinâmica é socialmente predadora, com garantias asseguradas pelo regime do Estado do Bem-Estar Social. Não é exagero afirmar que nosso país, a partir do dia 11 de novembro, fica no humilhante primeiro lugar da relação de países onde a pauperização do trabalho é a regra das relações de emprego.

A nova CLT, um mostrengo gestado em gabinetes fechados de Brasília e sob o comando de tecnocratas representantes do empresariado e do Poder Judiário, e com a proteção do mais vil esquema de corrupção parlamentar de que se tem notícia, potencializa ao extremo o regime de acumulação capitalista: aperfeiçoa de tal forma o sistema de apropriação da riqueza gerada pelo trabalho que, em alguma situações, o nível de enriquecimento patronal supera o próprio regime da escravidão sob o qual uma parte da nossa economia ainda vive. Não há meias palavras para definir a nova realidade trabalhista em que passamos a viver... (continue a leitura)
______________________________

sábado, 11 de novembro de 2017

Em homenagem a Judith Butler


Não posso deixar de registrar a agressão covarde que duas "donas de casa", atiçadas com o preconceito com que a extrema-direita fascista lhes alimenta o espírito (sugerindo que para suas vidas parvas, cinzentas e sem sentido sempre há a emoção de um crime) promoveram contra a socióloga Judith Butler. O que aconteceu em Congonhas é um sinal dos tempos e revela a fragilidade com que nosso pensamento conservador radical se organiza: o país sendo dilapidado pela corrupção de Temer e sua gangue, beneficiários do golpe que depôs Dilma Rousseff, e senhoras de salto baixo, saia e blusa, gritando impropérios para uma cientista social. Um país mediocrizado... é essa a imagem que os agressores construíram no mundo todo com o desatino de ontem. Não tenho vergonha do meu país; tenho vergonha dessa gente...

Em homenagem a Butler, a íntegra da palestra que ela fez no SESC Pompéia em São Paulo. Vale a pena assistir Por uma convivência democrática radical.
______________________________

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Doria tem que ser investigado como suspeito de acobertar crime contra o interesse público e burlar a Lei de Acesso à Informação

Doria vai ficando cada vez mais parecido
com Carlos Lacerda nos anos 50. Como Lacerda,
talvez mereça também o mesmo apelido...
O prefake João Doria meteu-se em mais uma encrenca política e desta vez a coisa pode complicar sua carreira mais ainda do que já está complicada. Segundo uma gravação obtida pelo Estadão, o Chefe de Gabinete da Secretaria de Comunicação da Prefeitura, Lucas Tavares, num áudio de mais de uma hora de duração, "atua para dificultar o acesso de jornalistas" às informações de relevância pública sobre a administração municipal. O fato - que se constitui num  estratagema para burlar a Lei de Acesso à Informação, "pode constituir improbidade administrativa e prevaricação", dois crimes previstos na legislação que regula o comportamento de autoridades que ocupam cargos públicos.

A reação de Doria à notícia foi imediata e ambígua: demitiu o funcionário, mas incompetente como é, deixou uma brecha que fez com que a suspeita se voltasse contra ele próprio: para o prefeito, Tavares "falou o que não devia" e desrespeitou a lei. Como assim, "falou o que não devia"? A frase tem efeito imediato. Se Tavares falou o que não devia, falou sobre coisas que Doria sabia, o que o torna cúmplice do crime de desrespeito à Lei de Acesso à Informação, na verdade um eufemismo que oculta a prática da censura ao compromisso sagrado da administração pública em colocar abertamente tudo à disposição da imprensa. Doria sabia das manobras feitas por Tavares para ludibriar os jornalistas? Estaria o prefeito na condição apontada na época do Mensalão, pelo ministro Joaquim Barbosa, isto é, teria Doria o "domínio do fato" e isso o tornaria tão culpado quanto Lucas Tavares? É o que uma rigorosa investigação do MP e eventualmente uma CPI da Câmara dos Vereadores precisa apurar.

Leia as matérias do Estadão sobre o assunto: * Em nota, ex-controladora alertou sobre "retrocesso"* Gestão Doria age para dificultar a Lei de Acesso à Informação * Doria demite chefe de gabinete que dificultava transparência na Prefeitura * Dificultar Lei de Acesso à Informação é grave atentado a direito fundamental, diz Abraji * MP investiga se Prefeitura dificultou acesso a informações públicas * Ouça os áudios.
______________________________