sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Eis aí o Brasil neoliberal...

Recessão técnica coisa nenhuma. O país faliu!

Noticiário sobre a economia brasileira neste início de dezembro repete os tradicionais eufemismos com os quais os economistas e a chamada 'crônica especializada' tenta definir o colapso em que o país está mergulhado. Ao invés de apontar o dedo para o núcleo do problema - um imenso oceano de pobreza que não sustenta nenhum setor -, o que o país estaria atravessando seria uma "recessão técnica". Conversa fiada: o modelo neoliberal mostra-se inviável e só uma revolução social, com a desmontagem das estruturas que protegem o grande capital, é o que nos pode salvar.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

André Mendonça no STF

O novo ministro do Supremo Tribunal Federal:
um pequeno homem a serviço do obscurantismo

Um salto para os evangélicos, um abismo para o Brasil

As peculiaridades desse sujeito que acaba de "conquistar" uma vaga no STF (sabe-se lá ao custo de quantas falcatruas) são muitas, mas uma delas me chama a atenção: a transparência de sua mediocridade. Eis aí um traço que ele não consegue driblar e que o tem ajudado a percorrer os gabinetes do bolsonarismo como um quadro eficiente e fiel, evasivo e hipócrita. A chegada ao STF é o ponto culminante desse processo, e é também uma recompensa pelos serviços prestados ao fascismo. Como diz a música, "vence na vida quem diz sim".

Mas não é só isso. A subserviência de Mendonça ao projeto totalitário de Bolsonaro e de seus apoiadores civis e militares exige ativismo, isto é, não basta a passividade da obediência cega na qual o novo ministro se especializou. Ele próprio tem que ter a iniciativa de instalar os gestos de sua concordância na zona de sombras dessa nova/velha ordem: o apoio à tortura e às mortes da ditadura, a discriminação de gênero, a vista grossa para as milícias e para os desmandos policiais.  Tudo somado, o leitor bíblico é uma espécie de intérprete disfarçado e falso de uma era de escuridão para a qual sua passagem pelo STF vai contribuir, como se já não bastasse a presença de Kássio Nunes Marques na corte.

Entendo que o episódio da aprovação de sua indicação ao Supremo pelo Senado está, justamente pelas razões apontadas acima, entre os mais graves erros da nossa história. Com ele, foi sepultada a principal instituição republicana que possuímos: um corte que zela pela estrita aplicação dos preceitos da Constituição à nossa sociabilidade moderna. Mendonça derruba a qualificação jurídica do intérprete da lei e entra em cena a mistificação evangélica. Pobre Brasil...  

Os eleitores de André Mendonça: nas mãos de quem viemos parar...
Leia mais um pouco: * Um evangélico na corte suprema de um país laico (El País) * Terrivelmente derrotados (Maria Cristina Fernandes, Valor, para assinantes) * Entidades jurídicas pedem mudança nas regras de escolha dos ministros do STF (Carta Capital) * Mendonça será decisivo nos casos de prisão em 2a instância e de minorias (para assinantes, Folha) * As provas de fogo do cão de guarda bolsonarista (Folha).

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Bolsonaro no banco dos réus

BOLSONARO GENOCIDA

Argumentos políticos e farta demonstração dos fatos que marcaram a responsabilidade do PR na pandemia levaram o júri do Tribunal da PUC à unanimidade: Bolsonaro Genocida
(A manifestação dos jurados pode ser assistida a partir das 2:10:11 do vídeo)

A denúncia contra Bolsonaro foi produzida pela jurista Deborah Duprat e reuniu todos os crimes imputados a ele durante a pandemia responsabilizando-o pelo caos sanitário que provocou a morte de mais de 600 mil brasileiros. Leia aqui a íntegra do documentoLeia também * Um genocida governa o país: o relatório da CPI da Covid (postagem do blog). Os argumentos da defesa de Bolsonaro apresentados no Tribunal da PUC podem ser acessados a partir de 1:19:41 do vídeo.

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

A hora da verdade para os donos da mídia

Janio de Freitas: Notícia sobre as notícias

Artigo de Janio de Freitas na Folha expõe com rara felicidade aquele que considero um dos maiores riscos de que as eleições de 2022 sejam, como foram as de 2018, fraudadas pelo compromisso da 'velha' mídia com o Brasil das desigualdades sociais

A viagem de Lula à Europa proporcionou, pelo avesso, o mais desalentador prenúncio da disputa eleitoral do próximo ano. Foi preciso que leitores e espectadores esbravejassem com suspeições, para que o noticiário dos principais diários e emissoras incluísse o assunto de inegável relevância política e jornalística. Era passada já uma semana desde o início, dia 11, da viagem a convite da Fundação Friedrich Ebert e do SPD, partido do futuro primeiro-ministro da Alemanha.


Componente não menos sugestivo no silêncio veio a ser o seu encerramento também coincidente, na data, entre as diferentes vias de noticiário. Quase uma informação involuntária de coincidências em tudo combinadas. Sobretudo tendo em vista os tantos grupos de influência, os de sempre e vários recentes, já ativos para a decisão eleitoral - a estabilização temporária de Bolsonaro liberou-os do trabalho de sustentá-lo (continue a leitura).


Leia ainda: * Viagem de Lula à Europa escancarou o candidato da Globo e da 'grande' imprensa  (Intercept) *  A aposta da Revista Veja: O juiz corrupto que quer ser o "salvador da pátria".

domingo, 21 de novembro de 2021

Terceira via: para que tudo fique como está... ou pior

Brasil, vitrine do rentismo parasitário

Incapaz de gerar riqueza nova, uma “elite-ralé” do país aliou-se ao bolsonarismo. Em 10 anos, inflaram suas fortunas a base de fraudes e da pilhagem do Estado. A vida de milhões foi precarizada enquanto o número de bilionários mais que dobrou.


Marcio Pochmann
Outras Palavras


Em apenas dez anos, a economia brasileira desceu do posto de sexta maior do mundo, alcançado em 2011, para a décima terceira colocação no ranking projetado dos países para 2021. Com o decrescimento do PIB per capita na década passada acumulado em 4,7%, fica evidente o registro de que o país empobreceu, embora pouquíssimos e seletivos segmentos sociais privilegiados tenham continuado a enriquecer, sobretudo pela ascensão do sistema de pilhagem.

No ano de 2011, por exemplo, o Brasil tinha 30 pessoas com fortunas acima de um bilhão de dólares (5,5 bilhões de reais) segundo avaliação da revista Forbes, sendo que a metade delas declarou depender da herança familiar para alavancar seu patrimônio. Juntos, os 30 bilionários contabilizaram uma fortuna total estimada em US$ 131,4 bilhões, o que equivaleu a 5% do total do PIB brasileiro de 2011 (continue a leitura)

Leia também: * Disfarce e desfaçatez (Jorge Luiz Souto Maior, A Terra é redonda) * A destruição da ferrovias no Brasil (Outras Mídias)

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Enem é a cara do governo

Censura nas provas do Enem mostra indigência política e intelectual do bolsonarismo

Os fatos não são novos. Desde que chegou ao governo pela trapaça de 2018, Bolsonaro e quadrilha têm se esforçado para impor a deprimência de suas ideias ao país. A tentativa feita agora de destruir o Inep e de vetar a reflexão crítica dos estudantes nas provas do Enem revela um projeto meticuloso, ainda que desastrado: transformar  o Brasil numa pastagem da ignorância e da prepotência fascista.


Mafalda é reprovada no Enem

Luigi Mazza, revista piauí

De Laerte a Ferreira Gullar, de Chico Buarque a Madonna – o que diziam as questões que o governo Bolsonaro censurou em 2019 no Exame Nacional do Ensino Médio (leia mais).


Sugestões de leiura: * Enem virou porta de acesso ao ensino superior (Especial, Uol) * Alunos, não desistam do Enem (Janine Ribeiro, Folha) * Governo interferiu nas provas do Enem, apontam ex-funcionários (Carta Capital) * Bolsonaro diz que prova do Enem vai ter a cara do governo (Carta Capital) * Inep impõe sigilo em processo que investiga invasão da sala do Enem pela Polícia Federal (Folha) * Atualização: técnicos e educadores do Inep derrotam Bolsonaro, garantem qualidade do Enem e temem represália (Folha).