domingo, 20 de janeiro de 2019

A chantagem da General Motors

A esta altura, já ficou claro para todo mundo qual foi a lógica que presidiu o colapso político em que o Brasil mergulhou desde o início da conspiração que derrubou Dilma Rousseff, mas não custa relembrar: uma verdadeira joint venture formada por interesses externos e internos do capital. O resultado é o que está aí: uma articulação populista de extrema direita cujo projeto é liquidar com mecanismos de defesa dos direitos sociais e com a soberania nacional. 

O país que saiu das urnas em 2018 e que emplacou Jair Bolsonaro na presidência da República em 2019 não é apenas o território da corrupção acobertada pelo difuso autoritarismo de um governo paramilitar, mas também alguma coisa que se assemelha a uma pastagem dos interesses privados nacionais e internacionais. Sob esse aspecto, não há nada mais parecido com um enclave (ou um protetorado) neocolonial do que o Brasil do século XXI: pré-sal, Petrobras, Embraer, ocupação de terras na Amazônia, privatizações de toda ordem... esses são alguns dos sintomas desse quadro de sujeição imoral da República aos interesses das elites, daqui e de fora.

Penso que é esse o contexto que explica a sem-cerimônia, o cinismo e a desfaçatez com que a General Motors anunciou sua intenção de deixar o Brasil caso suas atividades não voltem a dar lucro (leia aqui a matéria da Folha sobre o assunto). Do ponto de vista institucional, as ameaças da empresa - que está sendo feita diretamente sobre os trabalhadores, fato que configura o crime de assédio - representa uma ameaça à estabilidade social e à soberania do Estado brasileiro - o que por si só justificaria a expropriação da GM e a prisão de seus dirigentes, na hipótese de que tivéssemos no governo uma representação comprometida com os interesses estratégicos nacionais. Do ponto de vista econômico-financeiro, no entanto, a coisa é mais concreta: a GM mente (continue a leitura)
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

A luta de classes na base da pirâmide

Carcaças de ônibus incendiados no Ceará: pobres contra pobres. É o resultado final do Brasil construído pelas elites conservadoras durante cinco séculos. Bolsonaro na PR é o troféu simbólico dessa tragédia inédita que nos destaca na história da humanidade

Entrevista com Luis Fábio Paiva
Patrícia Fachin, do IHU
onda de violência que atinge o Ceará há duas semanas não é uma novidade no estado. De acordo com Luiz Fábio Paiva, professor e pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência – LEV da Universidade Federal do Ceará – UFC, o estado “vivencia há pelo menos trinta anos situações de violência e conflito entre grupos armados em bairros da capital e interior do estado”. Segundo Paiva, antes do surgimento das quatro facções que hoje dominam o Ceará, gangues e quadrilhas de traficantes já controlavam os territórios e impediam a livre circulação em alguns bairros. “Durante todo esse tempo, eles realizaram assassinatos que eram interpretados pelo poder público como ‘acertos de contas entre bandidos’. A maior parte desses crimes nunca foi efetivamente investigada e os culpados devidamente responsabilizados, deixando a sensação de que esses grupos eram autônomos para fazer isso sem interferência do poder público. A situação se deteriorou a partir de 2016 quando, depois de longas negociações entre pessoas envolvidas nas práticas de crimes, no Ceará, se constituiu o domínio de coletivos criminais conhecidos como facções”, relata na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line.
As facções, informa, “desterritorializaram e reterritorializaram conflitos entre grupos armados”, atuam com “uso de explosivos capazes de afetar grandes estruturas como viadutos” e “passaram a ter um peso muito maior na vida das comunidades, adotando medidas de punições contra quem ousou desafiar suas ordens”. Entre as punições, menciona, “práticas de tortura passaram a ser difundidas contra desobedientes, suspeitos de envolvimento com grupos rivais e pessoas acusadas de delatar práticas criminosas”.
Luiz Fábio Paiva pesquisa as transformações sociais que estão ocorrendo em Fortaleza por causa do crime e da atuação das facções, e ressalta que “atualmente chama atenção a capacidade das facções em arregimentar pessoas, sobretudo jovens, para suas frentes”. A lógica desses grupos, diz, “é econômica e afetiva”, e eles realizam “um trabalho pedagógico no convencimento de que o crime pode ser um caminho para alcançar respeito e sucessos econômicos em uma sociedade injusta e corrupta”. As facções, explica, “alimentam “uma espécie de razão para que jovens se associem e realizem ‘missões’ em nome do coletivo. Cada ‘missão cumprida’ gera status para quem a cumpre dentro do grupo. Em linhas gerais, os meios para o sucesso dentro da facção dependem do sujeito cometer crimes/missões, entre eles o assassinato de outras pessoas consideradas inimigas”. E complementa: “Não poucas vezes são crimes de pobres contra pobres, enquanto algumas pessoas efetivamente têm sucessos financeiros que, aparentemente, não são compartilhados com quem ocupa posições subalternas e acaba preso por estar fazendo missões como transportar drogas, fazer assaltos ou praticar crimes de pistolagem” (continue a leitura).
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Com o patrocínio do STF

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Juventude bolsonarista (via piauí)

"Miúda e de feições angelicais, Leticia Catel
gosta de armas de fogo"
"Pista quente!” O alerta, dado por uma voz feminina, indicava que a partir daquele momento ninguém poderia entrar na área de tiro, sob o risco de ser alvejado. A dona da voz, Leticia Catelani – ou Leticia Catel, como se apresenta nas redes sociais –, posicionada em uma das cabines do Interarmas, um clube de tiro em São Paulo, fez três disparos com sua Glock calibre 45, uma pistola leve e compacta, como anuncia o fabricante. Os tiros foram precisos. Os projéteis perfuraram dois pontos próximos do coração e outro na altura do estômago do alvo de papelão.
“Matou”, disse o advogado Victor Metta, que acompanhava a exibição com o investidor Otávio Fakhoury. Satisfeita com a própria destreza, Catel abriu um sorriso. Colocou a pistola de volta no coldre, preso à sua coxa direita, alinhou o terninho preto bem cortado, ajeitou os cabelos louros e aguardou pelos disparos dos companheiros. “Alvo neutralizado”, afirmou, rindo, ao constatar o bom desempenho dos dois, naquela manhã fria de meados de outubro.
Miúda e de feições angelicais, Leticia Catel gosta de armas de fogo. Tem 30 anos, é uma empresária bem-sucedida, proprietária de uma companhia de médio porte, a Grunn, que importa equipamentos para máquinas industriais. Abriu a empresa aos 18 anos, com ajuda do pai, Mario Catelani, um ex-torneiro mecânico de Santo André que é dono de uma indústria de equipamentos mecânicos em Jundiaí. Em seu currículo, ela diz que é “especialista em mercados internacionais e negociações comerciais”. Depois de se formar em comércio exterior na Universidade Paulista (Unip), fez um MBA em gestão empresarial na Fundação Getulio Vargas e uma pós-graduação no Instituto Mises Brasil. Fala inglês fluentemente, vira-se no alemão e no espanhol, e diz que arranha um pouco de mandarim. Nos últimos meses, chamou atenção na internet por causa de sua intensa atividade nas redes sociais em prol da campanha de Jair Bolsonaro (continue a leitura).

* Rede social de ultradireita chega ao Brasil (El País)
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terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Férias

Pessoal, vou dar um tempo e já volto... O descanso é merecido e vai até fins de janeiro. Para todas e todos, uma felicidade sem limites neste fim de ano e em 2019
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

O medo vermelho nos EUA : nos anos 50 professores eram interrogados e demitidos sob acusação de serem comunistas