terça-feira, 30 de junho de 2020

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Bolsonaro e a ameaça fascista


Mais de 1 milhão de crianças, 2 milhões de mulheres e 3 milhões de homens foram submetidos ao assassinato e à tortura de forma programada pelos nazistas com o objetivo de exterminar judeus e outras minorias. Nos primórdios da Itália fascista, os camisas negras - milícias paramilitares de Mussolini - espancavam grevistas, intelectuais, integrantes das ligas camponesas, homossexuais, judeus. Quando a ditadura fascista se estabeleceu, dez anos antes da nazista, Mussolini impôs seu partido como único, instaurou a censura e criou um tribunal para julgar crimes de segurança nacional; sua polícia secreta torturou e matou milhares de pessoas. Em 1938, Mussolini deportou 7 mil judeus para os campos de concentração nazista. Sua aliança com Hitler na 2ª Guerra matou mais de 400 mil italianos. 
Perdoem-me relembrar fatos tão conhecidos, ao alcance de qualquer estudante, mas parece necessário falar do óbvio quando ser antifascista se tornou sinônimo de terrorista para Jair Bolsonaro. Os direitos universais à vida, à liberdade, à democracia, à integridade física, à livre expressão, conceitos antifascistas por definição, pareciam consenso entre nós, mas isso se rompeu com a eleição de Bolsonaro. O desprezo por esses valores agora se explicita em manifestações, abraçadas pelo presidente, que vão de faixas pelo AI-5 - o nosso ato fascista - ao cortejo funesto das tochas e seus símbolos totalitários, aqueles que aprendemos com a história a repudiar. Jornalistas espancados pelos atuais “camisas negras” estão entre as cenas dessa trajetória. 
A patética lista que circulou depois que o deputado estadual Douglas Garcia(PSL-SP) pediu que seus seguidores no Twitter denunciassem antifascistas mostra que o risco é mais do que simbólico. Depois do selo para proteger racistas criado pela Fundação Palmares, e das barbaridades ditas pelo seu presidente em um momento em que o mundo se manifesta contra o racismo, e que lhe valeram uma investigação da PGR, essa talvez seja a maior inversão de valores promovida pelos bolsonaristas até aqui. 
A ameaça contida na fala presidencial e na iniciativa do deputado, que supera a lista macartista pois não persegue apenas os comunistas, tem o objetivo óbvio de assustar os manifestantes contra o governo e de açular as milícias contra supostos militantes antifas, dos quais foram divulgados nome, foto, endereço e local de trabalho. É a junção dos “camisas negras” com a Polícia Militar, que já se mostrou favorável aos bolsonaristas contra os manifestantes pela democracia no domingo passado em São Paulo e no Rio de Janeiro. E que vem praticando o genocídio contra negros impunemente no país desde sua criação, na ditadura militar, muitas vezes com a cumplicidade da Justiça, igualmente racista. 
Como disse Mirtes Renata, a mãe de Miguel, o menino negro de 5 anos que foi abandonado no elevador pela patroa branca de sua mãe, mulher de um prefeito, liberada depois de pagar fiança de R$ 20 mil reais, “se fosse eu, a essa hora já estava lá no Bom Pastor [Colônia penal feminina em Pernambuco] apanhando das presas por ter sido irresponsável com uma criança”. Irresponsável. Note a generosidade de Mirtes com quem facilitou a queda de seu filho do 9º andar. 
Neste próximo domingo, os antifas vão pras ruas. Espero não ouvir à noite, na TV, que a culpa da violência, que está prestes a acontecer novamente, é dos que resistem como podem ao autoritarismo violento. Quem quer armar seus militantes, e politizar forças de segurança pública, está no Palácio do Planalto. É ele quem precisa desembarcar. De preferência de uma forma mais pacífica do que planejam os fascistas para mantê-lo no poder.

Marina Amaral, codiretora da Agência Pública

 

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Oposição no Senado pede que população não vá a manifestações neste domingo
"Nosso pedido parte da avaliação de que, não tendo o país ainda superado a pandemia, que agora avança em direção ao Brasil profundo, saindo das capitais e agravando nos interiores, precisamos redobrar os cuidados sanitários e ampliar a comunicação com a sociedade em prol do distanciamento social", diz a carta articulada pelo líder da Oposição, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).
Uol: https://outline.com/tcehcy
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sábado, 23 de maio de 2020

Governo Bolsonaro na reunião de 22 de abril de 2020

Abaixo, uma sequência de algumas reações sobre o conteúdo do vídeo
* Um vídeo mais comprometedor para Bolsonaro do que a reunião ministerial (Chico Alves, Uol) * Gravação revela que país é governado pela balbúrdia (Josias de Souza, Uol) * Vídeo estarrecedor coloca a nu o governo de aloprados e criminosos (Kotscho, Uol) * Inconcebível e inacreditável (Estadão) * O vídeo da reunião de Bolsonaro na imprensa europeia (DW) * O governo Bolsonaro exposto de forma crua na reunião ministerial. Como será o desenlace? (debate IHU).
Ratos no porão do navio discutem quem coloca o guizo no capitão
(ilustração de Gustave Doré)
Seleção de destaques individuais da reunião:

* Bolsonaro mente * "Tem que vende essa porra logo" (Guedes referindo-se ao Banco do Brasil) * "É hora de ir passando a boiada" (Ricardo Salles referindo-se à desregulamentação das normas ambientais) * Por mim botava esses vagabundos todos na cadeia (Weintraub referindo-se aos ministros do STF) * Damares defende prisão de prefeitos e governadores.
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